Ibovespa Cai pelo Quarto Dia Seguido e Construtoras Lideram as Perdas com Medo do FGTS
O que aconteceu com a bolsa hoje?
Se você acompanha o mercado financeiro, já sabe que essa semana não está sendo fácil para quem tem ações. O Ibovespa – que é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3 – fechou mais uma vez no vermelho nesta quarta-feira. E olha, não foi qualquer queda isolada. Foi o quarto pregão seguido de baixa. Isso significa que, por quatro dias consecutivos, a bolsa fechou abaixo do dia anterior.
O índice recuou 0,61%, encerrando o dia em 189.578 pontos. Na melhor parte do dia, chegou a marcar 191.339 pontos, mas foi perdendo força ao longo das horas e terminou na mínima. O volume de negociações também chamou atenção: foram R$ 20,64 bilhões movimentados, bem abaixo da média mensal de R$ 39,5 bilhões. Isso mostra que o mercado está com menos gente comprando e vendendo do que o normal. Uma espécie de silêncio cauteloso.
Mas o que está por trás de tudo isso? Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, tanto aqui dentro quanto lá fora. Vamos destrinchar cada ponto com calma.
Principais Conclusões
As construtoras levaram o tombo mais feio

Quem acompanha o mercado imobiliário ficou de cabelo em pé hoje. As ações das construtoras despencaram, e a culpa tem um nome: FGTS.
O governo está desenhando um programa para ajudar quem está afogado em dívidas. Uma das ideias em discussão é permitir que os trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas. Pode parecer uma boa notícia para quem está devendo, e até é, mas para o setor imobiliário é uma bomba.
Por quê? Porque o FGTS é uma das principais fontes de dinheiro que financia a compra de imóveis no Brasil. É com esse recurso que muita gente consegue dar entrada num apartamento ou financiar a casa própria pelo programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo. Se parte desse dinheiro for usado para pagar cartão de crédito ou empréstimo pessoal, sobra menos para financiar imóveis. E com menos crédito disponível, as construtoras vendem menos. Simples assim.
A Cury, que é uma das construtoras mais conhecidas da B3, teve uma queda absurda de 7,76% em um único dia. O índice imobiliário da bolsa, que reúne construtoras e empresas de shopping center, caiu 3,61%. É uma perda expressiva para um único pregão.
Pensa bem: imagina que você tem uma loja e alguém decide que as pessoas podem usar o cheque-presente que comprariam na sua loja para pagar outras contas. Suas vendas caem na hora. É mais ou menos isso que o mercado está temendo.
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E o programa de renegociação de dívidas, o que é isso?
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com os presidentes dos maiores bancos privados do país e deu mais detalhes sobre esse programa que está sendo preparado pelo governo. Segundo ele, a proposta prevê descontos de até 90% sobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia.
Noventa por cento de desconto. Isso é muito. Uma dívida de R$ 10 mil poderia ser quitada por R$ 1 mil. Para o consumidor endividado, parece ótimo. Para os bancos, é um desafio. E para as construtoras, como vimos, é um problema porque mexe com o FGTS.
O setor bancário também ficou de olho nessa novidade. O Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do país, caiu 0,86% no dia. Afinal, qualquer mudança nas regras de crédito impacta diretamente os bancos.
O dinheiro estrangeiro está saindo da bolsa
Tem outro fator importante que está pesando nas últimas semanas: os investidores estrangeiros estão diminuindo a entrada de dinheiro no Brasil.
Em meados de abril, o saldo de capital estrangeiro no mês estava positivo em R$ 14,6 bilhões. Ou seja, os gringos estavam comprando bastante ações brasileiras. Tanto que o Ibovespa chegou perto de bater os 200 mil pontos pela primeira vez na história, um marco que todo mundo estava torcendo para ver.
Mas aí o cenário mudou. Até o dia 23, o saldo ainda estava positivo em R$ 10,1 bilhões, mas já houve uma saída considerável. E nos últimos pregões, esse fluxo continua se reduzindo.
Por que os estrangeiros estão menos animados? A equipe da XP Investimentos aponta dois motivos principais. Primeiro, a economia americana está mostrando sinais mais fortes, o que faz com que muitos investidores prefiram colocar dinheiro nos Estados Unidos em vez de em países emergentes como o Brasil. Segundo, as tensões no Oriente Médio, que antes assustavam muito, deram uma aliviada, e esse alívio fez as bolsas lá fora subirem. Quando a bolsa americana sobe, fica menos atrativo colocar dinheiro numa bolsa mais arriscada como a nossa.
O petróleo subiu e isso complica a vida do Brasil
Por falar em Oriente Médio, o petróleo voltou a subir hoje. O barril do tipo Brent – que é a referência internacional – fechou em alta de 2,75%, chegando a US$ 108,23. O motivo é a estagnação nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado. Esse estreito é uma passagem estratégica por onde passa grande parte do petróleo do mundo.
Para as ações da Petrobras, isso é bom. PETR4 subiu 0,45% e PETR3 avançou 0,34%. A PRIO, outra empresa do setor de petróleo, ganhou 2,75%. Quando o preço do barril sobe, as petroleiras faturam mais.
Mas para o Brasil como um todo, o petróleo caro é uma faca de dois gumes. Por um lado, favorece as empresas do setor. Por outro, pressiona a inflação. E com a inflação subindo, o Banco Central fica mais pressionado a manter os juros altos ou até aumentá-los.

A Selic e os juros nos Estados Unidos
Falando em juros, esta semana é movimentada para as decisões de política monetária. O Banco Central do Brasil deve anunciar ainda esta semana o resultado da reunião do Copom – que é o comitê que decide a taxa básica de juros, a famosa Selic.
Hoje, a Selic está em 14,75% ao ano. A expectativa do mercado, de acordo com a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira, é de um corte de 0,25 ponto percentual. Ou seja, ela cairia para 14,50%. Mas não houve mudança nessa expectativa, o que significa que os analistas seguem apostando num corte pequeno, mesmo com as incertezas de inflação.
E por que a inflação preocupa? Porque a mesma pesquisa Focus mostrou que as previsões de inflação para 2026 pioraram de novo. Com o petróleo caro lá fora e o dólar ainda pressionado, manter os preços sob controle aqui dentro não é tarefa fácil.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve – que é o banco central americano, o equivalente ao nosso Banco Central – também se reúne no dia 29 para decidir sobre as taxas de juros americanas. A expectativa é de que os juros fiquem entre 3,50% e 3,75% ao ano, sem mudança. Mas os preços de energia por lá também preocupam.
Quem se saiu mal e quem se saiu bem hoje?
O mercado é assim: mesmo em dias ruins, sempre tem quem sobe e quem desce. Vamos ver os principais destaques do pregão.
As maiores quedas
A Hapvida, que é uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil, caiu 6,67%. Mas aqui tem um contexto importante: antes dessa queda, a ação tinha subido mais de 15% em quatro dias seguidos. Ou seja, era esperado que alguém “realizasse lucro” – expressão que o mercado usa quando os investidores vendem ações que subiram muito para embolsar o ganho.
A Motiva perdeu 2,43%. No radar dos investidores, a notícia de que o Grupo Mover quer vender a fatia que tem na empresa, o equivalente a quase 15% do capital. Quando um grande acionista quer sair, isso normalmente gera preocupação no mercado.
O GPA – dono do Pão de Açúcar – caiu 2,5%. E o Grupo Mateus, varejista forte no Norte e Nordeste do Brasil, recuou 6,19%.
Os destaques positivos
A Usiminas foi a grande surpresa positiva do dia, subindo 6,96%. A siderúrgica divulgou um resultado forte no primeiro trimestre e os analistas do banco UBS BB aumentaram o preço-alvo das ações de R$ 9 para R$ 10. Quando analistas reconhecidos melhoram a recomendação de uma ação, é sinal de que confiam no negócio.
O Assaí, rede de atacarejo que concorre com o Atacadão do Carrefour, subiu 1,7%. O mercado estava animado com a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que saiu após o fechamento. Os analistas do JPMorgan, um dos maiores bancos do mundo, melhoraram a recomendação das ações e elevaram o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 11. São bons sinais.
E o Nubank também foi destaque positivo. As ações do banco digital subiram 0,9% após o anúncio de que a empresa vai investir R$ 45 bilhões no Brasil ao longo de 2026. O dinheiro vai para quatro áreas: inteligência artificial aplicada ao crédito, lançamento de novos produtos, contratação de mais funcionários e fortalecimento financeiro. É um investimento enorme que mostra a confiança do Nubank no mercado brasileiro.
O que tudo isso significa para o brasileiro comum?
Você pode estar se perguntando: tá, mas isso me afeta de alguma forma? A resposta é sim, mesmo que você não tenha ações na bolsa.
Quando a bolsa cai, as empresas ficam mais cautelosas em investir, contratar e expandir. Isso afeta o emprego. Quando os juros sobem ou permanecem altos, o crédito fica mais caro. Financiar um carro, um imóvel ou até parcelar uma compra fica mais pesado no bolso.
E o programa de renegociação de dívidas que o governo está desenhando pode ser uma boa oportunidade para quem está afogado em dívidas de cartão ou cheque especial. Vale ficar de olho nos detalhes quando o programa for oficialmente anunciado.

O que esperar nos próximos dias?
A semana ainda tem muita coisa relevante pela frente. A decisão do Copom sobre a Selic deve sair em breve. A decisão do Fed americano vem no dia 29. A Gerdau também vai divulgar seu resultado trimestral. E o mercado vai continuar monitorando o fluxo de capital estrangeiro, que tem dado sinais de desaceleração.
O Ibovespa está numa fase de ajuste depois de se aproximar dos 200 mil pontos. É natural que, após uma alta forte, o mercado respire e recue um pouco. O importante é acompanhar os fundamentos das empresas e não tomar decisões precipitadas com base em oscilações de curto prazo.
Afinal, como todo mundo que acompanha o mercado sabe, bolsa é maratona, não corrida de 100 metros. Tem dia ruim, tem dia bom. O segredo está em entender o que está por trás dos números.
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14 Perguntas Frequentes
1. O que é o Ibovespa? O Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3. Ele reúne as ações das empresas mais negociadas do país e serve como um termômetro do mercado financeiro. Quando o Ibovespa sobe, de forma geral, significa que as empresas estão sendo bem avaliadas pelos investidores. Quando cai, indica pessimismo ou incerteza.
2. Por que o Ibovespa caiu quatro dias seguidos? A queda consecutiva reflete uma combinação de fatores: saída de capital estrangeiro, preocupações com a inflação, tensões no Oriente Médio que elevaram o preço do petróleo, e o debate sobre o uso do FGTS para quitar dívidas, que prejudicou especialmente as construtoras.
3. O que é o FGTS e por que ele importa para as construtoras? O FGTS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, é um fundo criado pelo governo para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa. Mas ele também é uma das principais fontes de crédito para financiamento imobiliário no Brasil. Muitas pessoas usam o saldo do FGTS para dar entrada ou amortizar financiamentos de imóveis. Se esse dinheiro for desviado para pagar outras dívidas, as construtoras perdem uma fatia importante do seu mercado.
4. O que significa “realizar lucro” no mercado financeiro? Quando uma ação sobe muito em pouco tempo, muitos investidores aproveitam para vender e embolsar o ganho. Esse movimento é chamado de “realização de lucro”. Foi o que aconteceu com as ações da Hapvida, que tinham subido mais de 15% em quatro dias antes de cair 6,67%.
5. O programa de renegociação de dívidas do governo já está em vigor? Não. O programa ainda está sendo elaborado. O governo divulgou algumas diretrizes, como a possibilidade de descontos de até 90% sobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia. Mas os detalhes finais e a data de lançamento ainda não foram confirmados oficialmente.
6. Quem pode participar do programa de renegociação de dívidas? Os detalhes ainda estão sendo definidos, mas o foco inicial do programa são pessoas endividadas em modalidades de crédito mais caras, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimos pessoais sem garantia. Fique de olho nos canais oficiais do governo para informações atualizadas.
7. O que é a Selic e por que ela importa para mim? A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia diretamente o custo de empréstimos, financiamentos e até a rentabilidade de investimentos como a poupança e o Tesouro Direto. Quando a Selic cai, o crédito fica mais barato. Quando sobe, fica mais caro. Hoje ela está em 14,75% ao ano, um dos níveis mais altos dos últimos anos.
8. O que é o Copom? O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. É ele quem se reúne periodicamente para decidir se a Selic vai subir, cair ou ficar igual. As decisões do Copom são acompanhadas de perto por investidores, empresas e consumidores, porque afetam toda a economia.
9. Por que os investidores estrangeiros estão saindo da bolsa brasileira? A principal razão é que os Estados Unidos estão apresentando dados econômicos mais fortes, o que torna mais atraente investir por lá. Além disso, o alívio nas tensões do Oriente Médio fez as bolsas americanas subirem, reduzindo o apetite por ativos de risco em países emergentes como o Brasil.
10. O preço do petróleo afeta o meu dia a dia? Sim, diretamente. O petróleo é matéria-prima para combustíveis, como gasolina e diesel. Quando o preço do barril sobe lá fora, a tendência é de alta nos combustíveis aqui dentro. Isso pressiona a inflação e encarece o transporte, o que impacta o preço de praticamente tudo que você consome.
11. O que é o Federal Reserve? O Federal Reserve, conhecido como Fed, é o banco central dos Estados Unidos. Assim como o Banco Central do Brasil define a Selic, o Fed define a taxa de juros americana. As decisões do Fed afetam os mercados do mundo inteiro, inclusive o Brasil, porque influenciam o fluxo de dinheiro entre os países.
12. Por que a Usiminas subiu enquanto o mercado caía? A Usiminas divulgou um resultado positivo no primeiro trimestre e seus executivos fizeram declarações otimistas sobre o futuro da empresa. Além disso, analistas de bancos renomados melhoraram a recomendação das ações. Esses fatores específicos da empresa foram mais fortes do que a tendência negativa do mercado geral.
13. O investimento do Nubank de R$ 45 bilhões no Brasil é confiável? O anúncio foi feito oficialmente pelo banco digital, que é um dos maiores do mundo em número de clientes. O investimento previsto para 2026 inclui tecnologia de inteligência artificial, novos produtos, contratações e fortalecimento financeiro. Isso mostra confiança da empresa no mercado brasileiro, o que é um sinal positivo para a economia.
14. Como posso acompanhar o desempenho do Ibovespa no dia a dia? Você pode acompanhar pelo site da B3, pelos principais portais de notícias financeiras como InfoMoney, Valor Econômico e G1 Economia, ou pelos aplicativos de corretoras de investimento. Muitos deles mostram o desempenho em tempo real e explicam os principais movimentos do mercado de forma acessível, mesmo para quem está começando.
Fonte: InfoMoney







