Bitcoin pode estar entrando em um novo “inverno cripto”? Entenda os sinais que preocupam investidores
Quem acompanha o mercado de criptomoedas sabe que o Bitcoin costuma passar por ciclos bem definidos. Tem a fase de alta, quando todo mundo quer comprar e o preço dispara. E tem o inverno, aquele período em que tudo esfria, o ânimo cai e muita gente desiste.
Pois é, segundo um relatório recente da CryptoQuant (uma das principais empresas de análise de dados cripto do mundo), o Bitcoin pode estar caminhando para um novo inverno. E olha, não é porque o preço despencou de uma hora pra outra. Na verdade, o preço ainda está relativamente alto se a gente comparar com outros momentos de crise.
Mas então, qual é o problema?
Principais Conclusões
O perigo não está no preço de hoje, mas no que está acontecendo por baixo dos panos

A questão central é essa: o mercado pode estar mudando estruturalmente antes mesmo de o preço mostrar isso de forma clara. É tipo quando você percebe que um relacionamento está esfriando, mas ainda não aconteceu a conversa difícil. Os sinais estão todos lá.
O que os analistas estão vendo é uma mudança nos fluxos de capital, no comportamento dos investidores e no sentimento geral do mercado. Tudo isso pode significar que estamos nas primeiras etapas de uma fase mais complicada.
E isso vai contra o que a maioria das pessoas está pensando. Muita gente acredita que essa queda recente no preço é só uma correção normal, daquelas que acontecem mesmo durante um mercado em alta. Mas será?
Para iniciantes curiosos: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim
Por que ninguém quer acreditar em outro inverno cripto?
Olha, é compreensível. A última vez que o mercado passou por um inverno de verdade foi em 2022, e ainda tá fresco na memória. Foi um período difícil, com empresas quebrando, pessoas perdendo dinheiro e muita incerteza.
Além disso, o Bitcoin hoje está num patamar de preço bem mais alto do que estava naquela época. E o mercado evoluiu bastante. Hoje temos ETFs de Bitcoin aprovados nos Estados Unidos, mais empresas grandes investindo, uma infraestrutura muito melhor. Então faz sentido pensar que as coisas são diferentes agora.
Só que tem um detalhe importante aqui.
Os invernos do Bitcoin não são definidos apenas pelo preço absoluto. Sabe quando falam “não é só o quanto você ganha, é o quanto você guarda”? Aqui é parecido. O que define um inverno cripto é a mudança no sentimento do mercado, no comportamento do dinheiro entrando e saindo, e no ritmo interno das coisas.
E historicamente, essas mudanças costumam começar antes de o preço mostrar a real situação.
O que os gráficos estão mostrando?
O relatório traz um gráfico interessante que combina o preço do Bitcoin com o Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index, se você já viu por aí). Esse índice basicamente mede o clima emocional do mercado cripto.
E aí eles identificaram duas fases do último inverno cripto:
Inverno amplo (novembro de 2021 até novembro de 2022): Foi aquela queda longa e gradual desde o topo histórico. O mercado inteiro mudou de direção.
Núcleo do inverno (maio de 2022 até novembro de 2022): Essa foi a parte mais pesada. Foi quando a Terra (LUNA) colapsou, a empresa Three Arrows Capital quebrou, a FTX implodiu… um efeito dominó que ninguém esquece.
Agora vem o dado preocupante: o Índice de Medo e Ganância está marcando 14. Isso coloca o mercado em “Medo Extremo”.
E olha que curioso: o Bitcoin está sendo negociado num preço bem mais alto do que nos invernos anteriores. Mas o sentimento? Esse tá lá embaixo.
Isso é exatamente o padrão histórico. O medo e a desconfiança aparecem primeiro. O preço demora mais pra refletir isso.
O dinheiro está entrando, mas não está fazendo o preço subir
Aqui é onde a coisa fica realmente interessante.
Em 2024, cerca de 10 bilhões de dólares entraram no mercado de Bitcoin. E isso foi acompanhado por um aumento na capitalização de mercado. Ou seja, o dinheiro entrou e o valor total do mercado cresceu. Tudo certo.
Mas em 2025? Mais de 300 bilhões de dólares entraram… e a capitalização de mercado caiu.
Deixa eu repetir porque isso é importante: entrou muito mais dinheiro, mas o valor de mercado diminuiu.
O que isso significa? Que tem gente vendendo pesado. Todo esse dinheiro novo que está chegando está sendo absorvido por quem quer sair. É como se você enchesse um balde furado: por mais que coloque água, ele não enche.
Isso mostra que a demanda nova está sendo usada pra alimentar a distribuição (ou seja, a venda) em vez de fazer o preço crescer de forma sustentada.
Menos gente lucrando, mesmo com o preço alto
Outro ponto que chamou atenção no relatório: os lucros realizados na blockchain estão caindo.
Isso pode parecer estranho à primeira vista. Como assim, menos lucro se o preço ainda está alto?
Bem, o que acontece é que cada vez menos participantes estão conseguindo realizar ganhos significativos comparado a outras fases do ciclo. É tipo quando uma festa tá esvaziando: ainda tem gente lá, a música ainda tá tocando, mas você percebe que o clima não é mais o mesmo.
Historicamente, quando isso acontece, costuma coincidir com o fim das fases de expansão do mercado. É um sinal de que o impulso interno está enfraquecendo.

Estrutura frágil escondida atrás de um preço aparentemente bom
Juntando todas essas peças do quebra-cabeça, o que vemos é um mercado que está estruturalmente mais fraco do que o preço sugere.
O cenário base que o relatório apresenta não é de um colapso imediato. Não é aquela queda brutal de um dia pro outro. É algo mais gradual, uma fase de reconhecimento onde as dinâmicas de inverno vão aparecendo aos poucos, enquanto os preços ainda parecem estar num nível confortável.
É meio enganoso, sabe? Porque você olha o preço e pensa “tá tudo bem”. Mas por dentro, a estrutura tá se desmontando devagar.
Mas nem tudo está perdido
Agora, é importante dizer: essa análise poderia mudar se algumas coisas acontecessem.
Por exemplo, se os ETFs de Bitcoin voltarem a receber entradas significativas de capital de forma estável. Ou se a distribuição (venda) na rede claramente diminuir. Isso restauraria o equilíbrio entre oferta e demanda.
O mercado cripto é dinâmico. As coisas podem mudar rápido. Tanto pra pior quanto pra melhor.
O que isso significa pra quem tem Bitcoin?
Se você investe em criptomoedas, especialmente em Bitcoin, esse tipo de análise é importante pra entender o contexto maior.
Não é pra entrar em pânico. Mas também não dá pra ignorar os sinais.
A grande lição histórica é que os invernos cripto são definidos mais pelo que acontece internamente no mercado do que pelo preço que você vê na tela. O comportamento do capital, o sentimento dos investidores, os fluxos de entrada e saída… tudo isso importa.
Infraestrutura melhor pode atrasar, mas não impedir
Uma coisa que pode estar atrasando o reconhecimento total dessa possível fase de inverno é justamente a infraestrutura melhorada do mercado.
Hoje temos fundos de investimento regulados comprando Bitcoin. Temos empresas de tecnologia colocando Bitcoin no balanço. Temos países discutindo regulamentação séria.
Isso tudo cria uma base de sustentação que não existia antes. É como se o mercado tivesse amortecedores melhores agora.
Mas mesmo com amortecedores, se o carro tá indo numa direção perigosa, ele ainda pode bater.
A importância de olhar além do preço
Uma das coisas mais valiosas desse relatório é lembrar a gente de olhar além do óbvio.
É fácil se guiar só pelo preço. Bitcoin subiu? Ótimo, vamos comprar mais. Bitcoin caiu? Vamos vender antes que piore.
Mas os investidores mais experientes sabem que os verdadeiros sinais estão nas camadas mais profundas. No comportamento on-chain (ou seja, no que acontece diretamente na blockchain). Nos fluxos de capital institucional. No sentimento coletivo do mercado.
E todos esses indicadores estão acendendo luzes amarelas.
O que esperar daqui pra frente?
Ninguém tem bola de cristal. O mercado de criptomoedas já nos ensinou isso várias vezes.
Mas baseado nos padrões históricos e nos dados atuais, parece prudente se preparar para um período potencialmente mais desafiador.
Isso não significa necessariamente que vai acontecer um crash brutal amanhã. Pode ser uma fase mais lenta, mais arrastada, onde o entusiasmo vai diminuindo gradualmente e os preços vão se ajustando aos poucos.
Ou pode ser que novos catalisadores apareçam e mudem completamente esse cenário.
Bitcoin é ciclo
Uma coisa que todo veterano do mercado cripto sabe: Bitcoin é cíclico por natureza.
Sempre teve altas explosivas seguidas de correções dolorosas. Sempre teve períodos de euforia e períodos de desespero. E provavelmente vai continuar assim por um bom tempo.
A questão é se posicionar adequadamente em cada fase. Não deixar a ganância dominar nas altas nem o medo paralisar nas baixas.
Lições práticas pra aplicar agora
Se você está no mercado cripto, algumas coisas práticas que pode fazer:
Revise sua estratégia. Você tá investindo dinheiro que pode perder? Ou tá apostando a reserva de emergência?
Diversifique. Não coloque todos os ovos na mesma cesta, mesmo que essa cesta seja Bitcoin.
Estude. Entenda os ciclos, estude os indicadores, acompanhe análises de fontes confiáveis.
Prepare-se emocionalmente. Se vier um inverno de verdade, vai ser difícil. Mas quem se prepara mentalmente sofre menos.

A diferença entre saber e agir
Muita gente vai ler esse tipo de análise e continuar fazendo exatamente o que estava fazendo. É da natureza humana ignorar sinais de perigo quando as coisas ainda parecem confortáveis.
Mas os investidores que se dão bem no longo prazo são justamente os que conseguem agir baseado em dados, não em emoções.
Se os dados estão mostrando sinais de alerta, mesmo que o preço ainda esteja alto, talvez seja hora de ser um pouco mais cauteloso.
O mercado sempre dá sinais
Olhando pra trás, depois que as coisas acontecem, os sinais sempre parecem óbvios. “Claro que ia cair, era tão evidente!”
Mas na hora, quando você tá no meio do furacão, não é tão simples assim.
O relatório da CryptoQuant está fazendo exatamente o trabalho importante de apontar esses sinais em tempo real. Cabe a cada investidor decidir como vai usar essa informação.
Conclusão: prepare-se, mas não entre em pânico
Então, recapitulando: o Bitcoin pode estar nas fases iniciais de um novo período de inverno, mesmo com o preço ainda relativamente alto.
Os principais sinais são: sentimento de mercado em medo extremo, fluxos de capital sendo absorvidos por vendas em vez de impulsionar crescimento, e lucros realizados on-chain em queda.
Isso não significa que vai acontecer uma catástrofe amanhã. Mas sugere cautela e preparação.
O mercado cripto já passou por vários invernos e sempre se recuperou depois. A questão é como você vai atravessar esse período se ele realmente vier.
Mantenha a calma, faça sua lição de casa, e lembre-se: no longo prazo, o Bitcoin sempre recompensou quem teve paciência e estratégia.
Só não confunda paciência com teimosia. Se os dados estão mudando, sua estratégia também pode precisar mudar.
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Perguntas Frequentes sobre o possível inverno do Bitcoin
1. O que significa “inverno cripto” exatamente?
Inverno cripto é um período prolongado de queda ou estagnação no mercado de criptomoedas, marcado por sentimento negativo, saída de capital e baixo volume de negociação. Não é definido apenas pelo preço baixo, mas pelo clima geral de desânimo e falta de momentum.
2. Como saber se estamos realmente entrando em um inverno cripto?
Os principais indicadores são: Índice de Medo e Ganância em níveis extremos, fluxos de capital ineficientes (muito dinheiro entrando mas preço não sobe), lucros realizados on-chain em queda, e mudança no comportamento dos investidores de longo prazo.
3. Quanto tempo dura um inverno cripto normalmente?
Historicamente, invernos cripto duraram entre 6 meses e mais de um ano. O último grande inverno foi de novembro de 2021 a novembro de 2022, com o núcleo mais severo entre maio e novembro de 2022.
4. Devo vender todos os meus Bitcoins agora?
Essa é uma decisão pessoal que depende da sua estratégia de investimento, tolerância ao risco e necessidades financeiras. O importante é não tomar decisões baseadas apenas no medo ou na ganância. Analise sua situação individual.
5. O preço do Bitcoin pode cair muito mesmo com a infraestrutura melhor de hoje?
Sim, pode. Embora ETFs e participação institucional criem uma base de sustentação maior, o Bitcoin continua sendo um ativo volátil e cíclico. A infraestrutura pode amortecer quedas, mas não as elimina completamente.
6. O que é o Índice de Medo e Ganância?
É um indicador que mede o sentimento geral do mercado cripto numa escala de 0 a 100. Valores abaixo de 25 indicam “medo extremo”, enquanto valores acima de 75 indicam “ganância extrema”. Atualmente está em 14.
7. Por que mais de 300 bilhões entraram em 2025 mas o preço caiu?
Porque há muita pressão de venda absorvendo esse capital novo. É como se para cada comprador novo houvesse vários vendedores antigos querendo sair. O dinheiro entra, mas não consegue fazer o preço subir de forma sustentada.
8. O que são “lucros realizados on-chain”?
São os lucros efetivamente concretizados quando pessoas vendem seus Bitcoins por um preço maior do que compraram. É um indicador de quantas pessoas estão conseguindo ganhar dinheiro e sacar seus lucros na prática.
9. Vale a pena comprar Bitcoin durante um inverno cripto?
Historicamente, comprar durante invernos cripto foi uma boa estratégia para quem conseguiu segurar no longo prazo. Mas requer estômago forte para aguentar a volatilidade e paciência para esperar a recuperação.
10. Como os ETFs de Bitcoin influenciam o mercado?
ETFs trazem capital institucional e de investidores tradicionais para o Bitcoin de forma regulada. Quando há entradas consistentes nos ETFs, isso geralmente sustenta o preço. Quando as entradas diminuem ou se transformam em saídas, o suporte enfraquece.
11. O Bitcoin pode ir a zero durante um inverno?
Extremamente improvável. Mesmo nos piores invernos, o Bitcoin manteve valor significativo devido à sua rede descentralizada, adoção global e utilidade como reserva de valor digital. Mas quedas de 50-80% já aconteceram antes.
12. Quanto dinheiro devo ter investido em Bitcoin?
A regra geral é investir apenas o que você pode perder sem comprometer sua estabilidade financeira. Muitos especialistas recomendam que criptomoedas representem entre 5-10% de um portfólio diversificado, mas isso varia conforme o perfil de cada investidor.
13. Existe alguma forma de se proteger completamente das quedas?
Não existe proteção completa mantendo o potencial de ganhos. As opções incluem: reduzir exposição vendendo parte da posição, diversificar em outros ativos, usar stop-loss (com risco de ser acionado em volatilidade temporária), ou simplesmente aceitar a volatilidade como parte do investimento.
14. Quando o próximo ciclo de alta pode começar?
Ninguém pode prever com certeza. Historicamente, ciclos de Bitcoin têm relação com o halving (redução da recompensa de mineração pela metade, que ocorre a cada 4 anos). Mas muitos fatores influenciam, incluindo economia global, regulação, adoção institucional e desenvolvimentos tecnológicos. O importante é focar em indicadores estruturais, não em tentar adivinhar o timing perfeito.
Fonte: ETHNews







