Dólar cai para o menor valor em quase dois anos

Dólar cai para o menor valor em quase dois anos e Ibovespa chega perto de recorde histórico

O que aconteceu com o mercado financeiro nesta segunda-feira?

Se você acompanha o mercado financeiro, mesmo que seja de longe, esta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2025, foi um dia bastante movimentado. O Ibovespa – que é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3 – chegou a bater um recorde histórico durante o pregão, ultrapassando os 191 mil pontos pela primeira vez na história. Mas, como acontece com frequência nesse mundo volátil, o fôlego não durou e o índice recuou no final do dia.

Já o dólar seguiu uma tendência que vem se consolidando nos últimos meses: fechou no menor valor de quase 21 meses, ou seja, desde maio de 2024 o real não tinha tanto “poder” frente à moeda americana. Para quem vai viajar para o exterior ou comprar produtos importados, essa notícia é animadora.

Mas o que explica tudo isso? Vamos destrinchar com calma, sem aquele economês chato que só especialista entende.

Ibovespa bateu recorde, mas não aguentou

Dólar cai para o menor valor em quase dois anos e Ibovespa chega perto de recorde histórico
Dólar cai para o menor valor em quase dois anos e Ibovespa chega perto de recorde histórico

Imagine que você está numa corrida e, num certo ponto, você supera o seu melhor tempo. Mas aí bate o cansaço, você desacelera e termina um pouco abaixo do seu pico. Foi mais ou menos isso que aconteceu com o Ibovespa nesta segunda.

O índice chegou a 191.002,54 pontos durante o pregão – um recorde intradiário, como o mercado chama os recordes que acontecem ao longo do dia, mas que não se mantêm até o fechamento. Ao final, o Ibovespa encerrou em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos.

Por que caiu? Principalmente por causa de uma correção nas ações dos bancos. Ações de bancos têm um peso enorme no Ibovespa, então quando elas caem, o índice sente. Além disso, lá fora a situação também não ajudou muito: Wall Street – a bolsa de valores americana – operou no negativo por conta de incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos. E quando Wall Street espirra, o Brasil costuma sentir.

O volume financeiro movimentado no dia foi expressivo: R$ 28,9 bilhões. Isso mostra que o mercado estava bem ativo, com muita gente comprando e vendendo ações.

Para transformar sua visão financeira: Os 8 Padrões Mais Assertivos do Mercado Por Felipe Trader

Dólar fecha no menor nível em quase dois anos

Agora vamos falar do dólar, que é o assunto que todo mundo quer entender – afinal, ele afeta desde o preço da passagem aérea até o valor do notebook que você quer comprar.

O dólar à vista fechou esta segunda-feira em R$ 5,1693, com queda de 0,14% no dia. Parece pouca coisa, mas esse valor representa o menor fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda terminou o dia a R$ 5,1539.

E tem mais: no acumulado do ano, o dólar já caiu 5,82%. Ou seja, desde janeiro até agora, o real se valorizou bastante em relação à moeda americana. Para quem acompanha esse mercado há algum tempo, sabe que isso não é trivial. O Brasil passou boa parte de 2024 com o dólar acima de R$ 6,00. Então ver a moeda americana se aproximando de R$ 5,10 é uma mudança bem relevante.

O que fez o dólar cair tanto?

Essa é a pergunta que fica na cabeça de muita gente. E a resposta não é simples, porque envolve vários fatores ao mesmo tempo – como peças de um quebra-cabeça que, juntas, formam o quadro geral.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos é um dos principais motivos.

Deixa eu explicar de um jeito mais simples: o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. A Selic, que é a nossa taxa básica de juros, está em torno de 13,25% ao ano – enquanto nos EUA a taxa equivalente fica entre 3,50% e 3,75% ao ano.

O que isso significa na prática? Que investidores estrangeiros enxergam o Brasil como um lugar atraente para colocar dinheiro. Afinal, se você pode ganhar muito mais juros aqui do que lá fora, por que não trazer o dinheiro para cá? E quando dinheiro estrangeiro entra no Brasil, os investidores precisam trocar os dólares por reais. Mais dólares sendo vendidos no mercado = dólar mais barato.

Além disso, os exportadores brasileiros também ajudaram a derrubar o dólar. Quando a moeda americana chegou próxima de R$ 5,18 e R$ 5,19 durante a manhã, esses exportadores aproveitaram para vender os dólares que tinham em caixa – afinal, quanto mais caro o dólar, mais reais eles recebem pelas suas exportações. Esse movimento adiciona dólares ao mercado e pressiona a moeda para baixo.

E as tensões com Trump? Como isso afetou o mercado?

Ah, Donald Trump. Ele nunca deixa o mercado financeiro em paz.

No fim de semana, o presidente dos EUA anunciou que vai elevar de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre importações de todos os países. Para quem não está familiarizado com o tema: tarifa é basicamente um imposto que um país cobra sobre produtos que vêm de fora. Quando os EUA aumentam suas tarifas, fica mais caro importar coisas para lá – o que prejudica países exportadores, como o Brasil.

Na sexta-feira anterior, Trump já tinha anunciado uma alíquota de 10%, após a Suprema Corte americana derrubar seu programa tarifário anterior. E na manhã desta segunda, ele voltou a atacar a Suprema Corte, dizendo que outras tarifas podem ser usadas de forma ainda mais “poderosa e desagradável” – palavras dele mesmo.

Esse tipo de declaração cria incerteza. E o mercado financeiro odeia incerteza. Quando não se sabe o que vai acontecer, investidores ficam mais cautelosos e tendem a recuar das aplicações mais arriscadas, como ações de países emergentes.

Mas, curiosamente, o dólar caiu mesmo com toda essa turbulência. Isso mostra que os fatores internos do Brasil – especialmente os juros altos – estavam mais fortes do que o impacto negativo das notícias vindas de Washington.

Tensões no Oriente Médio também entraram no radar

Outro ponto que os analistas acompanharam de perto foi a situação geopolítica envolvendo Estados Unidos e Irã. O Irã sinalizou que está disposto a fazer concessões no seu programa nuclear – basicamente, aceitar limitar o enriquecimento de urânio – em troca do fim das sanções americanas.

Sanções são restrições econômicas que os EUA impõem a outros países, dificultando que eles façam negócios com o resto do mundo. Se o Irã conseguir um acordo e as sanções forem removidas, ele poderá voltar a exportar petróleo em grande escala. Mais petróleo no mercado global tende a baixar os preços da commodity. E isso tem reflexos no Brasil, já que somos um grande produtor e exportador de petróleo pela Petrobras.

Então, mesmo parecendo distante, o que acontece lá no Oriente Médio chega a influenciar o preço das ações na nossa bolsa aqui no Brasil. O mundo financeiro é interligado assim.

O que diz o Focus, o termômetro do mercado

Todo início de semana, o Banco Central do Brasil divulga o chamado Boletim Focus. Esse documento reúne as projeções de economistas e analistas de mercado para os principais indicadores econômicos do país. É uma espécie de “pesquisa de opinião” do mercado financeiro.

Nesta segunda-feira, o Focus mostrou duas mudanças interessantes:

Primeiro, a mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. Ou seja, o mercado está prevendo um dólar um pouco mais barato do que esperava antes. Isso é reflexo da atual valorização do real.

Segundo, a expectativa para a Selic – nossa taxa básica de juros – no fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13%. Isso sugere que os analistas acreditam que os juros no Brasil vão recuar gradualmente ao longo dos próximos dois anos, mas ainda ficarão em um patamar bastante elevado.

Para o cidadão comum, isso significa que os juros devem continuar pesando no bolso por um bom tempo ainda – seja no financiamento do carro, no cartão de crédito ou no consórcio da casa própria.

O Banco Central ficou de fora hoje

Uma informação que pode parecer técnica, mas é importante: nesta segunda-feira, o Banco Central não fez operações no mercado de câmbio. Ou seja, ele não comprou nem vendeu dólares para tentar controlar a cotação.

O BC costuma fazer isso por meio de instrumentos chamados “swaps cambiais” – que são contratos financeiros usados para administrar a oferta e a demanda de dólares no mercado. Dos 750 mil contratos que vencem em março, o BC já tinha rolado (renovado) 725 mil até a última sexta-feira.

Segundo analistas do mercado, o forte fluxo de capital estrangeiro entrando no Brasil nos últimos meses dá ao Banco Central mais folga para não precisar renovar todos esses contratos. Em outras palavras: o mercado está se virando sozinho, sem precisar tanto da intervenção do BC.

Como o dólar se comportou no mundo?

Não foi só no Brasil que o dólar perdeu força. No cenário internacional, a moeda americana também recuou em relação a outras divisas importantes.

Em relação ao iene japonês, o dólar caiu 0,28%. O euro se valorizou frente ao dólar, sendo negociado a US$ 1,1792. E o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas – subiu levemente 0,33%. Isso mostra um cenário misto, mas com tendência de enfraquecimento do dólar no mundo.

Esse enfraquecimento global da moeda americana beneficia países emergentes como o Brasil, porque facilita o fluxo de capital para cá e contribui para a valorização do real.

O que isso significa para o seu bolso?

Vamos ser diretos: um dólar mais baixo tem efeitos positivos e negativos, dependendo do seu perfil.

Para quem consome produtos importados – eletrônicos, roupas de marcas gringas, peças de carro – é uma boa notícia. Tende a ficar mais barato. Para quem planeja viagem internacional, também é positivo: você precisa de menos reais para comprar dólares ou euros.

Por outro lado, para quem tem investimentos atrelados ao dólar ou para os exportadores que recebem em moeda estrangeira, a queda representa menos receita em reais. Cada lado da moeda tem dois lados – como diriam os mais velhos.

E para a economia como um todo? Um dólar mais estável e em queda controlada ajuda a segurar a inflação, porque muitos produtos que consumimos no Brasil dependem de insumos importados. Quando o dólar sobe, a produção fica mais cara e o preço sobe para o consumidor final. Quando cai, o caminho inverso tende a acontecer – pelo menos em teoria.

O que esperar para os próximos dias?

O mercado vai continuar de olho nas movimentações de Trump. Qualquer nova declaração sobre tarifas ou tensões geopolíticas pode agitar o pregão. Além disso, dados econômicos dos EUA que saem ao longo da semana costumam influenciar bastante o comportamento do dólar no mundo todo.

No Brasil, o foco estará no Banco Central e em qualquer sinalização sobre a política de juros. Se a Selic continuar elevada e o fluxo de capital estrangeiro se mantiver, o dólar tem mais chances de continuar abaixo dos R$ 5,20.

Mas, como sempre, o mercado financeiro é cheio de surpresas. O que parece certo hoje pode mudar completamente amanhã com uma notícia inesperada. Então, se você investe ou está pensando em começar, diversificação e paciência continuam sendo as melhores estratégias.

Se manter informado ficou mais fácil com o BlockNexo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que é o Ibovespa e por que ele é importante? O Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3. Ele reúne as ações das empresas mais negociadas do país e serve como termômetro da saúde do mercado financeiro brasileiro. Quando o Ibovespa sobe, geralmente significa que os investidores estão confiantes na economia. Quando cai, é sinal de cautela ou pessimismo.

2. Por que o Ibovespa caiu mesmo chegando a um recorde? O índice superou os 191 mil pontos durante o pregão – um recorde intradiário – mas não sustentou esse nível. A principal razão foi a queda nas ações dos bancos, que têm grande peso no índice. Além disso, o cenário negativo em Wall Street e as incertezas sobre as tarifas de Trump contribuíram para o recuo no fechamento.

3. O dólar a R$ 5,17 é considerado baixo? No contexto recente, sim. O Brasil passou boa parte de 2024 com o dólar acima de R$ 6,00. Ver a moeda americana em torno de R$ 5,17 representa uma valorização significativa do real. Ainda assim, historicamente falando, o dólar já esteve muito mais barato – chegou a R$ 1,70 no início dos anos 2000.

4. O que são as tarifas que Trump está impondo? Tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados. Quando os EUA aumentam tarifas, ficam mais caros os produtos que entram no país vindo de fora. Isso pode prejudicar as exportações brasileiras para os EUA e gerar incerteza nos mercados globais.

5. Por que o diferencial de juros atrai dólares para o Brasil? Investidores buscam sempre os maiores retornos. Com a Selic brasileira em torno de 13% ao ano e os juros americanos entre 3,5% e 3,75%, o Brasil oferece uma rentabilidade muito maior. Para aproveitar isso, investidores estrangeiros trocam seus dólares por reais – o que aumenta a oferta de dólares no mercado e derruba a cotação.

6. O que é o Boletim Focus? É um relatório semanal divulgado pelo Banco Central do Brasil com as projeções de centenas de economistas e analistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos, como inflação, PIB, câmbio e taxa Selic. É muito acompanhado por investidores e formuladores de política econômica.

7. O que são swaps cambiais? São contratos financeiros usados pelo Banco Central para controlar a volatilidade do câmbio sem precisar usar diretamente as reservas internacionais do país. É uma forma de o BC influenciar o preço do dólar de maneira indireta.

8. A queda do dólar é boa para todos os brasileiros? Não necessariamente. Para consumidores de produtos importados e viajantes internacionais, é ótimo. Mas para exportadores e empresas que recebem em dólar, significa menos reais na conta. Para a economia em geral, um câmbio estável e gradualmente mais valorizado tende a ajudar no controle da inflação.

9. O que é Wall Street e por que ela afeta o Brasil? Wall Street é o principal centro financeiro dos EUA, onde ficam as maiores bolsas de valores americanas, como a NYSE e a Nasdaq. Como os EUA são a maior economia do mundo, o que acontece por lá tem reflexos nos mercados de países emergentes, incluindo o Brasil.

10. Por que o Irã e as tensões no Oriente Médio influenciam o mercado brasileiro? Principalmente por causa do petróleo. O Irã é um grande produtor, e qualquer mudança na sua capacidade de exportar afeta os preços globais do petróleo. Como a Petrobras é uma das maiores empresas da B3, variações no preço do petróleo impactam diretamente o Ibovespa.

11. Devo comprar dólares agora ou esperar? Isso depende do seu objetivo. Se você vai viajar em breve ou tem uma compra programada em moeda estrangeira, pode ser um bom momento para comprar, já que o dólar está num patamar mais baixo. Mas prever o comportamento do câmbio é muito difícil – até os especialistas erram bastante. Consulte um assessor financeiro antes de tomar decisões maiores.

12. O que é o dólar futuro mencionado na notícia? O dólar futuro é um contrato negociado na B3 que representa o preço do dólar em uma data futura. Ele é usado principalmente por empresas e investidores para se proteger da variação cambial – uma prática chamada de “hedge”. O dólar futuro para março fechou a R$ 5,1750, levemente abaixo do dólar à vista.

13. A Selic alta é boa ou ruim para o brasileiro comum? É um faca de dois gumes. Por um lado, juros altos encarecem o crédito – financiamentos, cartão de crédito e empréstimos ficam mais caros. Por outro, quem tem dinheiro investido em renda fixa ganha mais. Para quem está endividado, a Selic alta é um peso enorme. Para quem tem reservas investidas, é uma oportunidade de rendimento.

14. O Brasil vai continuar atraindo investimentos estrangeiros? Enquanto o diferencial de juros entre Brasil e EUA se mantiver alto e a economia brasileira mostrar sinais de estabilidade, a tendência é que o fluxo de capital estrangeiro continue. Mas fatores políticos, fiscais e geopolíticos podem mudar esse cenário rapidamente. O mercado vive monitorando o quadro fiscal do governo e qualquer sinal de desequilíbrio nas contas públicas pode espantar investidores.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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