Bitcoin pode não atingir novo recorde histórico até 2026, alerta trader veterano
Quem acompanha o mercado de criptomoedas sabe que as previsões nunca faltam. Tem analista para todo lado dizendo que o Bitcoin vai subir amanhã, que vai dobrar de valor até o fim do ano, que vai chegar em não sei quantos dólares. Mas quando um trader com mais de 40 anos de experiência nos mercados financeiros resolve falar, vale a pena prestar atenção.
Peter Brandt é esse tipo de figura. Ele não é o influenciador de plantão tentando vender um curso. É um profissional que começou a operar no mercado de commodities lá nos anos 70, quando a maioria das pessoas sequer sabia o que era análise técnica. Nos últimos anos, ele voltou os olhos para o Bitcoin e tem dado previsões que, com certa frequência, acertam no ponto.
E a última análise dele não é exatamente o que os entusiastas do mercado cripto queriam ouvir.
Principais Conclusões
O que Peter Brandt disse sobre o Bitcoin?

Em uma entrevista exclusiva concedida ao portal Cointelegraph, Brandt avaliou que o Bitcoin pode não atingir um novo recorde histórico de preço antes de 2026. Isso significa mais um ano inteiro de espera para os investidores que aguardam o ativo superar o pico anterior e abrir novas máximas.
Pra quem está acostumado a ver previsões dizendo “Bitcoin a 200 mil dólares ainda esse ano”, pode parecer pessimismo. Mas Brandt não está chutando. Ele fundamenta a análise em décadas de estudo de gráficos, padrões históricos e comportamento de mercado. A diferença é que ele usa o método da análise técnica clássica, que foi desenvolvida para mercados tradicionais, como commodities e ações, e que ele aplica ao Bitcoin com bastante consistência.
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O que é análise técnica e por que isso importa?
Pode ser que você nunca tenha ouvido esse termo antes. Sem problema, vou explicar de um jeito simples.
A análise técnica é basicamente o estudo dos gráficos de preço. O analista olha para o passado e tenta identificar padrões que se repetem. É um pouco como quando você percebe que toda vez que chove muito em São Paulo, o trânsito fica um caos. Você não precisa de uma fórmula mirabolante pra saber que a situação vai ser ruim. O padrão já te diz isso.
No mercado financeiro, funciona de forma parecida. Brandt identifica zonas de suporte (preços onde o ativo costuma parar de cair), zonas de resistência (preços onde ele encontra dificuldade de subir), médias móveis, volume de negociação e outros sinais que juntos formam uma leitura do momento do mercado.
E o que esses sinais estão dizendo agora? Basicamente, que o Bitcoin ainda está num processo de consolidação. Sem força suficiente para romper para cima de forma consistente.
Por que os US$ 60 mil são tão importantes?
Brandt destacou a faixa dos 60 mil dólares como um nível crucial para o Bitcoin. E não é coincidência. Esse preço representa uma confluência de fatores técnicos que, na linguagem do mercado, tornam essa região muito importante.
Primeiro, tem a média móvel de 200 semanas. Essa é uma das médias de longo prazo mais respeitadas no mercado. Historicamente, o Bitcoin usou essa linha como suporte várias vezes em momentos de queda. Quando o preço se aproxima dela, é um sinal de que o mercado está testando um piso importante.
Segundo, há os níveis de Fibonacci. Essa é uma ferramenta matemática usada por analistas para identificar possíveis pontos de reversão. Não precisa entender a matemática por trás disso. O que importa saber é que os 60 mil dólares coincidem com um desses níveis, o que reforça a importância da região.
E terceiro, esse preço tem histórico de concentração de negociações. Muita gente comprou e vendeu Bitcoin nessa faixa, o que cria uma memória no mercado. Isso influencia o comportamento dos participantes quando o preço volta para perto dessa região.
Então quando Brandt fala que o Bitcoin pode testar novamente os 60 mil dólares antes de subir, ele está dizendo que o mercado ainda pode ter um momento de fraqueza antes de retomar a tendência de alta.
Como os ciclos anteriores do Bitcoin se comparam com o momento atual?
Uma das partes mais interessantes da análise de Brandt é a comparação com ciclos anteriores do Bitcoin. Olhando para a história do ativo, é possível perceber um padrão que se repete: períodos de alta intensa seguidos de longas fases de consolidação antes do próximo rompimento.
Depois do topo de 2017, por exemplo, o Bitcoin ficou anos se recuperando antes de bater um novo recorde. O mesmo aconteceu após o pico de 2021. Brandt está dizendo que o ciclo atual parece seguir o mesmo script.
Isso não é fatalismo. É reconhecimento de que o mercado tem seus ritmos próprios. Assim como a safra do café tem sua época e o carnaval acontece todo ano no mesmo período, o Bitcoin parece ter seus ciclos que se repetem, mesmo que com variações.
Se esse padrão se mantiver, 2026 seria o horizonte natural para o início de um novo movimento de alta consistente que levaria o ativo a novos recordes.

O que pode mudar esse cenário?
Brandt é honesto ao reconhecer que previsões não são certezas. E existem alguns eventos que poderiam acelerar a chegada de um novo recorde histórico antes do prazo que ele estima.
O principal deles seria uma adoção institucional inesperadamente grande. Se grandes fundos de investimento, empresas ou até governos decidissem comprar Bitcoin em volumes significativos de uma vez só, o preço poderia reagir de forma rápida e surpreendente.
Outro gatilho seria alguma mudança regulatória favorável. Nos últimos anos, os reguladores dos Estados Unidos e da Europa têm dado sinais mistos sobre o mercado cripto. Uma decisão positiva e clara, como a aprovação de novos produtos financeiros ligados ao Bitcoin, poderia injetar confiança no mercado e atrair capital novo.
Tecnicamente falando, um fechamento semanal consistente acima dos 75 mil dólares com volume crescente seria um sinal de que a análise de Brandt precisaria ser revisada. Seria o mercado dizendo: “a resistência foi superada, o cenário mudou”.
Mas por enquanto, nenhum desses fatores está claramente no horizonte.
O que Brandt pensa sobre as outras criptomoedas?
Aqui vem uma informação que pode incomodar quem está investido em altcoins, que é o nome dado às criptomoedas que não são o Bitcoin.
Brandt mantém uma visão neutra a pessimista em relação à maioria delas. O argumento dele é que o mercado de criptomoedas alternativas está saturado. São milhares de projetos competindo por atenção e capital, e a maioria deles tem um histórico ruim quando comparado ao Bitcoin ao longo do tempo.
Esse ponto de vista faz sentido quando você olha para os dados. Em momentos de incerteza no mercado cripto, o capital tende a fluir para o Bitcoin, que é visto como o ativo mais sólido do setor. É um pouco como em momentos de crise econômica no Brasil, quando as pessoas correm para o dólar ou para o ouro. A lógica é parecida.
Brandt vê o Bitcoin como “ouro digital”, uma reserva de valor que tem características únicas. Ele não vê as outras criptomoedas com o mesmo olhar.
Claro que existem projetos relevantes no universo das altcoins. Mas a análise de Brandt foca especificamente no Bitcoin, e sua recomendação implícita é de cautela com o resto do mercado.
O que isso significa para quem está investindo agora?
Se você está pensando em entrar no mercado ou já tem Bitcoin na carteira, a análise de Brandt traz algumas reflexões práticas.
A primeira é sobre o horizonte de tempo. Se você espera que o Bitcoin dobre de valor nos próximos três meses, pode estar com uma expectativa que não bate com o que os fundamentos e a análise técnica estão mostrando. Não impossível, mas arriscado apostar nisso.
A segunda é sobre a estratégia de compra. Brandt menciona a possibilidade de o preço testar novamente os 60 mil dólares. Isso pode assustar quem acabou de comprar acima desse valor. Mas para quem ainda está do lado de fora esperando o momento certo, essa eventual queda pode representar uma oportunidade de entrar num preço mais atrativo.
Uma estratégia que faz bastante sentido nesse contexto é o DCA, sigla em inglês para “Dollar Cost Averaging”, que em português seria algo como “custo médio em dólar”. A ideia é simples: em vez de colocar todo o dinheiro de uma vez, você investe um valor fixo todo mês, independente do preço. Assim, você compra mais quando o preço está baixo e menos quando está alto, e ao longo do tempo tende a ter um custo médio razoável.
Essa estratégia é especialmente útil quando o mercado está num momento de incerteza como o atual. Você não precisa acertar o fundo do poço. Só precisa ser consistente.
Setembro e outubro: meses para ficar de olho
Um detalhe interessante na análise de Brandt é a menção à possibilidade de volatilidade nos meses de setembro e outubro. Historicamente, esses meses têm sido agitados para o Bitcoin. Tanto para o bem quanto para o mal.
Quem acompanha o mercado há algum tempo já sabe que o quarto trimestre do ano, que vai de outubro a dezembro, costuma trazer movimentos grandes. Em alguns anos, foram altas expressivas. Em outros, quedas significativas.
Brandt não está prevendo especificamente qual direção o mercado vai tomar nesse período. Ele está alertando que a volatilidade pode aumentar, e que isso exige atenção redobrada. Pra quem opera com alavancagem ou tem posições mais arriscadas, esse é um aviso importante.
A psicologia do mercado e o momento atual
Outro elemento que Brandt traz para a discussão é a psicologia dos investidores. Os indicadores de sentimento do mercado mostram que no momento atual, não há nem euforia extrema nem pânico generalizado. O humor está neutro, o que geralmente precede períodos prolongados de lateralização, que é quando o preço fica andando de lado sem tendência clara.
Isso é diferente de 2021, quando o otimismo estava nas alturas e todo mundo parecia estar falando em Bitcoin nos churrasco de domingo. E também é diferente do início de 2022, quando a queda foi tão forte que muita gente perdeu a fé no ativo.
O momento atual parece ser de digestão. O mercado está processando o que aconteceu e buscando um novo ponto de equilíbrio antes de decidir para onde vai.

Vale a pena ouvir Peter Brandt?
Essa é uma pergunta justa. Afinal, o mercado está cheio de analistas e ninguém acerta sempre.
O histórico de Brandt, no entanto, é consistente. Ele previu com precisão o fundo do mercado em 2018, quando o Bitcoin chegou perto dos 3 mil dólares e muita gente achava que ia a zero. Ele também foi preciso em algumas leituras durante a alta de 2021.
Isso não significa que ele é infalível. Nenhum analista é. Mas a combinação de décadas de experiência, metodologia rigorosa e um histórico razoável de acertos faz com que a análise dele mereça atenção.
E talvez o mais importante: ele não está tentando te vender nada. Não tem curso, não tem fundo de investimento, não tem token próprio. Ele simplesmente faz análise. E isso, no mercado cripto, já é diferencial.
Conclusão: paciência pode ser a chave
Se tem uma lição central que a análise de Peter Brandt oferece é que o mercado financeiro, e o cripto em especial, exige paciência. As pessoas que ganharam mais com o Bitcoin ao longo dos anos não foram necessariamente as que entraram e saíram na hora certa. Foram as que compraram com convicção, seguraram nas quedas e esperaram os ciclos se completarem.
A previsão de que novos recordes históricos podem vir só em 2026 pode soar desanimadora para quem quer resultados rápidos. Mas para quem entende que esse é um ativo de longo prazo, com ciclos definidos e uma trajetória histórica de valorização, é simplesmente mais um dado para considerar na hora de montar sua estratégia.
O mercado vai continuar sendo volátil. As notícias boas e ruins vão continuar aparecendo. E os analistas vão continuar discordando entre si. O que você pode fazer é se informar, entender os diferentes pontos de vista e tomar decisões baseadas na sua realidade financeira e no seu apetite por risco.
E se alguém com 40 anos de mercado está dizendo pra ter calma, talvez valha ao menos refletir sobre isso antes de tomar qualquer decisão.
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Perguntas Frequentes
1. Quem é Peter Brandt e por que sua opinião sobre Bitcoin é relevante? Peter Brandt é um trader veterano com mais de quatro décadas de experiência nos mercados financeiros, começando pelo mercado de commodities nos anos 70. Ele começou a analisar o Bitcoin em 2013, aplicando métodos clássicos de análise técnica. Seu histórico inclui previsões que se confirmaram em momentos importantes do mercado, como o fundo da queda de 2018, o que dá peso às suas análises.
2. O que significa Bitcoin atingir um novo recorde histórico? Significa que o preço do Bitcoin superaria o valor máximo que ele já alcançou até hoje. Quando isso acontece, diz-se que o ativo atingiu uma nova máxima histórica, ou ATH, sigla do inglês “All-Time High”. Brandt estima que esse evento pode não ocorrer antes de 2026.
3. O que é análise técnica e como ela se aplica ao Bitcoin? Análise técnica é o estudo de gráficos de preço para identificar padrões e tendências. Os analistas usam ferramentas como médias móveis, suportes, resistências e indicadores de volume para tentar prever movimentos futuros. Brandt aplica esses métodos, desenvolvidos para mercados tradicionais, ao comportamento do Bitcoin.
4. Por que o nível de US$ 60 mil é tão significativo para o Bitcoin? Esse preço coincide com múltiplos fatores técnicos importantes: a média móvel de 200 semanas, níveis de Fibonacci e regiões de alto volume histórico de negociações. Essa confluência torna a região um suporte relevante. Uma queda consistente abaixo desse nível seria um sinal de fraqueza significativo.
5. O que é DCA e por que pode ser uma boa estratégia nesse momento? DCA é a sigla em inglês para Dollar Cost Averaging, ou custo médio em dólar. A estratégia consiste em investir um valor fixo periodicamente, independentemente do preço. Isso permite comprar mais quando o preço está baixo e menos quando está alto, resultando num custo médio equilibrado ao longo do tempo. É especialmente útil em períodos de incerteza como o atual.
6. O que poderia fazer o Bitcoin atingir novos recordes antes de 2026? Brandt cita algumas possibilidades: adoção institucional massiva e inesperada, mudanças regulatórias favoráveis em grandes mercados, ou um fechamento semanal consistente acima dos 75 mil dólares com volume crescente. Qualquer um desses fatores poderia alterar o cenário que ele projeta.
7. O que são altcoins e por que Brandt é pessimista em relação a elas? Altcoins são todas as criptomoedas que não são o Bitcoin. Brandt acredita que o mercado está saturado com esses projetos e que a maioria deles tem desempenho inferior ao Bitcoin ao longo do tempo. Em momentos de incerteza, o capital tende a se concentrar no Bitcoin, pressionando as altcoins.
8. Como os ciclos históricos do Bitcoin se relacionam com a previsão de Brandt? O Bitcoin tem apresentado um padrão de altas intensas seguidas de longos períodos de consolidação antes de novos recordes. Após os picos de 2017 e 2021, o ativo ficou meses ou anos lateralizando antes de retomar a tendência de alta. Brandt entende que o ciclo atual segue esse mesmo padrão.
9. O que é volatilidade e por que setembro e outubro são meses de atenção? Volatilidade é a intensidade das variações de preço num determinado período. Historicamente, o quarto trimestre do ano tem sido agitado para o Bitcoin, com movimentos expressivos tanto para cima quanto para baixo. Brandt alerta que setembro e outubro podem trazer oscilações mais acentuadas, exigindo atenção redobrada dos investidores.
10. Como investidores de longo prazo devem interpretar a análise de Brandt? Investidores com horizonte de longo prazo podem encarar uma eventual queda até os 60 mil dólares como uma oportunidade de acumulação. A análise de Brandt não nega o potencial do Bitcoin, apenas sugere que novos recordes históricos podem demorar mais do que muitos esperam. Paciência e disciplina seguem sendo virtudes essenciais.
11. A análise técnica é suficiente para tomar decisões de investimento em Bitcoin? Não. A análise técnica é uma ferramenta importante, mas não deve ser usada de forma isolada. Fatores fundamentais, como adoção, regulação, macroeconomia e inovação tecnológica também influenciam o preço do Bitcoin. Uma visão completa combina diferentes abordagens e sempre considera a situação financeira pessoal de cada investidor.
12. O que acontece com o preço do Bitcoin se as taxas de juros nos EUA mudarem? As taxas de juros afetam o apetite por risco dos investidores globalmente. Quando os juros sobem, ativos de risco como o Bitcoin tendem a perder atratividade, pois aplicações mais seguras passam a oferecer retornos melhores. Quando os juros caem, o movimento inverso costuma acontecer, com mais capital fluindo para ativos de risco.
13. Existe algum risco em basear decisões de investimento nas previsões de Brandt? Sim. Nenhuma previsão de mercado é garantia. Mesmo analistas experientes erram. A análise de Brandt é uma perspectiva fundamentada, não uma certeza. Qualquer decisão de investimento deve ser tomada com base em múltiplas fontes de informação, no seu perfil de risco e, de preferência, com orientação de um profissional financeiro.
14. O Bitcoin ainda vale a pena como investimento de longo prazo, segundo essa análise? Brandt não descarta o potencial de longo prazo do Bitcoin. Pelo contrário, ele o vê como uma forma de ouro digital com características únicas de reserva de valor. O que ele está dizendo é que o caminho até novos recordes pode ser mais longo do que muitos imaginam. Para investidores com paciência e horizonte de longo prazo, isso não necessariamente muda a tese de investimento.
Fonte: Bitcoin World







