Guerra no Oriente Médio: Bitcoin Resiste a US$ 71 Mil Enquanto o Petróleo Explode Além dos US$ 100
O mundo acordou mais tenso nos últimos dias. A guerra envolvendo Irã e Estados Unidos, que começou no final de fevereiro de 2025, não dá sinais de arrefecer. E o impacto disso está chegando no bolso de todo mundo – das bombas de gasolina ao mercado financeiro, passando pelas criptomoedas.
Se você ainda não está acompanhando esse conflito, talvez seja hora de prestar mais atenção. Porque o que acontece no Oriente Médio afeta diretamente o preço do combustível no Brasil, o dólar, os investimentos e até aquele Bitcoin que você tem guardado na carteira digital.
Principais Conclusões
O Estreito de Hormuz: Uma Passagem Que Vale Ouro – Ou Melhor, Petróleo

Você já ouviu falar no Estreito de Hormuz? É uma faixa de mar estreita, lá no Golfo Pérsico, que conecta os maiores produtores de petróleo do mundo ao restante do planeta. Pense nele como uma rodovia. Mas não qualquer rodovia – é a BR-101 do petróleo mundial. Cerca de 20% de todo o petróleo que circula no planeta passa por ali.
E agora essa rodovia está bloqueada.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei – filho do antigo aiatolá Ali Khamenei – fez seu primeiro discurso público desde que assumiu o cargo e foi bem direto: o Estreito de Hormuz vai continuar fechado como “ferramenta de pressão contra o inimigo”. Sem negociação, sem recuo.
Isso jogou o mercado de petróleo de cabeça para cima.
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Petróleo Acima de US$ 100: O Que Isso Significa Para o Brasil?
O Brent – que é o petróleo de referência usada no mercado internacional, o mesmo que serve de base para os preços da Petrobras – fechou a US$ 100,46 por barril. É o valor mais alto desde agosto de 2022, lá nos tempos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
E por que isso importa aqui no Brasil?
Porque quando o petróleo sobe lá fora, a pressão por aumento nos combustíveis aqui dentro cresce junto. A Petrobras tenta equilibrar os preços internos, mas não tem como ignorar uma alta tão expressiva por muito tempo. Já sentimos isso em 2022. Pode voltar a acontecer.
Além disso, com o petróleo mais caro, a inflação no mundo inteiro tende a subir. Frete mais caro, produtos industrializados mais caros, e por aí vai. É uma reação em cadeia que começa no Golfo Pérsico e termina na prateleira do supermercado mais perto de você.
A Agência Internacional de Energia (AIE) tentou amortecer o choque anunciando a liberação de 400 milhões de barris das reservas de emergência dos países membros – a maior da história. Mas o mercado nem piscou. Os investidores sabem que esse estoque leva 120 dias para ser totalmente distribuído. E 120 dias é tempo demais para um conflito que está se intensificando.
Ataques no Golfo e a Ameaça dos US$ 200 por Barril
As coisas pioraram ainda mais com novos ataques a embarcações no Golfo Pérsico. Três navios estrangeiros foram atingidos em um único dia. Antes disso, dois petroleiros pegaram fogo em águas iraquianas, perto do porto de Umm Qasr – uma região estratégica para o escoamento do petróleo iraquiano.
As tripulações foram resgatadas com vida, mas o recado foi dado.
E o porta-voz militar do Irã, Ebrahim Zolfaqari, foi ainda mais incisivo: disse ao mundo para se preparar para o petróleo chegar a US$ 200 o barril. Duzentos dólares. Para ter uma ideia, isso seria quase o dobro do preço atual, que já está alto.
É ameaça? É blefe? Pode ser um pouco dos dois. Mas o mercado leva a sério. E quando o mercado leva a sério, os preços sobem de verdade.
Os Estados Unidos Entram em Campo: Autorização Para Comprar Petróleo Russo
Aqui tem um capítulo que parece contraditório, mas faz sentido dentro da lógica geopolítica atual.
O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que o governo americano autorizou temporariamente a compra de petróleo russo que está parado em alto-mar. São 124 milhões de barris espalhados em 30 pontos diferentes do globo, todos em embarcações aguardando destino.
A medida foi descrita como “temporária e de alcance limitado” – mas é significativa. Os EUA, que há anos lideram sanções contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, agora estão autorizando, mesmo que pontualmente, a compra do petróleo russo para tentar estabilizar o mercado global.
É a realpolitik em ação: quando a crise aperta, os princípios cedem espaço à necessidade.
Bessent também anunciou que a Marinha dos Estados Unidos vai começar a escolta de navios pelo Estreito de Hormuz “assim que for militarmente possível”. Sem data confirmada, mas o sinal é claro: Washington não vai deixar o bloqueio iraniano paralisar o fornecimento mundial de energia.

E o Bitcoin? Por Que Ele Está Subindo no Meio de Tudo Isso?
Agora chegamos na parte que muita gente está curiosa.
O Bitcoin estava sendo negociado a US$ 71.570 no momento em que esses dados foram apurados – uma alta de 7% desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Enquanto isso, as bolsas americanas despencavam: o S&P 500 caiu 1,52%, a Nasdaq recuou 1,78% e o Dow Jones fechou abaixo dos 47.000 pontos pela primeira vez no ano.
O ouro, que costuma ser o porto seguro tradicional em momentos de crise, ficou praticamente parado. Ross Norman, CEO da Metals Daily, explicou que a força do dólar e a alta dos juros dos títulos americanos tiram o brilho do metal amarelo nesses momentos.
Então por que o Bitcoin está indo bem enquanto tudo o mais cai?
Parte da resposta está na narrativa que foi se consolidando nos últimos anos: a de que o Bitcoin é “ouro digital” – um ativo que não depende de nenhum governo, não pode ser confiscado por nenhum país e serve como proteção em tempos de instabilidade política e econômica.
Quando o mundo fica mais incerto, uma parte dos investidores corre para o Bitcoin. Não é unanimidade – ainda há muita gente que prefere o dólar ou os títulos do Tesouro americano – mas a tendência existe e está se tornando cada vez mais visível.
O Mercado Cripto Ainda Está Com Medo
Apesar da alta do Bitcoin, seria errado dizer que o mercado cripto está eufórico. Muito pelo contrário.
O Índice de Medo e Ganância das Criptomoedas – que mede o sentimento geral dos investidores – estava em 15, em território de “Medo Extremo”. Isso significa que a maioria das pessoas está insegura, segurando a respiração, sem saber o que vai acontecer.
As taxas de financiamento do Bitcoin ficaram negativas desde o início de março, algo que não acontecia desde abril de 2025. Isso indica que muitos traders estão apostando na queda, e não na alta.
E o VIX – o índice que mede a volatilidade esperada nos mercados americanos, apelidado de “índice do medo” – saltou para 25. Um número alto, que reflete incerteza generalizada.
Então a alta do Bitcoin acontece num cenário de medo, não de otimismo. É uma alta diferente, mais parecida com fuga de risco do que com especulação.
Os Grandes Fundos Estão Voltando Para o Bitcoin
Um dado que não pode ser ignorado: depois de semanas de saída de dinheiro, os grandes investidores institucionais – bancos, fundos de investimento, gestoras de patrimônio – voltaram a colocar dinheiro em Bitcoin.
Os ETFs de Bitcoin nos EUA (fundos de investimento lastreados em Bitcoin real, negociados na bolsa americana como se fossem ações) sangraram US$ 3,8 bilhões em cinco semanas consecutivas até o final de fevereiro. Era muita gente saindo ao mesmo tempo.
Mas isso reverteu. Em uma única sessão na semana passada, entraram US$ 462 milhões nesses fundos. O maior responsável por essa virada foi o IBIT, o ETF da BlackRock – a maior gestora de ativos do mundo.
Quando a BlackRock compra Bitcoin, o mercado presta atenção. Não porque eles sejam infalíveis, mas porque o volume de recursos que movimentam é tão grande que, sozinhos, conseguem mudar a direção do mercado.

Brasil No Meio Da Tempestade
Para o brasileiro comum, tudo isso parece muito distante. Guerra no Oriente Médio, Bitcoin em dólar, estreito que nunca nem ouviu o nome… Mas os efeitos chegam aqui sim.
O dólar tende a se fortalecer em momentos de crise global, o que encarece importações e pressiona a inflação brasileira. O petróleo caro afeta o custo do frete, que afeta o preço de tudo o que circula no país. E as criptomoedas, que cada vez mais fazem parte do portfólio de brasileiros – somos um dos países com mais adoção de cripto no mundo -, também entram nessa equação.
Se você tem Bitcoin guardado, essa alta pode ser uma boa notícia no curto prazo. Se você está pensando em comprar, o momento pede cautela: o mercado ainda está em território de medo, e uma reversão brusca é possível.
Se você não tem nenhum investimento e apenas se preocupa com o preço da gasolina – bem-vindo ao clube. Quanto mais o conflito se arrastar, maior a chance de sentir no bolso.
O Que Esperar Dos Próximos Dias?
Ninguém tem bola de cristal. Mas alguns pontos merecem atenção:
A Marinha americana ainda não começou a escolta de navios pelo Estreito de Hormuz. Quando começar, pode gerar tensão adicional ou, ao contrário, ajudar a estabilizar o fornecimento.
As reservas estratégicas de petróleo dos EUA estão sendo liberadas – 172 milhões de barris ao longo dos próximos 120 dias. Isso vai chegar ao mercado, mas leva tempo.
O Irã, por enquanto, não dá sinais de recuo. E enquanto o Estreito permanecer bloqueado, o petróleo permanece sob pressão.
O Bitcoin vai continuar sendo observado de perto. Se ele segurar os US$ 71 mil com esse nível de medo no mercado, pode ser um sinal de força real. Se cair, pode arrastar outras criptomoedas consigo.
O mundo está num momento delicado. E como costuma acontecer nessas horas, quem se mantém informado tem mais condições de tomar decisões melhores – seja nos investimentos, seja nas escolhas do dia a dia.
Fique de olho. As próximas semanas vão ser movimentadas.
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Perguntas Frequentes
1. O que é o Estreito de Hormuz e por que ele é tão importante? O Estreito de Hormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Irã e a Península Arábica. Aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa por ali diariamente. Quando ele é bloqueado ou ameaçado, o mercado global de energia entra em colapso instantaneamente.
2. Por que o petróleo passou de US$ 100 o barril? O novo líder supremo do Irã anunciou que manteria o Estreito de Hormuz fechado como pressão contra seus inimigos. Isso interrompeu o fornecimento de uma parte enorme do petróleo mundial, desequilibrando a oferta e a demanda e empurrando os preços para cima.
3. O preço da gasolina no Brasil vai subir por causa disso? Há pressão para que isso aconteça. A Petrobras tenta equilibrar os preços internos, mas com o petróleo internacional acima de US$ 100, essa manutenção fica cada vez mais difícil. Se o conflito durar mais semanas, as chances de reajuste aumentam.
4. Por que o Bitcoin está subindo enquanto as bolsas caem? Uma parte dos investidores está tratando o Bitcoin como reserva de valor em tempos de crise, semelhante ao ouro. Por não depender de nenhum governo ou banco central, ele atrai quem busca proteção contra instabilidade geopolítica e monetária.
5. O ouro não deveria subir em momentos de crise? Normalmente sim. Mas neste conflito, o dólar americano ficou mais forte e os juros dos títulos do Tesouro americano subiram, o que compete diretamente com o ouro. Investidores preferiram o dólar e os títulos ao metal, mantendo o ouro praticamente estável.
6. O que é o ETF de Bitcoin e por que a volta dos grandes fundos importa? ETF de Bitcoin é um fundo de investimento negociado em bolsa que acompanha o preço do Bitcoin real. Quando grandes gestoras como a BlackRock investem nesses fundos, isso sinaliza confiança institucional no ativo, o que tende a atrair ainda mais capital e sustentar os preços.
7. O que significa o Índice de Medo e Ganância em 15? Esse índice vai de 0 a 100. Quanto mais próximo de 0, maior o medo dos investidores. O valor 15 está em território de “Medo Extremo”, indicando que a maioria do mercado está insegura, cautelosa e evitando apostas agressivas.
8. Por que os EUA autorizaram a compra de petróleo russo? Foi uma medida emergencial para tentar estabilizar o mercado de energia durante a crise. Com o petróleo iraniano bloqueado, os EUA precisavam de alternativas rápidas, e o petróleo russo parado em alto-mar era uma opção disponível – mesmo que temporariamente contraditória às políticas de sanções vigentes.
9. O conflito pode mesmo levar o petróleo a US$ 200 o barril? O porta-voz militar do Irã fez essa ameaça. Analistas consideram esse valor extremo, mas não impossível caso o conflito se intensifique e o bloqueio do Estreito de Hormuz persista por meses. Seria o maior preço da história do petróleo.
10. Como o conflito no Oriente Médio afeta o dólar no Brasil? Crises geopolíticas globais tendem a fortalecer o dólar, pois investidores do mundo todo buscam segurança na moeda americana. Um dólar mais forte pressiona o real para baixo, encarece importações e pode alimentar a inflação no Brasil.
11. O Brasil produz petróleo. Isso nos protege da crise? Em parte, sim. O Brasil é um grande produtor de petróleo pelo pré-sal e tem certa autonomia energética. Mas o mercado interno ainda é influenciado pelos preços internacionais. Além disso, o Brasil exporta petróleo e importa derivados refinados, o que complica a equação.
12. Vale a pena comprar Bitcoin agora durante essa crise? Esse é um assunto de decisão pessoal e perfil de risco. O mercado ainda está em território de medo extremo, o que historicamente pode ser uma oportunidade de compra – mas também pode indicar quedas adicionais antes de uma recuperação. É fundamental consultar um assessor financeiro antes de tomar qualquer decisão.
13. A Marinha americana vai resolver o bloqueio do Estreito de Hormuz? A escolta de navios anunciada pode ajudar a garantir a passagem segura de embarcações comerciais, reduzindo o risco de novos ataques. Mas isso não significa que o conflito vai terminar – apenas que o fornecimento de petróleo pode se normalizar parcialmente enquanto as negociações seguem.
14. Onde posso acompanhar as atualizações sobre esse conflito e seus impactos no mercado? Portais internacionais como Reuters, CNBC e Bloomberg cobrem o conflito em tempo real. Para o impacto no mercado cripto, sites especializados como CoinDesk e CryptoDaily Alert trazem análises atualizadas. No Brasil, veículos como Valor Econômico e InfoMoney também acompanham os reflexos na economia nacional.
Fonte: CryptoDailyAlert







