JPMorgan Vê Alívio para Mineradores

JPMorgan Vê Alívio para Mineradores: Custo de Produção do Bitcoin Cai e Abre Oportunidades

Bitcoin – essa palavra que já fez muita gente ficar milionária e outros perder o sono. Se você acompanha o mercado de criptomoedas, ou mesmo se só ouviu falar de vez em quando, provavelmente já se perguntou: de onde vem esse Bitcoin? Como ele é “fabricado”? E quanto custa pra isso?

Pois bem, recentemente o JPMorgan – um dos maiores bancos do mundo, sediado nos Estados Unidos – divulgou um relatório que agitou o mercado cripto. Segundo os analistas do banco, o custo para “minerar” um Bitcoin caiu de forma significativa. E isso muda bastante o jogo pra todo mundo que está dentro desse mercado.

Primeiro, o que é mineração de Bitcoin?

JPMorgan Vê Alívio para Mineradores Custo de Produção do Bitcoin Cai e Abre Oportunidades
JPMorgan Vê Alívio para Mineradores Custo de Produção do Bitcoin Cai e Abre Oportunidades

Calma, que antes de entrar nas análises do JPMorgan, vale a pena explicar o básico. Afinal, nem todo mundo tem intimidade com esse universo.

Minerar Bitcoin não é como minerar ouro no Garimpo. É um processo digital. Computadores potentes, espalhados pelo mundo todo, ficam resolvendo cálculos matemáticos complexos o tempo todo. Quem consegue resolver primeiro, ganha uma recompensa em Bitcoin. É tipo um campeonato, onde o prêmio é moeda digital.

Mas esse processo consome muita energia elétrica. E energia custa dinheiro. Por isso, existe um “custo de produção” para cada Bitcoin minerado – assim como existe um custo pra produzir qualquer coisa, desde um par de tênis até um carro.

Para começar hoje com segurança: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim

O que o JPMorgan descobriu?

De acordo com o relatório divulgado pelo banco, o custo médio para minerar um Bitcoin caiu de cerca de US$ 90.000 para aproximadamente US$ 77.000. Em reais, estamos falando de uma queda expressiva – de algo em torno de R$ 540.000 para R$ 462.000, dependendo da cotação do dólar.

Pode parecer que ainda é um valor muito alto. E é. Mas essa queda representa um alívio real para as empresas e pessoas que vivem da mineração de criptomoedas.

Nikolaos Panigirtzoglou, diretor executivo e analista-chefe do JPMorgan responsável pelo relatório, explica que a queda no custo está diretamente ligada à redução no que o mercado chama de “hashrate” – que é, basicamente, o poder computacional total da rede Bitcoin. Quando menos máquinas estão minerando, menos energia é consumida, e o custo cai.

Por que o hashrate caiu?

Boa pergunta. Não foi por acaso.

A rede do Bitcoin tem um mecanismo inteligente chamado “dificuldade de mineração”. Funciona assim: se tem muita gente minerando, o sistema aumenta automaticamente a dificuldade dos cálculos. Se tem pouca gente, ele facilita. Isso garante que novos Bitcoins sejam criados num ritmo constante – mais ou menos a cada dez minutos.

Pois bem, essa dificuldade caiu cerca de 15% desde o começo deste ano. Segundo os analistas do JPMorgan, foi a maior queda desde quando a China proibiu a mineração de Bitcoin, lá em 2021. Naquela época, a dificuldade despencou quase 45% de uma vez.

Mas por que a dificuldade caiu agora? Dois motivos principais:

1. O preço do Bitcoin caiu. Com o Bitcoin valendo menos, minerar deixou de ser lucrativo para muitos operadores – especialmente aqueles que usam equipamentos antigos ou que pagam caro pela energia elétrica. Quando não vale mais a pena, as máquinas são desligadas.

2. Tempestades de inverno nos EUA. Pode parecer estranho, mas o clima influencia muito o mercado cripto. Os Estados Unidos, especialmente o Texas, são um dos maiores centros de mineração do mundo. Chuvas e tempestades intensas durante o inverno americano obrigaram operadoras a desligarem seus equipamentos para proteger a rede elétrica. Com menos máquinas ligadas, o hashrate despencou.

Quem se beneficia com essa queda?

Aqui está a parte interessante. Quando os mineradores mais fracos ou mais caros saem do jogo, quem fica são justamente os mais eficientes. E com menos concorrentes, esses mineradores passam a ter mais chances de ganhar as recompensas em Bitcoin.

Imagina assim: você está numa corrida de 100 metros rasos. Se metade dos corredores desiste antes de chegar na reta final, suas chances de ganhar o primeiro lugar aumentam bastante, né? É exatamente isso que acontece com a mineração.

O JPMorgan ressalta que esse cenário é positivo para os operadores que sobreviveram à turbulência. Com menos competição, eles conseguem capturar uma fatia maior das recompensas da rede. E com o custo de produção mais baixo, as margens de lucro ficam mais saudáveis.

A “capitulação” dos mineradores fracos

No mercado cripto, existe um termo chamado “capitulação”. Não tem nada a ver com militar – na verdade, é usado quando os investidores ou mineradores que estão perdendo dinheiro decidem vender tudo e sair. É o momento em que eles jogam a toalha.

Esse processo, embora pareça negativo, costuma ser saudável para o mercado a longo prazo. É como uma faxina geral: quem não consegue se sustentar sai, e quem fica tende a ser mais forte e eficiente.

Algo similar aconteceu em 2021, quando a China proibiu a mineração de Bitcoin de uma vez. Na época, houve um caos inicial, muita gente vendeu, os preços caíram, mas depois de alguns meses, os mineradores que se reinstalaram em outros países – inclusive nos EUA e no Cazaquistão – ficaram ainda mais fortes.

Custo de produção como “piso de preço”

Historicamente, o custo médio de produção do Bitcoin funciona como uma espécie de “preço mínimo informal”. Isso porque, abaixo desse valor, os mineradores começam a operar no prejuízo. E quando está no prejuízo, a tendência é desligar as máquinas ou vender o Bitcoin reservado pra cobrir os custos.

Esse movimento, por sua vez, pressiona o preço pra baixo. Mas também cria um piso: se o preço cair demais, os mineradores mais fracos saem, o custo de produção cai junto, e o equilíbrio vai sendo restaurado.

Com o custo atual em torno de US$ 77.000, alguns analistas acreditam que o Bitcoin encontraria suporte próximo a esse valor – ou seja, teria dificuldade de cair muito abaixo disso por um período sustentado.

O lado sombrio: vendas forçadas de Bitcoin

Não tudo é positivo nessa história. Alguns mineradores, especialmente os que estão com dívidas ou que estão migrando para o setor de inteligência artificial – sim, algumas empresas de mineração de Bitcoin estão fazendo essa transição – precisaram vender parte das suas reservas de Bitcoin para cobrir despesas do dia a dia.

Essa pressão de venda adicional ajudou a puxar o preço do Bitcoin pra baixo ao longo do ano. É um efeito cascata: preço cai, mineradores vendem, preço cai mais, mais mineradores vendem…

Mas o JPMorgan acredita que o pior dessa fase já passou. Com os mineradores mais fracos tendo saído, a pressão de venda tende a diminuir, e o mercado pode se estabilizar.

Sinais de recuperação já aparecem

Uma das boas notícias do relatório é que o banco já observa sinais de que o hashrate está se recuperando. Ou seja: novas máquinas estão voltando a ser ligadas, ou novas operadoras estão entrando no mercado.

Se essa tendência continuar, a dificuldade de mineração pode voltar a subir nas próximas semanas. E com ela, o custo de produção também tende a aumentar. Então, o atual patamar de US$ 77.000 pode ser uma janela temporária.

JPMorgan otimista com o mercado cripto em 2026

Além do relatório sobre mineração, o JPMorgan publicou separadamente uma análise sobre perspectivas para investimentos alternativos. E as criptomoedas aparecem com destaque.

O banco acredita que, em 2026, os investidores institucionais – ou seja, fundos de pensão, fundos de investimento, grandes empresas e bancos – vão aumentar sua exposição a ativos digitais. Não seriam mais os investidores individuais movendo o mercado, mas grandes players com bilhões de dólares.

Para isso acontecer, porém, os analistas apontam que é fundamental que os Estados Unidos avancem na regulamentação das criptomoedas. Eles citam iniciativas como o “Clarity Act” – uma lei em discussão no Congresso americano que buscaria criar regras mais claras para o mercado cripto. Com mais segurança jurídica, investidores maiores se sentiriam mais confortáveis para entrar.

Essa discussão de regulação cripto também repercute no Brasil. Por aqui, a Receita Federal já exige declaração de criptoativos, e o Banco Central vem desenvolvendo o Real Digital. O mercado brasileiro é cada vez mais atento às movimentações internacionais.

A meta de longo prazo: Bitcoin a US$ 266 mil?

Prepare-se, porque esse número pode surpreender. O JPMorgan mantém uma meta de longo prazo de US$ 266.000 para o Bitcoin. Isso mesmo – mais de um quarto de milhão de dólares por unidade.

Mas como eles chegaram nesse número? A lógica é comparar o Bitcoin com o ouro. O raciocínio é o seguinte: muitos investidores compram ouro como proteção em momentos de crise econômica – o que os especialistas chamam de “hedge” contra riscos extremos. Se o Bitcoin ganhar essa mesma credibilidade de “reserva de valor”, a demanda pode crescer exponencialmente.

O JPMorgan ajusta essa comparação pela volatilidade – afinal, o Bitcoin oscila muito mais do que o ouro – e chega à estimativa de US$ 266.000.

É uma projeção de longo prazo, não uma previsão para amanhã. Mas mostra que os grandes bancos já encaram o Bitcoin com seriedade.

O que esperar daqui pra frente?

Com o custo de produção mais baixo e os mineradores ineficientes tendo saído do mercado, o cenário para os próximos meses parece mais equilibrado. O mercado já passou pela fase mais dura do ajuste.

O Bitcoin estava sendo negociado em torno de US$ 65.660 no momento em que o relatório foi divulgado – uma queda de mais de 1% nas últimas 24 horas naquele período.

Mas o JPMorgan enxerga um horizonte mais positivo à frente, especialmente se a regulamentação americana avançar e os investidores institucionais aumentarem sua participação. Para os mineradores que sobreviveram à turbulência, os dias mais difíceis podem ter ficado para trás.

Se você é investidor – seja de Bitcoin, seja de ações de empresas de mineração – esse relatório do JPMorgan é um sinal de que o setor está passando por um processo de maturação. E mercados maduros, em geral, são mais sólidos e menos voláteis no longo prazo.

Vale acompanhar de perto.

Se isso despertou sua curiosidade, o BlockNexo aprofunda o assunto.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que é mineração de Bitcoin? Mineração de Bitcoin é o processo pelo qual computadores potentes resolvem cálculos matemáticos complexos para validar transações na rede Bitcoin. Como recompensa por esse trabalho, os mineradores recebem novos Bitcoins. É um processo que consome muita energia elétrica e exige equipamentos especializados.

2. Por que o custo de mineração caiu? O custo caiu principalmente porque o preço do Bitcoin diminuiu, tornando a mineração inviável para operadores com custos altos. Isso fez com que muitos desligassem seus equipamentos, reduzindo o poder computacional total da rede (hashrate) e consequentemente a dificuldade – o que baixou o custo para quem continuou operando.

3. O que é hashrate? Hashrate é a medida do poder computacional total utilizado para minerar Bitcoin em toda a rede. Quanto maior o hashrate, mais máquinas estão minerando e mais difícil é o processo. Quando cai, menos máquinas estão ativas, a dificuldade diminui e os custos recuam.

4. Qual é o atual custo de produção de um Bitcoin segundo o JPMorgan? Segundo o relatório do JPMorgan, o custo médio de produção de um Bitcoin caiu de cerca de US$ 90.000 para aproximadamente US$ 77.000 desde o início do ano, impulsionado pela redução do hashrate e da dificuldade de mineração.

5. O que é “dificuldade de mineração”? É um mecanismo automático da rede Bitcoin que ajusta o nível de complexidade dos cálculos a cada duas semanas aproximadamente. Se muitas máquinas estão minerando, a dificuldade sobe. Se poucas estão, ela cai. Isso garante que novos blocos sejam adicionados à rede de forma constante, em média a cada dez minutos.

6. O que foi a proibição da mineração na China em 2021 e como ela se compara ao cenário atual? Em 2021, o governo chinês proibiu a mineração de Bitcoin no país, o que causou uma queda de cerca de 45% na dificuldade de mineração entre maio e julho daquele ano. O cenário atual é menor em proporção – uma queda de 15% – mas ainda assim é o mais significativo desde aquele episódio histórico.

7. O que significa “capitulação” no mercado cripto? Capitulação é quando investidores ou mineradores que estão operando no prejuízo decidem encerrar suas atividades e vender seus ativos. Embora pareça negativo no curto prazo, costuma representar a saída dos agentes mais fracos do mercado, preparando o terreno para uma recuperação mais sólida.

8. Por que alguns mineradores estão vendendo suas reservas de Bitcoin? Alguns mineradores precisam vender suas reservas para pagar despesas operacionais, quitar dívidas ou financiar a transição de seus negócios para outros setores – como inteligência artificial. Esse processo de venda adiciona pressão sobre o preço do Bitcoin.

9. O custo de produção realmente funciona como um “piso” de preço para o Bitcoin? Historicamente sim. Como os mineradores tendem a não querer vender abaixo do custo de produção, o preço costuma encontrar suporte próximo a esse nível. No entanto, isso não é uma garantia – em momentos de grande pressão, o preço pode cair temporariamente abaixo desse valor.

10. O JPMorgan é favorável ao Bitcoin? O JPMorgan tem uma postura cada vez mais positiva em relação ao Bitcoin. O banco mantém uma meta de longo prazo de US$ 266.000 para a criptomoeda e acredita que o aumento de regulamentação nos EUA vai impulsionar a participação de investidores institucionais no mercado cripto.

11. O que são investidores institucionais e por que eles importam para o Bitcoin? Investidores institucionais são grandes entidades como fundos de pensão, fundos de investimento, bancos e seguradoras. Quando entram num mercado, trazem grandes volumes de capital. No caso do Bitcoin, a entrada mais robusta desse tipo de investidor poderia elevar significativamente a demanda e, consequentemente, o preço.

12. O que é o “Clarity Act” citado pelo JPMorgan? É uma proposta legislativa em discussão no Congresso americano que tem como objetivo criar regras mais claras para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. Uma regulamentação mais definida tenderia a dar mais segurança jurídica para grandes investidores entrarem no setor.

13. Como o cenário do mercado cripto americano afeta os investidores brasileiros? O Brasil acompanha de perto as tendências internacionais no mercado cripto. Uma maior regulamentação nos EUA tende a legitimar ainda mais os ativos digitais globalmente, o que pode aumentar a confiança e a participação de investidores brasileiros. Além disso, os preços do Bitcoin são globais – o que acontece lá fora reflete diretamente aqui.

14. Vale a pena investir em Bitcoin agora, com base nesse relatório do JPMorgan? Essa é uma decisão pessoal que depende do perfil de cada investidor, dos seus objetivos financeiros e da sua tolerância ao risco. O relatório do JPMorgan oferece uma visão positiva de longo prazo, mas o Bitcoin continua sendo um ativo de alta volatilidade. Antes de qualquer investimento, é sempre recomendável consultar um assessor financeiro credenciado e estudar bem o mercado.

Fonte: Cryptopolitan

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