Tesla e Visa apostam em cripto: o que isso muda para o mercado em 2026?
Se você acompanha o mundo das criptomoedas ou simplesmente gosta de entender para onde o dinheiro grande está indo, essa notícia vai te interessar bastante. Duas das empresas mais conhecidas do planeta – a Tesla, de Elon Musk, e a Visa, a gigante dos cartões – estão fazendo movimentos importantes no universo cripto. E não é exagero dizer que esses passos podem mudar muita coisa no mercado financeiro global, inclusive para quem vive aqui no Brasil.
Mas calma. Vou explicar tudo de forma simples, sem complicar.
Principais Conclusões
Tesla está voltando para o Bitcoin – e agora com mais força

Você provavelmente lembra da história: em fevereiro de 2021, a Tesla anunciou que havia comprado Bitcoin no valor de aproximadamente 1,5 bilhão de dólares. Foi um baita barulho. A notícia sacudiu o mercado, e o preço do Bitcoin disparou. A Tesla virou, da noite para o dia, uma das maiores empresas públicas do mundo a ter Bitcoin no caixa.
Mas aí virou o jogo. Em 2022, com a economia dando sinais ruins no mundo inteiro – juros subindo, inflação nas alturas, mercados em queda – a Tesla vendeu cerca de 75% da sua posição em Bitcoin. Elon Musk explicou que foi uma questão de fluidez financeira, de ter dinheiro disponível para operar a empresa. Não foi uma virada de costas para o cripto, mas deu essa impressão para muita gente.
Agora, em 2025 e adentrando 2026, a Tesla ainda carrega aproximadamente 11.500 bitcoins na carteira. Pelo valor atual do mercado, isso representa algo em torno de 1,1 bilhão de dólares. E os sinais que chegam da empresa indicam que ela pode estar prestes a aumentar essa posição de novo.
Por que agora? Tem uma razão bem concreta para isso.
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A mudança contábil que abriu as portas para empresas investirem em cripto
Aqui entra um detalhe técnico, mas vou simplificar ao máximo. Até pouco tempo atrás, as regras contábeis americanas faziam uma coisa meio esquisita com o Bitcoin: se o valor caísse, a empresa tinha que registrar o prejuízo. Mas se o valor subisse, ela não podia registrar o lucro – a não ser que vendesse as moedas. Era como ter uma regra do jogo onde você só perde pontos, nunca ganha.
Isso desanimava muitos diretores financeiros de grandes empresas. Afinal, quem quer colocar um ativo no balanço que só mostra o lado ruim?
Em 2025, uma entidade chamada FASB – que define as normas contábeis nos Estados Unidos – mudou essa regra. Agora, as empresas podem registrar o Bitcoin pelo valor atual de mercado, tanto quando cai quanto quando sobe. Ou seja, se o Bitcoin valorizar, o lucro aparece no balanço sem precisar vender nada.
Para a Tesla, e para várias outras empresas americanas, essa mudança removeu um obstáculo enorme. O caminho para aumentar a reserva em Bitcoin ficou muito mais limpo do ponto de vista financeiro e corporativo.
A Visa e o dinheiro que “fica parado” entre uma compra e outra
Agora vamos falar da Visa, e esse pedaço da história é talvez ainda mais interessante para entender o futuro dos pagamentos.
Você já reparou que quando você compra algo com cartão de crédito, o dinheiro não cai na conta do lojista na hora? Existe um processo que pode levar de um a três dias úteis. Nesse meio tempo, o dinheiro fica transitando entre bancos, numa espécie de “fila de liquidação”. Em inglês, esse processo chama de settlement.
Pois a Visa resolveu atualizar exatamente isso. A empresa lançou um sistema de liquidação usando stablecoins – especificamente o USDC, que é uma moeda digital sempre equivalente a um dólar americano – para fazer esse dinheiro circular de forma muito mais rápida e eficiente.
Em vez de esperar dias, os bancos parceiros da Visa podem agora enviar e receber esse USDC na blockchain e finalizar os pagamentos quase em tempo real. É como se a fila de espera do banco, que antes demorava dias, agora durasse segundos.
O que é “tokenização do pool de liquidação”? Traduzindo para o português claro
Você vai ver esse termo em inglês nos noticiários: settlement pool tokenization, ou tokenização do pool de liquidação. Parece complicado, mas a ideia é simples.
Imagine que existe um “balde” de dinheiro que fica parado enquanto os pagamentos estão sendo processados. Esse balde pode ter bilhões de dólares circulando por ele todos os dias. A tokenização significa transformar esse dinheiro parado em ativos digitais na blockchain, tornando tudo mais transparente, programável e rápido.
É como transformar uma pilha de cheques físicos num arquivo digital que pode ser processado instantaneamente por qualquer computador do mundo. A diferença de eficiência é enorme.
A Visa já testou esse sistema internacionalmente e processou mais de 225 milhões de dólares em liquidações via cripto em pilotos ao redor do mundo. Agora o sistema foi lançado nos Estados Unidos, onde a empresa processa a maior fatia dos seus mais de 14 trilhões de dólares em pagamentos anuais. Sim, você leu certo: 14 trilhões por ano.

Isso tem a ver com a vida do brasileiro?
Pode parecer que essa conversa está longe da nossa realidade, mas não está. O Brasil é um dos países com maior adoção de criptomoedas no mundo. Temos o Pix, que já nos acostumou com pagamentos instantâneos. E o Banco Central está desenvolvendo o Real Digital, que segue uma lógica parecida com a das stablecoins.
Quando gigantes como Visa mudam a forma como os pagamentos funcionam internacionalmente, isso eventualmente chega aqui. As bandeiras de cartão que você usa no dia a dia – seja para pagar o mercado, a academia ou a assinatura de streaming – todas operam numa infraestrutura que está sendo transformada por essas novidades.
E quando a Tesla aumenta sua reserva em Bitcoin, o mercado cripto inteiro sente. O preço sobe, o interesse aumenta, e as exchanges brasileiras movimentam mais. Quem tem criptomoeda na carteira digital presta atenção nessas notícias por uma razão bastante prática.
O que mudou de 2021 para agora?
Tem gente que lembra o boom das criptos em 2021 e pergunta: “Mas não é a mesma coisa de antes?” Não é, e tem diferenças importantes.
A primeira grande diferença é que agora existem os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos. Aprovados em 2024, esses fundos permitem que qualquer investidor institucional – fundos de pensão, gestoras, bancos – compre exposição ao Bitcoin dentro do sistema financeiro tradicional, sem precisar mexer diretamente com a moeda digital. Isso trouxe um dinheiro muito mais sólido e regulamentado para o mercado.
A segunda diferença é exatamente a mudança contábil que já comentei. Ela não parece grande, mas para os diretores financeiros das empresas, foi uma virada de chave.
A terceira diferença é regulatória. Os Estados Unidos avançaram bastante nas regras para custódia de criptoativos por bancos. O ambiente ficou mais seguro e previsível para quem quer operar nesse mercado do lado institucional. Não dá mais pra dizer que é o “faroeste” de antes.
E a concorrência da Visa? A Mastercard também está nessa
Vale mencionar que a Mastercard, principal concorrente da Visa, também está acelerando no mundo cripto. A empresa adquiriu recentemente a BVNK, uma plataforma de pagamentos que faz a ponte entre o dinheiro tradicional e o cripto. Analistas do banco Mizuho descreveram esse movimento como uma corrida para integrar cripto e dinheiro convencional num só sistema.
Ou seja, as duas maiores redes de cartão do mundo estão apostando que o futuro dos pagamentos passa pela blockchain. Isso não é coincidência – é uma tendência clara.
O que esperar nos próximos meses?
Para a Tesla, o próximo relatório trimestral vai ser o termômetro. As regras novas de contabilidade vão mostrar, com clareza, se a empresa aumentou sua posição em Bitcoin. Qualquer número acima dos 11.500 bitcoins que ela já tem vai ser interpretado como uma confirmação da nova estratégia.
Para a Visa, o que vai importar é a velocidade de expansão do sistema de liquidação por stablecoin. Quantos bancos vão aderir? Qual o volume de transações processadas em USDC? A empresa deve trazer esses números nas próximas apresentações de resultados.
Tem também um fator político-regulatório: existe uma proposta de lei sobre stablecoins tramitando no Congresso americano. Se for aprovada, vai criar um marco legal que facilita ainda mais o sistema que a Visa está construindo. Fica de olho nessa movimentação legislativa – ela pode acelerar ou frear os planos da empresa.

O que isso significa no panorama maior?
Sabe aquela expressão “dinheiro chama dinheiro”? No mundo cripto, ela nunca fez tanto sentido. Quando empresas do tamanho de Tesla e Visa se movem na direção das criptomoedas, elas não estão fazendo uma aposta arriscada de garagem. Estão reconhecendo que a tecnologia blockchain virou uma parte séria da infraestrutura financeira global.
A adoção corporativa de cripto deixou de ser experimento e virou estratégia. Não é mais aquele negócio de empresas fazendo teste para parecer inovadoras. Agora é caixa, é pagamento, é liquidação de transações reais valendo trilhões de dólares.
Para o investidor brasileiro de varejo – aquele que tem um pouquinho de Bitcoin na Binance ou na Mercado Bitcoin – isso é um sinal importante. Não é garantia de nada, claro. O mercado cripto continua volátil e imprevisível. Mas o contexto estrutural ficou mais sólido do que era há três ou quatro anos.
E para quem ainda olha para o cripto com desconfiança, vale a pergunta: se a Visa, que processa os cartões de todo mundo, está usando blockchain para movimentar dinheiro, dá pra chamar isso ainda de coisa de marginal ou especulador?
Um cenário que muda rápido
O ritmo dessas transformações é acelerado. Em questão de meses, novos dados vão mostrar se a Tesla realmente expandiu suas reservas, se a Visa escalou o sistema de stablecoin, e se o Congresso americano vai ou não votar a lei das stablecoins.
O que já é certo é que 2026 está se desenhando como um ano decisivo para a integração do cripto no sistema financeiro tradicional. Não como uma revolução barulhenta, mas como uma mudança estrutural, silenciosa e bastante consistente.
Vale acompanhar de perto – com curiosidade, com atenção, e com um bom dose de senso crítico, como qualquer notícia de mercado merece.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A Tesla vai comprar mais Bitcoin em 2026? Ainda não há confirmação oficial, mas os sinais do mercado e as mudanças nas regras contábeis americanas tornam essa possibilidade muito mais concreta do que em anos anteriores. O próximo relatório trimestral da empresa deve trazer mais clareza.
2. O que é USDC e por que a Visa está usando? O USDC é uma stablecoin – uma moeda digital cujo valor está sempre atrelado ao dólar americano, na proporção de 1 para 1. A Visa escolheu o USDC por ser uma das stablecoins mais regulamentadas e amplamente aceitas do mercado, emitida pela empresa Circle.
3. O que muda para quem usa cartão Visa no dia a dia? Por enquanto, a experiência do consumidor final não muda diretamente. A transformação está acontecendo nos bastidores, entre bancos e a rede Visa. No futuro, a tendência é que os pagamentos fiquem ainda mais rápidos e com menos custos operacionais.
4. O Bitcoin ficou mais seguro como investimento depois dessas notícias? Não necessariamente mais “seguro”, pois o Bitcoin continua volátil. Mas o contexto institucional ficou mais robusto, com mais empresas sérias participando do mercado. Isso pode reduzir oscilações extremas no longo prazo, embora não elimine os riscos.
5. A mudança contábil do FASB afeta empresas brasileiras? Diretamente, não. O FASB é uma entidade americana. No Brasil, as normas contábeis seguem o padrão internacional IFRS, regulado pelo CFC e pelo CVM. Mas mudanças nos EUA costumam influenciar debates regulatórios no mundo inteiro, incluindo o Brasil.
6. O que é a MicroStrategy e por que ela é referência nesse assunto? A MicroStrategy é uma empresa americana de tecnologia que se tornou famosa por adotar o Bitcoin como principal ativo de reserva. Ela tem mais de 200.000 bitcoins em carteira e é considerada o maior caso de uso corporativo de Bitcoin do mundo. É a referência quando se fala em “estratégia de tesouraria em Bitcoin”.
7. Como o Real Digital brasileiro se relaciona com tudo isso? O Real Digital, em desenvolvimento pelo Banco Central do Brasil, é uma moeda digital de banco central (CBDC). Ele tem semelhanças conceituais com stablecoins como o USDC, mas é emitido pelo Estado. A adoção de stablecoins por empresas como a Visa ajuda a consolidar o conceito de dinheiro digital, o que indiretamente favorece a aceitação do Real Digital quando ele for lançado.
8. O Pix pode ser substituído por uma stablecoin no futuro? É improvável uma substituição, mas a convivência é possível. O Pix é uma solução nacional e centralizada, enquanto stablecoins operam em redes descentralizadas. Cada um tem suas vantagens. O mais provável é que coexistam, com integração entre os dois sistemas.
9. Quais são os riscos do sistema de liquidação por stablecoin da Visa? Os principais riscos incluem instabilidade regulatória (uma lei desfavorável pode travar o sistema), riscos tecnológicos (falhas na blockchain), e o risco de desvinculação do dólar (em casos extremos, uma stablecoin pode perder o lastro com o dólar, como já aconteceu com outras no passado).
10. Outros países estão adotando stablecoins para pagamentos institucionais? Sim. Europa, Japão, Singapura e os Emirados Árabes Unidos estão entre os territórios que já têm iniciativas avançadas nessa direção. A Visa não está sozinha nessa tendência – é um movimento global.
11. Como um brasileiro pode investir em empresas como Tesla e Visa expostas ao cripto? É possível investir em BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de empresas americanas através das principais corretoras brasileiras, como XP, Rico ou BTG. Esses instrumentos permitem comprar frações de ações de empresas como Tesla e Visa sem precisar abrir conta nos EUA.
12. O que acontece se o Bitcoin cair muito depois da Tesla aumentar sua posição? Com as novas regras contábeis do FASB, a Tesla precisaria registrar o prejuízo diretamente no balanço. Isso poderia afetar negativamente os resultados trimestrais da empresa. É um risco real que os executivos da Tesla certamente estão pesando antes de qualquer decisão.
13. A Mastercard também vai adotar stablecoins para liquidação? Tudo indica que sim. A aquisição da BVNK pela Mastercard é um movimento claro nessa direção. A competição entre as duas gigantes dos cartões deve acelerar a adoção de tecnologias blockchain nos próximos anos.
14. Isso é uma bolha como a de 2021, ou é diferente desta vez? A situação atual tem diferenças estruturais importantes em relação a 2021: há ETFs regulamentados de Bitcoin, regras contábeis mais favoráveis, maior clareza regulatória e participação de instituições financeiras tradicionais. Isso não significa que não haja riscos ou que uma correção não possa ocorrer – mas a base estrutural é mais sólida do que era na bolha anterior.
Fonte: Coincu







