Bolsa em alta: 12 ações disparam mais de 20% em janeiro e só 10 caem no Ibovespa
Janeiro foi daqueles meses que a gente gosta de ver na bolsa de valores. O Ibovespa fechou o primeiro mês do ano com uma alta bem expressiva de 12,56%, puxado principalmente pelo dinheiro que veio de fora do país. Foi aquela movimentação de investidor estrangeiro apostando no Brasil que fez a diferença, sabe?
Mas nem tudo foram flores. A última sexta-feira do mês veio com aquela queda chatinha, marcada por volatilidade – ou seja, o mercado oscilando pra cima e pra baixo – e galera realizando lucro. É aquilo, né? Investidor viu o preço lá em cima e decidiu vender pra embolsar os ganhos.
O legal é que, mesmo com esse susto no final, a grande maioria das empresas que compõem o índice terminou janeiro no azul. Das 86 ações que fazem parte do Ibovespa, apenas 10 fecharam no vermelho. E olha que só duas delas despencaram mais de 10%: Vivara e Hapvida.
Do outro lado, teve gente comemorando muito. Cogna, Raízen e Petrobras estiveram entre as que mais subiram. E pasmem: 12 ações dispararam mais de 20% no mês. Vamos dar uma olhada nas que mais se destacaram?
Principais Conclusões
Cogna lidera disparada com alta de 45%

A campeã absoluta de janeiro foi a Cogna, aquela empresa de educação que controla a Kroton e outras marcas conhecidas. As ações dela subiram impressionantes 45,37% no mês. Isso mesmo, quase metade do valor!
O que aconteceu? Basicamente, o mercado começou a acreditar que os juros vão cair em breve. E quando a gente fala em juros menores, empresas de educação se beneficiam bastante. Afinal, com crédito mais barato, mais gente consegue financiar os estudos.
Mas não foi só isso. O Itaú BBA – um dos principais bancos de investimento do país – mudou a recomendação da Cogna de neutra para compra. E não foi uma mudança qualquer: o preço-alvo pulou de R$ 3,30 para R$ 6. Ou seja, eles acreditam que a ação pode dobrar de valor.
O que tá por trás desse otimismo? A Cogna vem melhorando bastante suas operações. A empresa ficou mais seletiva na hora de aceitar alunos, fazendo uma análise de crédito mais rigorosa. Parece meio chato, mas o resultado foi positivo: menos gente deixando de pagar as mensalidades e mais dinheiro em caixa.
A estratégia da Kroton – o braço de ensino superior da companhia – mudou completamente. Em vez de sair aceitando qualquer aluno só pra bater meta, eles começaram a focar em turmas com maior valor de longo prazo. É tipo escolher qualidade em vez de quantidade.
E deu certo. O fluxo de caixa livre subiu de R$ 726 milhões para R$ 1,05 bilhão em 12 meses. Com mais dinheiro sobrando, a empresa conseguiu reduzir suas dívidas. A alavancagem caiu para 2,46 vezes, o que significa que eles devem menos em relação ao que ganham.
O Goldman Sachs também embarcou nessa onda de otimismo. O banco reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 3,64 para R$ 5. Os três pilares do otimismo deles são: captação melhorando, disciplina comercial e geração de caixa aumentando.
Uma coisa interessante é que o curso de enfermagem virou um destaque. Por quê? Porque saiu uma nova regulamentação que restringiu os formatos 100% a distância. Isso favoreceu os cursos presenciais e semipresenciais da Cogna.
Para investidores iniciantes: Os 8 Padrões Mais Assertivos do Mercado Por Felipe Trader
Raízen ressuscita com alta de quase 29%
A Raízen teve uma montanha-russa nos últimos tempos. Em 2025, a ação despencou 62,5%. Foi uma sangria danada, com problemas operacionais, margens apertadas, preços do açúcar e etanol oscilando muito e uma dívida pesada nas costas.
Mas 2026 começou diferente. A ação subiu 28,75% em janeiro e voltou para a casa de R$ 1. O que mudou?
Primeiro, aquela expectativa de queda nos juros ajudou. Como a Raízen tá bem endividada, juros menores significam que fica mais barato pagar as dívidas. Segundo, começaram a circular notícias sobre um possível aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. Isso seria um respiro e tanto para a empresa.
A situação da Raízen é complicada. O modelo de negócio dela exige muito capital – é aquilo de precisar investir pesado o tempo todo. E aí veio a compressão das margens no setor de combustíveis junto com juros altos, e pronto: a dívida líquida chegou a R$ 53,4 bilhões, com alavancagem de 5,1 vezes. Bem alto.
Os dados operacionais que saíram na última semana mostraram um lado bom e outro nem tanto. A distribuição de combustíveis foi bem, mas o segmento de açúcar e etanol não teve o mesmo desempenho.
A moagem de cana-de-açúcar caiu 9%, chegando a 70,3 milhões de toneladas contra 77,5 milhões do ano anterior. A culpa foi da menor produtividade agrícola, clima menos favorável, uma geada no primeiro trimestre e a venda de cerca de 2 milhões de toneladas de cana como parte de um processo de otimização.
Mas tem um lado positivo. A distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina avançou bem, impulsionada pelo combate ao mercado ilegal e ganhos de eficiência nas refinarias. O JPMorgan destacou que os investidores estão mais otimistas em relação às margens do setor.
Ainda assim, o banco mantém cautela. Falta visibilidade sobre outros catalisadores, como a venda de ativos em andamento na Argentina. A recomendação do JPMorgan segue neutra.
Petrobras dispara com petróleo em alta
As ações da Petrobras foram outro destaque positivo. PETR3 subiu 25,05% e PETR4 avançou 22,96% no mês. E o principal motivo foi a escalada do petróleo.
O Brent – aquele petróleo que serve de referência mundial – avançou cerca de 14% no ano. Como a Petrobras tem uma exposição gigantesca ao segmento de exploração e produção, quando o petróleo sobe, as ações da estatal naturalmente acompanham.
Teve também aquele movimento de capital estrangeiro entrando no Brasil. O índice MSCI Brazil, que mede o desempenho de grandes e médias empresas brasileiras, subiu 20% no ano. Foi um fluxo bem forte.
Mas será que dá pra continuar animado? O Goldman Sachs estima que a Petrobras entregue um dividend yield – ou seja, dividendo dividido pelo preço da ação – entre 9% e 10% em 2026 e 2027. Isso considerando o petróleo futuro em torno de US$ 67 e US$ 65 por barril.
O interessante é que boa parte da alta de janeiro foi mesmo impulsionada pelo petróleo mais caro, e não por uma mudança estrutural na forma como o mercado enxerga a empresa. Para o Goldman, um yield em torno de 10% é razoável. Se o petróleo se mantiver nos níveis atuais, a ação pode oferecer esse retorno combinado com possíveis catalisadores, como as eleições nacionais de outubro.
O principal risco? Uma queda do petróleo se os prêmios geopolíticos diminuírem e o dólar enfraquecer num mercado global com excesso de oferta. Aí a festa pode acabar rápido.
Vale destacar que o Goldman mantém preferência relativa por PRIO, por causa do crescimento forte da produção no curto prazo e maior visibilidade para dividendos.

Cyrela surfa na onda da queda de juros
A Cyrela também teve um janeiro bem positivo, com alta de 24,79%. E olha que os resultados operacionais do quarto trimestre de 2025, divulgados em meados de janeiro, foram considerados fracos.
O que explica essa aparente contradição? A perspectiva de queda de juros em breve. O setor de construção civil é extremamente sensível aos juros porque o financiamento imobiliário depende muito disso. Com juros menores, mais gente consegue comprar imóvel, e as construtoras vendem mais.
As ações da Cyrela seguem como uma das preferidas entre gestores de fundos. O Goldman Sachs destacou isso após reuniões com investidores em Londres e Paris. Assim como em encontros nos Estados Unidos em novembro, os analistas observaram um interesse crescente nas construtoras residenciais brasileiras.
A Cyrela surgiu como um foco consensual, impulsionada pelo valuation – o quanto a empresa vale em relação ao que ela ganha – e pela visão de que poderia se beneficiar do ciclo de afrouxamento das taxas de juros.
O Itaú BBA manteve exposição overweight no Brasil em América Latina mesmo após a forte alta, mantendo a Cyrela na lista das dez ações preferidas. Isso é um sinal bem positivo do mercado.
Vamos acelera com juros em queda
A Vamos, empresa de locação de caminhões e máquinas, teve alta de 22,77% em janeiro. A queda dos juros futuros impactou positivamente, já que a empresa tem operações que dependem de crédito.
Em meados do mês, a companhia divulgou seus dados operacionais do quarto trimestre de 2025, e foram considerados positivos. A receita líquida foi de R$ 1,48 bilhão, expansão de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024.
No segmento de locação, a receita somou R$ 1,07 bilhão – um recorde -, com alta de 11,5%. Já em venda de ativos, o número totalizou R$ 326,7 milhões, um salto impressionante de 97,6%. A divisão indústria também foi bem, com alta de 27,4% no faturamento.
E quem caiu em janeiro?
Nem tudo foi só festa. Algumas empresas fecharam o mês no vermelho, e vamos dar uma olhada nelas também.
Vivara lidera as quedas com recuo de 12,65%
A Vivara foi a maior queda de um mês de recordes do Ibovespa. A ação da joalheira recuou 12,65%, o que pode parecer ruim à primeira vista.
Mas tem analista vendo isso como uma oportunidade. O Morgan Stanley, em relatório publicado em 23 de janeiro, afirmou que a varejista de luxo apresentava um ponto de entrada atrativo após a queda. De acordo com os analistas, o papel negocia a 8,7 vezes o preço sobre lucro para 2026.
O otimismo do banco estrangeiro é compartilhado pelo Itaú BBA. A visão é que o cenário menos competitivo no segmento de joias é um grande atrativo. Ainda assim, há preocupações com a forte alta de preços de ouro e prata, que aumentam os custos da empresa.
Hapvida cai 10,71% com mudanças na administração
Os papéis da Hapvida sofreram enquanto a companhia passa por alterações na administração. Em 13 de janeiro, a empresa confirmou que Alain Benvenuti, que havia renunciado ao cargo de COO há três semanas, assumiria a vice-presidência comercial.
A mudança ocorreu após a saída de Rafael Andrade da vice-presidência comercial em outubro. Esse tipo de troca-troca na cúpula deixa o mercado desconfiado, e a ação chegou a cair mais de 8% em uma só sessão por causa disso.

Outras quedas menores
A MBRF teve recuo de 4,94%. A empresa também teve desempenho fraco em dezembro, quando despencou com as tarifas chinesas à carne brasileira. A XP estima que o resultado da companhia será sequencialmente mais fraco.
A Suzano caiu 4,90%, em meio ao cenário de aversão a risco que não beneficia ações consideradas mais defensivas. Além disso, o dólar caiu 4,39% ante o real, o que não ajuda a ação da companhia, que é exportadora. Com o real mais forte, os produtos brasileiros ficam mais caros lá fora.
A CPFL teve baixa de 4,28% após rebaixamento do Morgan Stanley da recomendação de equal-weight para underweight – ou seja, de neutro para venda. O banco citou uma relação risco-retorno pouco atrativa, catalisadores positivos limitados no curto prazo e dividendos menos atraentes.
O que esperar daqui pra frente?
Janeiro mostrou que o mercado brasileiro tá animado. A entrada de capital estrangeiro foi forte, e a perspectiva de queda de juros alimenta o otimismo. Mas é sempre bom lembrar que a bolsa é volátil por natureza.
Os próximos meses vão ser importantes para confirmar se essa tendência se mantém. Vários fatores podem influenciar: a decisão do Banco Central sobre os juros, o cenário político com as eleições se aproximando, os preços das commodities no mercado internacional e, claro, a situação econômica global.
Para quem investe em ações, vale aquela máxima de sempre: diversificação é fundamental. Não adianta colocar tudo numa empresa só, por mais que ela tenha subido muito em janeiro. O mercado muda rápido, e o que subiu hoje pode cair amanhã.
E outra coisa importante: olhar para o longo prazo. Janeiro foi ótimo, mas a bolsa é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Quem investe com foco no longo prazo, estudando as empresas e entendendo os fundamentos, tende a ter resultados melhores.
De qualquer forma, janeiro foi um mês para ficar na história do Ibovespa em 2026. Com 12 ações subindo mais de 20% e apenas 10 fechando no vermelho, dá pra dizer que foi um começo bem positivo para a bolsa brasileira.
Se manter informado é importante, o BlockNexo é leitura certa.
Perguntas Frequentes
1. O que é o Ibovespa e por que ele é importante?
O Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira. Ele reúne as ações das empresas mais negociadas e representa a saúde do mercado acionário do país. Quando o Ibovespa sobe, significa que a maioria das principais empresas está valorizando.
2. Por que a queda dos juros beneficia algumas empresas?
Juros menores tornam o crédito mais barato. Empresas conseguem se endividar com custos menores, e os consumidores têm mais facilidade para financiar compras. Setores como educação, construção civil e varejo são os mais beneficiados.
3. Vale a pena investir em ações que subiram muito em janeiro?
Não necessariamente. Ações que já subiram bastante podem estar caras. O ideal é analisar os fundamentos da empresa, entender se há espaço para mais valorização e diversificar os investimentos para reduzir riscos.
4. O que significa dividend yield?
É a relação entre o dividendo pago pela empresa e o preço da ação. Se uma ação custa R$ 100 e paga R$ 10 em dividendos por ano, o dividend yield é de 10%. Quanto maior, mais atrativo para quem busca renda passiva.
5. Qual a diferença entre PETR3 e PETR4?
PETR3 são ações ordinárias, que dão direito a voto nas assembleias da empresa. PETR4 são ações preferenciais, que não dão direito a voto mas têm prioridade no recebimento de dividendos. Geralmente, as preferenciais pagam um pouco mais.
6. Por que empresas exportadoras sofrem quando o real se valoriza?
Porque elas vendem em dólar e recebem em reais. Quando o dólar cai (e o real se valoriza), a receita em reais diminui. É o caso da Suzano, que exporta celulose. Dólar baixo significa menos dinheiro entrando no caixa.
7. O que é realização de lucros?
É quando investidores vendem ações que subiram para garantir o ganho. Isso é comum após altas fortes. A pessoa prefere vender e embolsar o lucro do que arriscar uma eventual queda dos preços.
8. Como a Cogna conseguiu melhorar seus resultados?
A empresa focou em qualidade em vez de quantidade. Passou a aceitar apenas alunos com bom perfil de crédito, reduziu a inadimplência, melhorou o fluxo de caixa e diminuiu o endividamento. Foi uma virada estratégica importante.
9. É seguro investir em ações com alta alavancagem como a Raízen?
Depende do seu perfil de risco. Empresas muito endividadas são mais arriscadas porque precisam gerar muito caixa para pagar as dívidas. Se os resultados piorarem, a situação complica. Por outro lado, se melhorarem, o retorno pode ser grande.
10. O que são catalisadores no mercado de ações?
São eventos ou notícias que podem fazer o preço de uma ação subir ou cair. Exemplos: eleições, mudanças de juros, resultados trimestrais, anúncios de fusões, novos contratos ou mudanças na gestão da empresa.
11. Por que mudanças na administração afetam o preço das ações?
Porque geram incerteza. O mercado não sabe se o novo executivo será melhor ou pior que o anterior. Enquanto não houver clareza sobre os rumos da empresa, os investidores tendem a ficar mais cautelosos e podem vender as ações.
12. Qual a diferença entre recomendação de compra, neutra e venda?
Compra significa que o analista acredita que a ação vai subir. Neutra indica que não há expectativa de grande movimentação. Venda sugere que a ação pode cair. São opiniões de especialistas, não certezas absolutas.
13. Como saber se uma ação está cara ou barata?
Existem vários indicadores. O P/L (preço sobre lucro) mostra quantos anos levaria para recuperar o investimento com os lucros da empresa. Valores muito altos podem indicar que a ação está cara. Mas é preciso comparar com outras empresas do mesmo setor.
14. Posso começar a investir na bolsa com pouco dinheiro?
Sim! Hoje dá pra começar com valores baixos, às vezes menos de R$ 100. Muitas corretoras não cobram taxas de corretagem para pequenos investidores. O importante é estudar antes de investir e começar aos poucos, dentro do seu orçamento.
Fonte: InfoMoney







