Bitcoin Pode Chegar a US$ 11 Milhões por Moeda até 2036? O que a Inteligência Artificial tem a ver com isso
Uma previsão ousada que está fazendo muita gente parar e pensar
Imagina acordar em 2036 e ver que aquele Bitcoin que você comprou por alguns milhares de reais hoje vale mais de 55 milhões de reais. Parece coisa de sonho, né? Mas tem gente muito séria, com dados e análises profundas, defendendo exatamente isso.
Joe Burnett, vice-presidente de estratégia de Bitcoin em uma empresa americana chamada Strive, publicou um relatório que está dando o que falar no mundo das criptomoedas. Segundo ele, o Bitcoin pode chegar a US$ 11 milhões por unidade até o primeiro trimestre de 2036. Convertendo para o real com um câmbio médio projetado, isso equivale a algo em torno de 55 a 60 milhões de reais por moeda, dependendo de como o dólar estiver.
Mas calma. Antes de sair correndo para comprar tudo que pode, vale a pena entender a lógica por trás dessa projeção. Porque não é só “achismo” – há um raciocínio econômico bastante elaborado aqui, e ele começa num lugar surpreendente: a Inteligência Artificial.
Principais Conclusões
O papel da IA nessa história toda

A gente já vê a inteligência artificial em todo canto. Ela escreve textos, responde perguntas, dirige carros, diagnostica doenças e até cria arte. Mas o que isso tem a ver com o preço do Bitcoin?
A resposta está em algo que os economistas chamam de deflação – que, em linguagem simples, é quando os preços caem ao longo do tempo em vez de subir.
Pensa assim: quando uma máquina faz o trabalho de dez pessoas, os custos de produção despencam. A empresa gasta menos. E quando muitas empresas gastam menos ao mesmo tempo, os preços dos produtos e serviços também tendem a cair. Isso é a deflação em ação.
Burnett acredita que a IA vai acelerar exatamente esse processo. A automação vai reduzir drasticamente os custos em várias indústrias, e os preços vão cair. No dia a dia, isso poderia parecer ótimo – afinal, quem não gosta de pagar menos pelo supermercado?
Mas aqui está o problema que ele aponta: o mundo financeiro atual foi construído em cima de dívidas. E dívidas têm valores fixos.
Para iniciantes curiosos: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim
Dívida fixa, preços caindo – a conta não fecha
Vamos usar um exemplo prático bem brasileiro.
Suponha que você fez um financiamento de imóvel de R$ 500 mil. Você trabalha, recebe seu salário, e vai pagando as parcelas. Mas aí vem a deflação – a economia encolhe, os salários caem, talvez você até perca renda. O problema é que o banco não vai reduzir sua dívida junto com a queda dos preços. Você ainda deve R$ 500 mil, só que agora com muito menos dinheiro no bolso.
Isso vale para pessoas físicas, empresas e até governos. Os países do mundo inteiro estão endividados. Os Estados Unidos devem mais de 34 trilhões de dólares. O Brasil tem uma dívida pública enorme. E essas dívidas são fixas em termos nominais.
Se a deflação se instalar de verdade, a conta simplesmente não fecha. E os governos entram em crise.
O que os governos fazem nessa situação?
Aqui vem a parte central da tese de Burnett: para evitar esse colapso deflacionário, os bancos centrais – como o Banco Central brasileiro ou o Federal Reserve nos EUA – vão aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Em outras palavras: vão imprimir mais dinheiro.
Essa é uma prática conhecida, e o Brasil tem uma longa história com ela. Quem viveu os anos 1980 e início dos anos 1990 lembra bem do que aconteceu quando o governo abusou dessa ferramenta – a inflação explodiu, e o dinheiro perdia valor do dia para a noite. Chegamos a ter hiperinflação de mais de 2.000% ao ano.
Agora imagina esse fenômeno acontecendo em escala global, ao mesmo tempo, com praticamente todos os países precisando injetar dinheiro na economia para segurar a deflação causada pela IA.
O resultado seria uma desvalorização generalizada das moedas tradicionais – o dólar, o euro, o real, o iene. Tudo perdendo poder de compra ao mesmo tempo.
E é exatamente nesse cenário que o Bitcoin brilharia.
Por que o Bitcoin se beneficiaria disso?
O Bitcoin tem uma característica única: seu fornecimento é limitado e imutável. Só vão existir 21 milhões de unidades, jamais mais que isso. Essa regra está escrita no código da rede e não pode ser alterada por nenhum governo, banco central ou empresa.
Enquanto os governos podem imprimir dinheiro à vontade, ninguém pode “imprimir” mais Bitcoin.
Então, quando o dinheiro tradicional perde valor, os ativos escassos tendem a se valorizar – ouro, imóveis bem localizados, obras de arte raras, e, segundo essa tese, o Bitcoin.
É a velha lei da oferta e demanda. Se o dinheiro fica abundante demais e perde valor, as pessoas buscam refúgio em algo que não pode ser inflacionado. E o Bitcoin, por design, é exatamente isso.

Os números por trás da previsão de US$ 11 milhões
Vamos entender de onde vem esse número, porque ele não foi tirado do nada.
A projeção de Burnett se baseia em duas premissas principais:
Primeira: que o Bitcoin represente cerca de 12% de todos os ativos financeiros globais até 2036. Hoje, essa participação é de aproximadamente 0,2% – ou seja, o Bitcoin precisaria crescer mais de 176 vezes em termos de valor de mercado.
Segunda: que a riqueza global continue crescendo a uma taxa de 7% ao ano durante essa década. Isso é uma suposição razoável se olharmos para o histórico das últimas décadas.
Se essas duas coisas acontecerem juntas, o valor de mercado total do Bitcoin chegaria a algo em torno de 230 trilhões de dólares. É um número absurdamente grande – maior do que a economia de qualquer país, maior do que o PIB mundial atual.
Parece impossível? Talvez. Mas veja o que Nic Puckrin, analista sênior do Coin Bureau (um dos canais mais respeitados sobre criptomoedas no mundo), disse sobre o tema.
O que dizem outros especialistas
Puckrin reconhece que a escala da previsão é gigantesca. Ele calcula que esse cenário colocaria o Bitcoin em cerca de 10 vezes o total de dólares em circulação nos EUA atualmente, quase quatro vezes maior que todo o mercado de ações americano hoje, e chegando perto do dobro do PIB global atual.
Dito isso, ele também pondera que a taxa de crescimento anual implícita – cerca de 53% ao ano – não é totalmente fora da realidade para o Bitcoin. Afinal, entre 2015 e 2024, o Bitcoin cresceu em média 60% ao ano. É claro que esse ritmo tende a desacelerar conforme o ativo fica maior, mas o precedente histórico existe.
Outros grandes nomes do mercado também têm apostas altas. A ARK Invest, gestora americana de grande prestígio, publicou sua própria previsão projetando que o Bitcoin pode chegar a US$ 1,5 milhão até 2030 no cenário mais otimista – e US$ 300 mil no cenário mais conservador. Bem abaixo dos US$ 11 milhões de Burnett, mas ainda assim representando uma valorização enorme em relação ao preço atual, que gira em torno de US$ 68 mil.
O conceito de “crédito digital” – uma nova fronteira
Burnett vai além na sua análise e identifica outro fator que poderia turbinar ainda mais o preço do Bitcoin: o que ele chama de “crédito digital”.
A ideia é a seguinte: empresas de capital aberto que acumulam grandes reservas de Bitcoin no balanço podem emitir títulos financeiros lastreados nessas reservas para captar mais capital – e usar esse capital para comprar mais Bitcoin. Isso cria um ciclo que se retroalimenta.
O exemplo mais claro disso hoje é a Strategy (antes conhecida como MicroStrategy), a maior empresa pública do mundo em termos de reservas de Bitcoin. Ela tem feito exatamente isso: usa sua reserva de BTC como alavanca para captar recursos e comprar ainda mais Bitcoin.
Se esse modelo se espalhar – e há sinais de que está começando a acontecer – ele pode criar uma demanda institucional colossal e sustentada pelo Bitcoin nas próximas décadas.
E no Brasil, como isso impacta a gente?
O Brasil tem uma relação interessante com o Bitcoin. Somos um dos países com maior adoção de criptomoedas na América Latina. A Receita Federal já exige a declaração de criptoativos no Imposto de Renda. Exchanges como Mercado Bitcoin, Binance Brasil e outras movimentam bilhões de reais por mês.
Se o cenário descrito por Burnett se concretizar, os brasileiros que investiram em Bitcoin estarão entre os mais beneficiados – especialmente porque o real historicamente perde valor frente ao dólar ao longo do tempo.
Pensa bem: se o dólar já se valoriza contra o real no longo prazo, e o Bitcoin se valoriza contra o dólar, o efeito para o investidor brasileiro é duplo.
Claro, o risco também existe. Previsões são previsões, não garantias. O Bitcoin já caiu 80%, 85% do seu valor em ciclos anteriores. Quem não tem estômago para essa volatilidade pode passar mal no caminho.
Mas pra quem pensa no longo prazo – no horizonte de 10, 15 anos – a lógica apresentada por Burnett oferece um argumento econômico sólido, não apenas entusiasmo especulativo.

O que pensar sobre tudo isso?
Vou ser honesto com você: ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Economia é complexa. A IA pode se desenvolver de formas que ninguém prevê. Governos podem criar novas regras, taxar cripto de formas diferentes, ou até criar moedas digitais próprias para competir.
Mas o que Burnett está fazendo é diferente de um simples “achismo cripto”. Ele está conectando pontos reais: a chegada da IA, seus efeitos deflacionários, a resposta previsível dos bancos centrais, e a natureza escassa do Bitcoin. Cada um desses pontos, individualmente, já é amplamente discutido por economistas sérios.
A combinação desses fatores num único cenário é o que torna a tese interessante – e assustadoramente plausível.
Não precisa ser um fanático por criptomoeda para entender que vivemos numa época de transformações econômicas sem precedentes. A IA está chegando. A dívida global está em níveis históricos. E o Bitcoin existe há 15 anos como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional.
O que você vai fazer com essa informação é com você.
Conclusão: ficção científica ou tendência real?
Quando o Bitcoin chegou a US$ 1 em 2011, muita gente achou piada. Quando chegou a US$ 1.000 em 2013, especialistas disseram que era bolha. Quando bateu US$ 20.000 em 2017, os jornais do mundo todo falaram em colapso iminente. Quando voltou a US$ 69.000 em 2021, viraram manchete novamente. E aqui estamos, com o Bitcoin em torno de US$ 68.000 em 2024, já tendo recuperado seus patamares históricos.
A previsão de US$ 11 milhões por Bitcoin até 2036 pode parecer loucura. Mas em 2011, dizer que ele valeria US$ 68.000 algum dia também pareceria coisa de maluco.
O mundo está mudando. A tecnologia está mudando. E os sistemas financeiros, mais cedo ou mais tarde, também precisarão mudar. Nesse contexto, ter ao menos uma parte pequena do patrimônio em Bitcoin – o que alguns chamam de “seguro contra a incerteza monetária” – pode fazer mais sentido do que parece à primeira vista.
Mas lembre-se sempre: invista só o que você pode perder. Diversifique. E, acima de tudo, estude antes de agir. O mercado de cripto é fascinante, mas não perdoa a falta de informação.
O BlockNexo conecta você aos temas que estão em alta.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é o Bitcoin e por que ele tem valor? O Bitcoin é uma moeda digital criada em 2009, descentralizada – ou seja, não controlada por nenhum governo ou banco. Ele tem valor porque é escasso (só existirão 21 milhões de unidades), é seguro, pode ser transferido globalmente sem intermediários, e cada vez mais pessoas e instituições o aceitam como reserva de valor ou meio de pagamento.
2. A previsão de US$ 11 milhões por Bitcoin até 2036 é confiável? É uma projeção feita com base em análises econômicas sérias, mas ainda assim é uma previsão – não uma certeza. O cenário depende de variáveis que podem ou não se concretizar, como a intensidade da automação por IA, a resposta dos governos e a adoção global do Bitcoin. Trate como um cenário possível, não como uma garantia.
3. O que é deflação e por que ela seria um problema? Deflação é quando os preços caem de forma generalizada e persistente. Parece boa à primeira vista, mas ela causa problemas sérios: as dívidas ficam mais difíceis de pagar, as empresas reduzem investimentos, o desemprego cresce, e toda a economia entra numa espiral negativa. Por isso, bancos centrais geralmente preferem uma inflação baixa e controlada à deflação.
4. Como a Inteligência Artificial pode causar deflação? Quando a IA automatiza processos e substitui mão de obra humana, os custos de produção caem. Com menos custos, os preços dos produtos e serviços tendem a cair também. Se isso acontecer em larga escala e em várias indústrias ao mesmo tempo, pode gerar deflação generalizada na economia global.
5. Por que os governos “imprimem dinheiro” para combater a deflação? Aumentar a quantidade de dinheiro em circulação faz os preços subirem – ou pelo menos para de cair. Os governos e bancos centrais usam essa ferramenta para estimular a economia, facilitar o pagamento de dívidas e evitar o colapso econômico. O risco é exagerar e gerar inflação descontrolada.
6. Se o Bitcoin valoriza tanto, por que não colocar tudo nele? Porque o Bitcoin é um ativo extremamente volátil. Já caiu mais de 80% do seu valor em ciclos anteriores. Investir tudo numa única aposta – por mais promissora que seja – é arriscado demais. A diversificação é sempre recomendada para proteger seu patrimônio.
7. Quanto do meu patrimônio devo investir em Bitcoin? Não há resposta universal. Muitos especialistas sugerem entre 1% e 5% do patrimônio para quem quer exposição ao Bitcoin sem tomar um risco excessivo. Quem tem mais apetite a risco e acredita na tese pode ir além, mas sempre com consciência dos riscos envolvidos.
8. O que é a empresa Strive e quem é Joe Burnett? A Strive é uma gestora de ativos americana fundada com foco em estratégias alternativas, incluindo Bitcoin. Joe Burnett é o vice-presidente de estratégia de Bitcoin da empresa e publicou o relatório que originou essa projeção de US$ 11 milhões até 2036.
9. O que é a ARK Invest e qual é a previsão dela para o Bitcoin? A ARK Invest é uma gestora americana conhecida por apostar em tecnologias disruptivas. Em seu cenário mais otimista, ela projetou que o Bitcoin pode chegar a US$ 1,5 milhão até 2030. No cenário mais conservador, US$ 300 mil. Ambos ainda representariam valorizações enormes em relação ao preço atual.
10. O que é “crédito digital” no contexto do Bitcoin? É o modelo em que empresas com grandes reservas de Bitcoin usam esse ativo como garantia para emitir títulos financeiros, captar mais dinheiro e comprar ainda mais Bitcoin. Isso cria um ciclo de acumulação que pode gerar demanda institucional crescente. A empresa Strategy (ex-MicroStrategy) é o exemplo mais citado desse modelo.
11. O Brasil taxa o lucro com Bitcoin? Como funciona? Sim. No Brasil, o lucro obtido com a venda de Bitcoin e outras criptomoedas é tributado pelo Imposto de Renda. Vendas acima de R$ 35 mil por mês têm isenção, mas acima disso a alíquota vai de 15% a 22,5% dependendo do valor do ganho. A Receita Federal exige a declaração dos ativos na ficha de bens e direitos.
12. Existe algum risco de o Bitcoin ser proibido no Brasil ou no mundo? É um risco que existe, mas que parece cada vez mais improvável nos países democráticos. O Brasil, os EUA, a Europa e vários outros países caminham para regulamentação – não proibição. Alguns países autoritários já tentaram proibir, com sucesso limitado, pois a rede Bitcoin é descentralizada e difícil de bloquear por completo.
13. O Bitcoin pode perder valor para zero? Teoricamente, qualquer ativo pode perder todo seu valor. Mas o Bitcoin perdendo tudo implicaria o abandono total da rede por todos os usuários, mineradores e desenvolvedores ao redor do mundo – algo cada vez mais improvável dado o nível atual de adoção institucional e global. O risco existe, mas diminui à medida que a rede cresce.
14. Por onde começo se quiser investir em Bitcoin no Brasil? O caminho mais simples é abrir conta em uma exchange regulamentada no Brasil, como Mercado Bitcoin, Coinbase Brasil ou Binance. Você pode comprar frações de Bitcoin – não precisa comprar uma unidade inteira. Antes de investir, estude o mercado, entenda os riscos e defina quanto está disposto a arriscar. Consultar um assessor financeiro de confiança também é sempre uma boa pedida.
Fonte: CoinMarketCap







