Ethereum na Virada: A Grande Mudança que Pode Redefinir o Futuro das Criptomoedas
Ethereum está passando por uma das maiores transformações da sua história. E não estamos falando de um ajuste pequeno aqui, uma melhoria ali. É uma reviravolta de verdade – daquelas que mudam o jogo por completo.
Se você acompanha o mundo das criptomoedas, provavelmente já ouviu falar que o Ethereum vem perdendo terreno para concorrentes mais rápidos, como a Solana. Pois bem. A equipe por trás da rede resolveu parar, respirar fundo, e repensar tudo. E o que está surgindo dessa reflexão é bem interessante.
Principais Conclusões
O que está acontecendo com o Ethereum?

Antes de tudo, um contexto rápido pra quem está chegando agora.
O Ethereum é a segunda maior criptomoeda do mundo, atrás só do Bitcoin. Mas mais do que uma moeda, ele é uma plataforma. É nele que rodam a maioria dos contratos inteligentes, os projetos de finanças descentralizadas (o tal do DeFi), os NFTs e muito mais. Pensa nele como uma espécie de “sistema operacional” do mercado cripto – uma base sobre a qual outros projetos são construídos.
O problema? Nos últimos anos, outros projetos começaram a aparecer com proposta parecida, mas prometendo ser mais rápidos, mais baratos e mais fáceis de usar. A Solana é o exemplo mais famoso. E aí o Ethereum começou a sentir a pressão.
A resposta da rede até agora foi apostar nos chamados “Layer 2” – camadas secundárias que processam transações fora da rede principal para depois registrá-las ali. Funcionou, em parte. Mas criou outros problemas: fragmentação, dificuldade de navegação para o usuário comum, e uma sensação geral de que a experiência ficou complicada demais.
Agora, o criador do Ethereum, Vitalik Buterin, resolveu mudar a estratégia.
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Vitalik quer um Ethereum mais forte por dentro
Buterin falou recentemente sobre o que ele chama de um “Ethereum cypherpunk” – um nome técnico, mas com uma ideia simples por trás: ele quer que a rede seja mais segura, mais resistente à censura e mais robusta na sua base, não apenas nas camadas secundárias.
Em outras palavras, em vez de só colocar andaimes na construção, ele quer reforçar os alicerces.
Ele usou uma comparação que ficou famosa: é como trocar o motor de um avião em pleno voo. Assustador? Sim. Mas necessário.
E o Ethereum já fez isso antes. Em 2022, a rede migrou do sistema antigo de validação (chamado de “prova de trabalho”) para um novo (a “prova de participação”). Foi uma mudança enorme, que muita gente achava impossível de acontecer sem travar tudo. Aconteceu. E a rede sobreviveu.
Agora vem a próxima fase.
O que são essas atualizações, afinal?
Não precisa ter formação em tecnologia pra entender o essencial. Vamos por partes.
FOCIL – o mecanismo contra a censura
Imagine que você quer enviar uma transferência bancária, mas o banco decide, por algum motivo, ignorar o seu pedido. Injusto, né? No mundo das criptomoedas, algo parecido pode acontecer quando os validadores – as pessoas e empresas que confirmam as transações – decidem não incluir certas operações na fila.
O FOCIL, que é o apelido do EIP-7805, é um mecanismo criado para evitar exatamente isso. Ele obriga os validadores a incluírem todas as transações legítimas. Se um bloco de transações for aprovado sem incluir operações válidas que estavam esperando, a rede pode “bifurcar” – criar um caminho alternativo para garantir que ninguém seja deixado de fora.
É como se houvesse um fiscal que fiscaliza o fiscal. Uma camada de proteção a mais.
Essa atualização está programada para o que eles chamam de “hard fork Hegota”, previsto para acontecer no final de 2026.
Abstração de contas – facilitando a vida do usuário comum
Outro ponto importante é a chamada “abstração de contas” (account abstraction, no inglês). Esse nome complicado esconde uma ideia bem prática.
Hoje, usar o Ethereum exige que você entenda um pouco de tecnologia. Você precisa de uma carteira digital, de uma chave privada, de entender taxas de rede… É muita coisa pra quem está começando. Muita gente desiste antes de chegar lá.
A abstração de contas vai tornar tudo isso mais simples. As carteiras vão funcionar mais como aplicativos de banco digital – você consegue recuperar o acesso se esquecer a senha, configurar pagamentos automáticos, definir limites de gasto. Muito mais próximo do que as pessoas já conhecem.
ZK-proofs – a criptografia do futuro
Aqui é onde as coisas ficam interessantes pra quem gosta de tecnologia.
ZK (de “Zero-Knowledge”, ou conhecimento zero) é um tipo de prova matemática que permite que você confirme uma informação sem revelar os dados por trás dela. Soa abstrato, mas funciona assim: imagine provar que você tem mais de 18 anos sem mostrar sua identidade, sua data de nascimento, ou qualquer outro dado pessoal. Só a confirmação: “sim, é maior de idade”. Pronto.
Buterin quer integrar esse sistema diretamente na camada principal do Ethereum, no que ele chama de “Beam Chain”. Isso tornaria a validação das transações muito mais eficiente e segura, sem sacrificar a privacidade dos usuários.
Outras mudanças na estrutura
Além dessas, Buterin também falou em reescrever a árvore de estados da rede (uma estrutura interna de dados), simplificar o mecanismo de consenso e fazer ajustes na máquina virtual que executa os contratos inteligentes.
São mudanças técnicas profundas. Mas o efeito que o usuário vai sentir é simples: uma rede mais rápida, mais segura e mais confiável.

E os bancos? O que eles têm a ver com isso?
Enquanto esses planos técnicos avançam, o mundo financeiro tradicional também começa a olhar pro Ethereum com outros olhos.
O banco francês BNP Paribas – um dos maiores do mundo, com atuação forte no Brasil também – anunciou recentemente um projeto piloto usando a rede Ethereum. A ideia é tokenizar cotas de um fundo de investimento do mercado monetário francês. Em português simples: transformar cotas desse fundo em ativos digitais registrados no blockchain do Ethereum.
Isso pode parecer coisa de outro mundo, mas pensa assim: é como se você pudesse comprar uma fração de um fundo de investimento diretamente pelo celular, sem corretora, sem burocracia, com registro automático e transparente na blockchain. Tudo isso com a segurança de um banco grande por trás.
O acesso ao fundo será restrito – só participantes autorizados poderão operar, dentro das regras regulatórias. Mas o simbolismo é enorme. Quando bancos do porte do BNP Paribas começam a usar o Ethereum, é porque a tecnologia está amadurecendo de verdade.
No Brasil, a gente já viu movimentos parecidos. O Banco Central brasileiro tem trabalhado no Drex, o real digital, que também usa tecnologia de blockchain. A tokenização de ativos financeiros é uma tendência global – e o Ethereum está bem posicionado pra ser a infraestrutura por trás de muita coisa.
A pressão dos concorrentes é real
Seria desonesto ignorar o outro lado da história.
A Solana, por exemplo, virou uma febre. A rede processa milhares de transações por segundo, com taxas que chegam a frações de centavo. Pra quem quer fazer uma transação rápida e barata, ela é muito atraente.
Outras redes, como Avalanche, Sui e Aptos, também disputam espaço com propostas de alto desempenho e experiências mais simples.
O Ethereum, por outro lado, tem taxas que às vezes chegam a valores altos demais para transações pequenas – o que afasta usuários casuais. E a fragmentação entre tantas camadas Layer 2 diferentes (Arbitrum, Optimism, Base, zkSync…) cria confusão. É como se você tivesse vários aplicativos de banco que não se conversam direito.
Essas críticas são legítimas. E é exatamente por isso que a mudança de estratégia do Ethereum faz sentido agora.
Essa “virada dura” é defesa ou evolução?
Boa pergunta. E a resposta é: provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo.
Tem um componente defensivo, claro. O Ethereum está sentindo a pressão dos concorrentes e precisa responder. Seria ingênuo negar isso.
Mas tem também uma visão de longo prazo. Buterin não está tentando copiar a Solana. Ele está apostando que, no futuro, o que vai importar não é só a velocidade, mas a segurança, a descentralização e a resistência à censura. Qualidades que redes mais centralizadas e rápidas podem ter dificuldade de garantir.
A aposta dele é que o Ethereum pode ser a “camada de liquidação” do mundo digital – a base confiável sobre a qual tudo o mais se apoia. Como o sistema de compensação entre bancos que ninguém vê, mas que faz tudo funcionar.
Se der certo, vai ser uma posição muito mais sólida do que simplesmente ser a rede mais rápida do mercado.

O que esperar daqui pra frente?
O hard fork Hegota está previsto pra acontecer no final de 2026. Antes disso, várias melhorias menores devem ser implementadas.
As mudanças mais profundas – como a integração completa de ZK-proofs e a reescrita da estrutura de dados – devem levar mais tempo. Estamos falando de um horizonte de três a cinco anos, talvez mais.
Mas o sinal que o mercado está recebendo agora é importante: o Ethereum não está parado. Está em movimento. E com uma direção clara.
Para o investidor brasileiro, isso é relevante. O ETH – como a criptomoeda do Ethereum é chamada – é um dos ativos mais negociados nas corretoras nacionais. Qualquer mudança significativa no protocolo afeta o preço, a adoção e o interesse institucional.
Não é uma recomendação de compra ou venda – isso é decisão sua, com a sua pesquisa. Mas acompanhar esse movimento é importante pra qualquer pessoa que queira entender o que está acontecendo no mundo cripto.
Um mercado que não para
O mundo das criptomoedas é assim: nunca para. Quando parece que uma coisa está consolidada, aparece uma novidade que muda tudo.
O Ethereum viveu isso na pele. De projeto promissor, virou líder de mercado. Depois foi desafiado. E agora está respondendo com uma das transformações mais ambiciosas da sua história.
Vai dar certo? Ninguém sabe com certeza. Mas a aposta de Vitalik Buterin e da comunidade do Ethereum é clara: melhor construir uma base sólida do que correr atrás de velocidade a qualquer custo.
E quem acompanha o mercado de perto sabe que, no longo prazo, solidez costuma vencer.
Esse assunto ainda vai dar o que falar – e o BlockNexo acompanha tudo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é o Ethereum, em linguagem simples? O Ethereum é uma rede de computadores descentralizada que permite criar e executar aplicativos digitais sem depender de uma empresa central. Ele tem sua própria moeda, o Ether (ETH), usada para pagar as operações dentro da rede.
2. Por que o Ethereum está mudando sua estratégia agora? Porque concorrentes como Solana e outras redes de alta performance ganharam popularidade com transações mais rápidas e baratas. O Ethereum percebeu que precisava fortalecer sua base tecnológica para manter relevância no longo prazo.
3. O que é o hard fork Hegota? É uma atualização planejada para a rede Ethereum, prevista para o final de 2026. “Hard fork” significa uma mudança significativa nas regras do protocolo. O Hegota vai trazer melhorias como o FOCIL e a abstração de contas.
4. O que é FOCIL e por que ele importa? FOCIL é um mecanismo que obriga os validadores da rede a incluírem todas as transações legítimas nos blocos. Isso evita que certos usuários sejam ignorados ou censurados dentro da rede Ethereum.
5. O que é abstração de contas e como ela vai me ajudar? É uma tecnologia que vai tornar o uso do Ethereum muito mais simples. Você poderá recuperar senhas, programar pagamentos automáticos e usar a rede de forma parecida com um aplicativo de banco digital, sem precisar entender os detalhes técnicos.
6. O que são ZK-proofs? São provas matemáticas que permitem confirmar uma informação sem revelar os dados por trás dela. No Ethereum, essa tecnologia vai tornar a validação de transações mais rápida, eficiente e privada.
7. O que o BNP Paribas está fazendo com o Ethereum? O banco francês está testando a tokenização de cotas de um fundo de investimento usando a rede Ethereum. Isso significa transformar cotas financeiras em ativos digitais registrados no blockchain.
8. O que é tokenização de ativos? É o processo de representar um ativo do mundo real – como cotas de fundos, imóveis ou ações – em forma de token digital em uma blockchain. Isso facilita a negociação, transferência e fracionamento desses ativos.
9. O Ethereum vai superar a Solana com essas mudanças? Não necessariamente no quesito velocidade pura. A estratégia do Ethereum é diferente: em vez de competir só em velocidade, ele quer ser a rede mais segura, descentralizada e resistente à censura – uma base confiável para todo o mercado.
10. Isso afeta o preço do ETH? Mudanças significativas no protocolo geralmente afetam o preço a longo prazo, mas o mercado de criptomoedas é muito volátil e influenciado por vários fatores. Essas atualizações podem aumentar a confiança institucional na rede, o que tende a ser positivo.
11. Essas mudanças têm relação com o Drex, o real digital brasileiro? Indiretamente, sim. Ambos usam tecnologia de blockchain e estão inseridos na tendência global de tokenização financeira. O Drex usa uma blockchain diferente, mas os conceitos por trás são parecidos.
12. O que é um “Layer 2” no Ethereum? É uma camada secundária construída sobre a rede principal do Ethereum para processar transações mais rapidamente e com menor custo. Exemplos incluem Arbitrum, Optimism e Base. O problema é que essa fragmentação pode complicar a experiência do usuário.
13. O Ethereum pode “quebrar” durante essas atualizações? O risco existe, mas é gerenciado com muito cuidado. A comunidade testa cada mudança extensivamente antes de implementá-la. Em 2022, a maior atualização da história do Ethereum – a migração para prova de participação – aconteceu sem grandes problemas.
14. Como posso acompanhar essas atualizações do Ethereum? Você pode seguir o site oficial ethereum.org, o perfil de Vitalik Buterin nas redes sociais, e portais especializados em criptomoedas. No Brasil, há vários canais e podcasts que traduzem e explicam essas novidades de forma acessível para o público geral.
Fonte: Cryptopolitan







