Bitcoin e Ethereum despencam

Bitcoin e Ethereum despencam: o que aconteceu e o que isso significa para você?

Em menos de 24 horas, as duas maiores criptomoedas do mundo perderam uma parte significativa do seu valor. O Bitcoin caiu abaixo dos 82 mil dólares e o Ethereum não ficou atrás. Mas o que exatamente aconteceu? E por que isso importa mesmo para quem não opera no mercado de criptos?


CriptomoedaPreçoQueda em 24h
Bitcoin (BTC)$81.965▼ 7,54%
Ethereum (ETH)$2.699▼ 4,63%

Um dia para não esquecer no mundo das criptos

Bitcoin e Ethereum despencam o que aconteceu e o que isso significa para você
Bitcoin e Ethereum despencam o que aconteceu e o que isso significa para você

O dia 30 de janeiro de 2026 foi, pra dizer o menos, um dia bem difícil pra quem tem criptomoedas na carteira. O Bitcoin – a maior criptomoeda do mundo por valor de mercado – caiu pra cerca de 81 mil e 965 dólares. Isso representa uma queda de quase 7,5% em apenas um dia. Pense nisso: se você tivesse investido 10 mil reais no Bitcoin às vésperas, na manhã seguinte estaria com cerca de 750 reais a menos.

E não foi só o Bitcoin que sentiu o impacto. O Ethereum, que é a segunda maior criptomoeda do mundo, também caiu bastante. Ele foi pra cerca de 2 mil e 699 dólares, perdendo quase 4,6% do seu valor nas últimas 24 horas. Dois ativos importantes, caindo ao mesmo tempo, num ritmo que deixou muitos investidores preocupados.

Mas a grande pergunta que todos estão fazendo é: por quê isso aconteceu? E, mais importante ainda, o que vai acontecer daqui pra frente? Vamos explicar tudo isso de um jeito bem simples, porque o mercado de criptomoedas tem um jeito de parecer muito complicado quando, na verdade, muitas das coisas que acontecem por trás das panos seguem uma lógica bem parecida com a do mercado financeiro tradicional que a gente conhece.

Para começar hoje com segurança: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim

O culpado principal: o vencimento das opções

Pra entender o que aconteceu, é preciso saber um pouco sobre um instrumento financeiro chamado de opção. Não, não é a mesma “opção” que você usa quando abre o menu do celular. No mundo dos investimentos, uma opção é basicamente um contrato que dá a uma pessoa o direito – mas não a obrigação – de comprar ou vender um ativo numa data e num preço previamente acertado.

Pensa assim: imagine que você combina com alguém que vai comprar um apartamento por 500 mil reais daqui a três meses, independente do que aconteça com o preço dele no mercado. Se o apartamento valorizar e ir pra 600 mil, ótimo pra você – você tá com um bom negócio. Se cair pra 400 mil, você ainda paga 500 mil, mas pelo menos tá coberto contra grandes perdas futuras. Essa é a ideia básica de uma opção.

E no dia 30 de janeiro, aconteceu um evento chamado de vencimento de opções – ou, em inglês, options expiry. Esse é o dia em que muitos desses contratos chegam ao fim. E quando isso acontece, a quantidade de dinheiro que move no mercado aumenta de forma absurda, gerando uma pressão enorme nos preços.

📊 Os números não mentem: Neste vencimento, foram 91 mil Bitcoins e 435 mil Ethereums em opções expirando de uma vez. Em valor, isso soma bilhões de dólares – uma quantidade que, sim, é suficiente pra mover o mercado todo.

Adam, um analista da Binance – que é uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo – explicou que este foi o primeiro vencimento mensal depois do chamado settlement anual, o ajuste que acontece uma vez por ano. E as opções que venceram representavam cerca de 25% de todas as posições abertas. Isso é um número enorme. Basicamente, um quarto de todas as apostas ativas no mercado acabou de expirar ao mesmo tempo.

Por que o mercado ficou tão nervoso?

Além do vencimento das opções, outro fator importante entrou em cena: a volatilidade implícita. Esse é um termo que parece complicado, mas na prática significa que os operadores do mercado estavam esperando grandes movimentos nos preços. E quando muita gente espera que o preço vai cair, tende a haver mais vendas, o que por sua vez faz o preço cair ainda mais. É um ciclo que se alimenta de si mesmo.

Pensa numa situação do dia a dia: se numa festa todo mundo começa a falar que o restaurante da esquina tá com problema, mesmo que não seja verdade, as pessoas vão parar de ir. E se pararem de ir, o restaurante vai faturar menos, e aí realmente vai ter problema. No mercado financeiro acontece a mesma coisa. O medo pode ser tão poderoso quanto a realidade.

Os dados da Binance mostraram um volume muito alto de vendas concentradas em contratos de opção que estavam expirando. Isso criou o que os analistas chamam de pressão de liquidez – basicamente, um cenário onde muita gente tenta sair ao mesmo tempo, e não tem comprador suficiente pra absorver todo aquele volume de venda.

“Este foi o primeiro vencimento mensal após o settlement anual, com opções representando 25% do total de posições em aberto expirando de uma vez.”

Adam, Analista · Binance / BlockBeats

Quanto em risco? Os números que assustam

Quando o mercado se move muito rápido assim, os chamados traders – pessoas que compram e vendem criptomoedas regularmente tentando lucrar com as variações de preço – correm risco de perder uma quantidade grande de dinheiro. E os números desse vencimento mostram exatamente isso.

No caso do Ethereum, se o preço subisse acima de 2 mil e 863 dólares, as chamadas posições curtas – que são as apostas de que o preço vai cair – correriam um risco de perder cerca de 1,4 bilhões de dólares. Isso mesmo: bilhões. E, no outro lado da moeda, se o preço do Ethereum caísse abaixo de 2 mil e 593 dólares, as chamadas posições longas – que são as apostas de que o preço vai subir – estariam em risco de perder pra volta de 625 milhões de dólares.

Pra ter uma ideia do tamanho, imagine que a maior parte desse dinheiro pertence a investidores institucionais – ou seja, não são pessoas físicas comuns, mas bancos, fundos de investimento e grandes empresas que movem bilhões no mercado todos os dias. E quando esses jogadores grandes tomam uma decisão, o mercado inteiro se move junto.

Isso já aconteceu antes? Sim, e muito

Se você acompanha o mundo das criptomoedas há algum tempo, provavelmente já viu cenários parecidos. E não é por acaso. Os níveis que o Bitcoin e o Ethereum atingiram neste vencimento são similares aos que foram vistos em novembro de 2025, quando o mercado também passou por um momento bem instável.

O mercado de criptomoedas é historicamente muito volátil – ou seja, os preços tend a mudar muito e muito rápido. Isso é parte da natureza desse mercado, que ainda é relativamente jovem comparado com, por exemplo, a bolsa de valores tradicional. Na Bovespa, que é a bolsa brasileira, as variações diárias de grandes empresas como Petrobras ou Vale raramente ultrapassam 5% numa única sessão. No mundo das criptos, isso é quase rotina.

E quando se analisa os dados históricos, os padrões de comportamento dos traders antes e depois dos vencimentos de opções são muito consistentes. Os analistas que estudam esses dados conseguem, com razoável precisão, prever os momentos em que o mercado vai ficar mais agitado. O problema é que saber que a turbulência vem não significa que dá pra evitá-la completamente.

Como isso afeta o mercado como um todo?

A queda do Bitcoin e do Ethereum não aconteceu numa bolha isolada. Quando as duas maiores criptomoedas do mundo caem ao mesmo tempo, o efeito se espalha por todo o ecossistema de criptomoedas. Outras moedas digitais – que costumam ter correlação alta com o Bitcoin – também cairam. E aí o investidor que diversificou sua carteira pensando que tava se protegendo descobre que, na crise, tudo caiu junto.

Esse fenômeno é chamado de correlação de mercado. Na prática, significa que, em momentos de medo, os ativos tend a se mover na mesma direção. É como se todo mundo corresse pra saída ao mesmo tempo – não importa quais portas estiverem abertas, a maioria vai pra mesma.

E não são só os traders que ficam preocupados. O sentimento do investidor – uma forma de medir a temperatura emocional do mercado – ficou claramente mais pessimista após esse movimento. Quando as pessoas sentem medo, elas tendem a vender mais rápido do que comprar, e isso piora ainda mais a queda de preços. É um efeito dominó que pode se prolongar por dias ou até semanas.

E agora? O que os analistas dizem?

Os especialistas que acompanham de perto o mercado de criptomoedas não estão exatamente preocupados, mas também não estão relaxados. A visão geral é de que as oscilações que aconteceram são, em grande parte, resultado direto do vencimento das opções – um evento que é regular e que, historicamente, sempre gera esse tipo de movimento.

O que preocupa mais é o que acontece depois. Se o mercado conseguir se estabilizar nas próximas semanas e os preços voltarem a um nível mais equilibrado, pode ser que esse foi apenas mais um momento de turbulência passageira. Mas se a queda continuar e os níveis de suporte – preços mínimos que historicamente funcionam como um “piso” – forem quebrados novamente, aí a situação pode ficar mais séria.

Os analistas também estão monitorando de perto os índices de Put/Call – uma forma de medir a proporção entre as apostas de queda e as apostas de alta no mercado. Quando esse índice fica muito desequilibrado, pode ser um sinal de que uma correção maior está por vir. E, pelo que os dados mostram até agora, há sinais de que a volatilidade pode continuar por mais um tempo.

O que isso significa pra quem investe no Brasil?

Se você investe em criptomoedas por meio de corretoras brasileiras como a Mercado Bitcoin, Coinbase ou Binance – que todas operam no Brasil – essa queda afeta diretamente o valor da sua carteira. Mesmo que você compre em reais, o preço das criptomoedas é determinado pelo mercado global, em dólares.

E aí entra outro fator: o câmbio. Quando o dólar está alto, mesmo uma queda menor no preço do Bitcoin em dólares pode parecer ainda maior quando convertida pra reais. Então, se você tá olhando pra sua carteira no aplicativo e vendo números vermelhos, não se assusta – a maioria das pessoas que investe em criptos já passou por situações assim.

A dica que a maioria dos especialistas dá pra quem investe em criptomoedas no longo prazo é: não toma decisões baseadas no medo. Os mercados de criptos são voláteis por natureza. Quem entrou pra ficar anos, não dias, tende a sair bem. Mas, claro, isso não é garantia de nada. Cada pessoa precisa avaliar seu próprio perfil de risco.

O que ficar com isso tudo

A queda do Bitcoin e do Ethereum no dia 30 de janeiro foi impactante, mas não foi um acontecimento completamente inesperado. O vencimento de um volume enorme de opções, combinado com a volatilidade alta e a cautela dos traders, criou as condições perfeitas pra um movimento assim.

O mercado de criptomoedas vai continuar sendo volátil. Isso é parte da sua natureza, pelo menos por enquanto. Mas a narrativa maior – de que as criptomoedas estão se tornando cada vez mais integradas ao sistema financeiro global – não mudou. Instituições grandes ainda estão investindo. Reguladores ainda estão tentando criar um ambiente mais seguro. E os preços, historicamente, tend a se recuperar depois de quedas como essa.

Então, se você não entrou em pânico e não vendeu tudo na hora da queda, provavelmente tá bem. E se você tá pensando em entrar no mercado de criptos agora, é sempre boa ideia se informar bem antes de colocar dinheiro nisso. Momentos como esses são lembretes de que o mercado tem lados positivos, mas também tem os seus riscos – e saber deles é a primeira forma de se proteger.

No BlockNexo, esse tema nunca fica parado.

Perguntas Frequentes

1. O que é uma criptomoeda e por que ela tem valor?

Uma criptomoeda é uma moeda digital que existe apenas na internet e é protegida por criptografia – um sistema de codificação muito difícil de quebrar. Ela tem valor porque as pessoas acreditam nela e a usam como meio de troca e de investimento, assim como acontece com o dólar ou o real, só que sem um governo por trás dela. Quanto mais pessoas quiserem usar e comprar, mais o valor sobe.

2. Por que o Bitcoin caiu tanto de uma hora pra outra?

A queda foi causada principalmente pelo vencimento de um volume enorme de contratos de opção no mesmo dia. Quando muitos contratos expiram ao mesmo tempo, isso gera uma grande pressão de venda no mercado. Além disso, o medo entre os traders aumentou a velocidade das vendas, criando um efeito em cascata que puxou o preço pra baixo rapidamente.

3. O que são opções e como elas funcionam no mercado de criptos?

Opções são contratos que dão ao comprador o direito de comprar ou vender uma criptomoeda numa data e num preço previamente combinados. Elas são usadas como forma de proteção contra grandes variações de preço ou como forma de especular sobre o futuro do mercado. Quando essas opções “vencem” – ou seja, chegam à sua data de término – o mercado pode ficar muito agitado.

4. O que significa “volatilidade implícita” no mercado?

A volatilidade implícita é uma medida que indica o quanto os traders do mercado esperam que os preços vão mudar no futuro. Quando essa medida está alta, significa que o mercado tá esperando grandes oscilações. E, muitas vezes, quando muita gente espera que algo vai acontecer, ela toma decisões que acabam fazendo aquilo acontecer mesmo.

5. Quem são os investidores institucionais e por que eles têm tanto poder?

Investidores institucionais são grandes fundos de investimento, bancos e empresas que movem enormes quantidades de dinheiro no mercado todo dia. Eles têm tanto poder porque, quando decidem comprar ou vender, o volume que movem é tão grande que afeta o preço diretamente. Um único fundo pode mover bilhões numa operação, influenciando todo o mercado.

6. A queda do Bitcoin afeta outras criptomoedas também?

Sim, com certeza. Como o Bitcoin é a maior criptomoeda do mundo, ele tende a puxar o mercado inteiro. Quando ele cai, a maioria das outras criptomoedas segue a mesma direção. Isso é chamado de correlação de mercado, e é um dos motivos pra quem investe considerar diversificar suas posições além do mundo das criptos.

7. O que são posições “longas” e “curtas”?

Uma posição longa é uma aposta de que o preço vai subir – o trader compra esperando valorização. Uma posição curta é o contrário: uma aposta de que o preço vai cair. Quando o preço se move na direção oposta à aposta, o trader pode perder muito dinheiro. Por isso, vencimentos de opção como esse podem criar perdas bilionárias pra ambos os lados.

8. Como o câmbio dólar-real afeta o valor das criptos no Brasil?

Como os preços das criptomoedas são determinados em dólares no mercado global, quando o dólar está alto em relação ao real, mesmo uma queda pequena no preço das criptos pode parecer ainda maior quando convertida pra reais. Então, o investidor brasileiro sente um “efeito duplo”: a queda do preço da cripto mais a valorização do dólar.

9. Devo vender minhas criptomoedas agora por causa dessa queda?

Isso depende do seu perfil de risco e dos seus objetivos financeiros. A maioria dos especialistas aconselha não tomar decisões impulsivas baseadas no medo. Historicamente, o mercado de criptos tende a se recuperar após quedas. Mas cada pessoa tem uma situação diferente, então é importante avaliar com calma e, se possível, consultar um profissional de investimentos.

10. O que é o “settlement anual” que os analistas mencionam?

O settlement anual é um ajuste de contas que acontece uma vez por ano no mercado de opções de criptomoedas. Ele envolve um volume muito grande de contratos sendo finalizados ao mesmo tempo. Os vencimentos que acontecem depois dele costumam ser mais impactantes, porque o mercado ainda tá “digerindo” os efeitos desse ajuste.

11. Qual a diferença entre o mercado de criptos e a Bovespa?

A Bovespa é a bolsa de valores brasileira e é regulamentada pelo governo brasileiro através da CVM. O mercado de criptomoedas é descentralizado e globalizado, sem um órgão central controlando tudo. Por isso, ele tende a ser muito mais volátil. Na Bovespa, grandes empresas raramente caem mais de 5% numa sessão. Nas criptos, quedas de 7% ou mais numa única noite são muito mais comuns.

12. Qual é o papel da Binance no mercado de criptomoedas?

A Binance é uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Ela funciona como uma plataforma onde as pessoas podem comprar, vender e fazer trade de criptomoedas. Além disso, ela oferece produtos financeiros como opções e futuros. Os dados que a Binance divulga sobre o mercado são muito importantes pra analistas e investidores ao redor do mundo tomarem suas decisões.

13. O que são índices Put/Call e pra que eles servem?

Os índices Put/Call medem a proporção entre contratos de venda (Put) e contratos de compra (Call) no mercado. Quando há mais Puts do que Calls, isso indica que mais pessoas estão apostando na queda dos preços. Os analistas usam esse índice como um “termômetro” do sentimento do mercado – se tá muito desequilibrado, pode ser um sinal de que uma grande mudança de direção está por vir.

14. Como me proteger de quedas como essa no futuro?

Algumas estratégias que podem ajudar: diversificar sua carteira pra não ficar dependente só de criptos; usar o método de aporte regular (investir um valor fixo todo mês, independente do preço); manter uma reserva de emergência fora do mundo das criptos; e, por fim, nunca investir mais do que você pode se permitir perder. A educação financeira é a melhor proteção que existe.

Fonte: CoinLive

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *