BlackRock e Coinbase vão dividir

BlackRock e Coinbase vão dividir 18% dos lucros do novo ETF de Ethereum – e isso muda muita coisa

Você já ouviu falar em ETF de Ethereum com staking? Se não, calma. A gente vai explicar tudo direitinho, sem precisar ser nenhum especialista em tecnologia ou finanças. E olha, essa notícia é bem relevante – até pra quem ainda está engatinhando no mundo das criptomoedas.

A BlackRock, que é a maior gestora de ativos do mundo (pensa numa empresa que cuida de trilhões de dólares em investimentos), acaba de apresentar um produto financeiro bem diferente de tudo que já foi feito antes. E ela fez isso em parceria com a Coinbase, uma das maiores corretoras de criptomoedas do planeta.

O produto em questão é um ETF de Ethereum com staking. E parte dos lucros gerados por esse fundo vai ser dividida entre as duas empresas. A fatia delas? 18%. O restante, 82%, vai direto para os investidores. Mas o que isso significa na prática? Vamos por partes.

Primeiro, o que é um ETF afinal?

BlackRock e Coinbase vão dividir 18% dos lucros do novo ETF de Ethereum - e isso muda muita coisa
BlackRock e Coinbase vão dividir 18% dos lucros do novo ETF de Ethereum – e isso muda muita coisa

Imagina que você quer investir em ações da Petrobras, mas não quer comprar ação por ação. Aí você descobre que existe um “pacotão” que já reúne um monte de ativos, e você compra uma cota desse pacotão. Isso é um ETF – um fundo negociado em bolsa.

No Brasil, a gente já conhece isso com fundos de índice como o BOVA11, que replica o Ibovespa. Funciona de forma parecida. Você investe num produto só, mas está exposto a vários ativos de uma vez.

Agora aplica essa lógica ao Ethereum. Em vez de você precisar criar uma carteira digital, guardar suas chaves privadas, se preocupar com segurança e ainda entender como funciona o staking… você simplesmente compra cotas de um ETF. Mais simples, mais acessível e dentro do sistema financeiro tradicional.

Para quem quer investir com pouco: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim

E o que é staking? Explica aí de um jeito humano

Sabe quando você deixa dinheiro na poupança e recebe um rendimento mensal? O staking é algo parecido, mas no mundo das criptomoedas.

No caso do Ethereum, a rede usa um sistema chamado “prova de participação” (ou proof-of-stake). Isso significa que, em vez de gastar energia elétrica para validar transações (como o Bitcoin faz), o Ethereum usa as moedas dos próprios usuários como garantia. Quem “trava” suas moedas pra ajudar a manter a rede funciona como uma espécie de validador – e recebe recompensas por isso.

É como se você emprestasse sua força pro sistema e, em troca, ganhasse um rendimento. Hoje, esse rendimento gira em torno de 3% a 4% ao ano. Não é absurdo, mas é constante e previsível.

O problema é que, para fazer staking individual no Ethereum, você precisa de pelo menos 32 ETH. Convertendo isso em reais pelo câmbio atual, estamos falando de uma grana considerável. Sem contar que o processo é técnico e exige conhecimento. Para a maioria das pessoas – e até para grandes fundos – isso é uma barreira enorme.

É aí que entra o ETF da BlackRock.

Como funciona o ETF de Ethereum da BlackRock na prática

O produto se chama iShares Ethereum Staking ETF, com o código ETHB. E ele tem uma estrutura bem pensada pra equilibrar o rendimento com a segurança dos investidores.

A BlackRock não vai colocar 100% do Ethereum do fundo em staking. Ela vai travar entre 70% e 95% dos ativos. O restante fica disponível para os investidores que quiserem resgatar suas cotas a qualquer momento. Porque, diferente do staking individual – onde seu dinheiro pode ficar preso por dias ou semanas -, um ETF precisa ter liquidez diária. Ou seja, você precisa poder sair quando quiser.

E tem a questão das taxas. O fundo cobra 0,25% ao ano de taxa de administração. Isso é compatível com ETFs tradicionais que você encontra no mercado. Mas além dessa taxa, existe a divisão do staking: 18% das recompensas geradas vão para a BlackRock e a Coinbase juntas. Os outros 82% ficam com os cotistas do fundo.

Parece muito? Depende do ponto de vista. Pensa que, antes desse produto existir, a maioria dos investidores institucionais simplesmente não tinha como acessar o staking do Ethereum com segurança jurídica, liquidez e sem dor de cabeça técnica. Esse serviço tem um custo, e 18% é o preço cobrado por isso.

Por que a Coinbase está no meio disso tudo?

Boa pergunta. A BlackRock é gigante em gestão de recursos, mas não é especialista em blockchain. Então ela fez o que qualquer empresa inteligente faz: buscou um parceiro que entende do assunto.

A Coinbase entra exatamente nessa função. Ela vai ser responsável por toda a infraestrutura técnica do staking – os servidores, os validadores, a segurança do processo. Enquanto isso, a BlackRock cuida do lado financeiro e regulatório: relação com investidores, conformidade com as regras da SEC (a CVM americana, por assim dizer) e a gestão do fundo em si.

É uma divisão de trabalho que faz bastante sentido. Cada um faz o que sabe melhor.

O que a SEC tem a ver com isso?

A SEC é o órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos. Para um ETF ser lançado lá, ele precisa da aprovação deles. E, no passado, a SEC tinha ressalvas justamente sobre produtos de criptomoedas que envolviam staking – principalmente pela questão da liquidez.

Afinal, se o dinheiro está “travado” em staking, como o investidor consegue resgatar suas cotas sem esperar dias? A BlackRock resolveu isso com aquela reserva de 5% a 30% em Ethereum não travado. Isso satisfaz a preocupação regulatória e ainda mantém o produto atrativo.

Lembrando que foi a SEC que aprovou o ETF de Bitcoin da BlackRock em janeiro de 2024 – um marco histórico para o mercado cripto. Agora, o Ethereum staking ETF representa o próximo passo nessa jornada.

Isso importa para o investidor brasileiro?

Você pode estar pensando: “Mas isso é lá fora, que diferença faz pra mim?”

Faz mais diferença do que parece. Primeiro, porque o mercado cripto é global. Quando grandes instituições como a BlackRock entram com peso no Ethereum, isso afeta o preço, a liquidez e a credibilidade do ativo no mundo inteiro – inclusive no Brasil.

Segundo, porque produtos assim tendem a chegar ao Brasil com o tempo. A CVM (nossa reguladora) já tem dado passos importantes para a regulação de criptoativos. E ETFs de criptomoedas já existem por aqui – como o ETHE11, que acompanha o Ethereum. É uma questão de tempo até que produtos com staking embutido apareçam por aqui também.

Terceiro, porque entender como funciona o staking e os ETFs de cripto te coloca na frente. O mercado financeiro muda rápido, e quem aprende antes sai na vantagem.

O impacto para a rede Ethereum

Tem uma coisa muito interessante que pode acontecer como consequência desse ETF: mais Ethereum sendo travado em staking.

Quando grandes fundos institucionais começam a colocar capital no staking, a quantidade de ETH circulando no mercado diminui. E, pela lei da oferta e demanda, isso pode pressionar o preço pra cima. Além disso, mais validadores participando da rede significa mais segurança e mais descentralização – o que é positivo para o ecossistema como um todo.

Outro ponto: isso pode inspirar outras gestoras a lançar produtos parecidos. Fidelity, Vanguard, Invesco… Se a BlackRock abre o caminho, outros podem seguir. E aí a concorrência tende a reduzir as taxas – o que beneficia o investidor final.

Uma virada histórica no mercado de cripto

Pra entender o tamanho dessa novidade, vale olhar a linha do tempo:

Entre 2017 e 2020, as grandes empresas de investimento começaram a desenvolver custódia segura para criptoativos. Era o começo de tudo. Guardar Bitcoin com segurança já era um desafio enorme.

De 2021 a 2023, a discussão girou em torno dos ETFs de Bitcoin. Muitos pedidos foram negados pela SEC. Mas o Ethereum também fez uma transição histórica nesse período – a famosa “The Merge” de setembro de 2022, quando passou do sistema de mineração para o proof-of-stake.

A partir de 2024, o cenário mudou de vez. O Bitcoin ETF foi aprovado em janeiro, abrindo as portas. E agora o Ethereum staking ETF representa a próxima fase: produtos financeiros que não só acompanham o preço das criptomoedas, mas também geram rendimento através da própria rede.

É uma evolução natural. E ela está acontecendo agora.

Os riscos existem, claro

Não dá pra falar de investimentos sem falar de riscos. Esse ETF tem algumas proteções interessantes: seguro contra penalidades de validação (o chamado “slashing”, quando um validador age de forma errada e perde parte do que apostou), diversificação de operadores de nó e transparência nas divulgações.

Mesmo assim, o Ethereum é um ativo volátil. O rendimento de staking pode variar. E qualquer produto que envolva criptomoedas carrega riscos que produtos tradicionais não têm. Isso não significa que você deve fugir – significa que você precisa entender o que está comprando.

Como sempre: nunca invista mais do que você pode perder, e pesquise bem antes de qualquer decisão.

Em resumo: por que isso é um baita passo à frente

A BlackRock criou um produto que, ao mesmo tempo, é familiar para investidores tradicionais (parece um ETF normal) e inovador no funcionamento interno (usa staking de blockchain). Isso é difícil de fazer. E quando funciona, muda o jogo.

Com 18% de participação nos rendimentos de staking, a BlackRock e a Coinbase têm incentivo real para fazer o produto funcionar bem. E os 82% restantes para os cotistas tornam o produto atraente para quem quer exposição ao Ethereum com um rendimento adicional.

Se tudo der certo, estamos diante de um dos produtos financeiros mais inovadores dos últimos anos. E, dependendo de como o mercado reagir, pode ser o início de uma nova era para os investimentos em criptoativos.

No BlockNexo, os assuntos do momento ganham contexto e clareza.

Perguntas Frequentes

1. O que é o iShares Ethereum Staking ETF da BlackRock? É um fundo negociado em bolsa (ETF) que permite que investidores tenham exposição ao Ethereum e, ao mesmo tempo, recebam parte dos rendimentos gerados pelo staking da criptomoeda, sem precisar fazer staking por conta própria.

2. Quanto a BlackRock e a Coinbase vão ganhar com esse produto? As duas empresas vão dividir 18% das recompensas de staking geradas pelo fundo. Os outros 82% vão diretamente para os investidores cotistas.

3. Por que a BlackRock não coloca 100% do Ethereum em staking? Para garantir liquidez diária. Um ETF precisa permitir resgates a qualquer momento. Por isso, entre 5% e 30% dos ativos ficam fora do staking, disponíveis para quem quiser sair do fundo rapidamente.

4. Qual é a taxa de administração do fundo? A taxa anual é de 0,25%, o que é bastante competitivo comparado a ETFs tradicionais do mercado americano. Além disso, há a divisão dos 18% sobre as recompensas de staking.

5. O que é staking e como ele gera rendimento? Staking é o processo de “travar” criptomoedas para ajudar a validar transações em redes como o Ethereum. Em troca, o validador recebe recompensas – hoje em torno de 3% a 4% ao ano no Ethereum.

6. Qual é o papel da Coinbase nesse ETF? A Coinbase é responsável por toda a infraestrutura técnica do staking: servidores, operadores de validação e segurança do processo na blockchain. A BlackRock cuida da gestão financeira e da relação com os reguladores.

7. Esse ETF já foi aprovado pela SEC? A BlackRock depositou o pedido revisado de registro (formulário S-1) junto à SEC. A aprovação final ainda está em andamento, mas a estrutura do produto foi desenhada para atender às exigências regulatórias americanas.

8. Esse produto está disponível para investidores brasileiros? Ainda não diretamente. O ETF está sendo lançado nos Estados Unidos. Mas investidores brasileiros com acesso a corretoras internacionais, como a Avenue ou a Nomad, podem eventualmente acessar esse produto no futuro, a depender da aprovação regulatória.

9. Existe algum ETF parecido disponível no Brasil hoje? Sim, existem ETFs de Ethereum no Brasil, como o ETHE11, mas eles ainda não oferecem staking embutido. O produto da BlackRock é pioneiro nesse aspecto e pode influenciar o mercado brasileiro no futuro.

10. Quais são os principais riscos desse tipo de investimento? Os principais riscos incluem a volatilidade do preço do Ethereum, variações nas taxas de recompensa de staking, riscos técnicos na validação (como o “slashing”) e eventuais mudanças regulatórias que possam afetar o produto.

11. O que é “slashing” e como o fundo se protege disso? Slashing é uma penalidade aplicada a validadores que agem de forma errada ou negligente na rede Ethereum. O fundo conta com mecanismos de seguro e diversificação de operadores de nó para minimizar esse risco.

12. Como esse ETF pode impactar o preço do Ethereum? Com mais Ethereum sendo travado em staking por grandes fundos institucionais, a oferta circulante de ETH diminui. Pela lógica básica de oferta e demanda, isso pode criar uma pressão positiva sobre o preço da criptomoeda a longo prazo.

13. Esse modelo pode ser replicado para outras criptomoedas? Sim. Se a SEC aprovar o modelo, ele pode abrir precedente para ETFs com staking de outras redes proof-of-stake, como Solana, Cardano e Polkadot. Analistas de mercado já apontam essa possibilidade.

14. Vale a pena esperar esse tipo de produto chegar ao Brasil para investir em Ethereum? Depende do seu perfil de investidor. Quem já investe em cripto pode optar por alternativas disponíveis agora. Quem prefere segurança regulatória e liquidez tradicional pode aguardar produtos similares chegarem ao mercado brasileiro – e as chances de isso acontecer nos próximos anos são bem reais.

Fonte: Bitcoin World

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