Nvidia volta a ganhar força com abertura do mercado chinês para chips de inteligência artificial
Se você acompanha o mercado de tecnologia, provavelmente já ouviu falar da Nvidia. A gigante dos chips se tornou praticamente sinônimo de inteligência artificial nos últimos anos. E agora, depois de um período meio conturbado, a empresa está mostrando sinais de recuperação. O motivo? A China.
Pois é, o mercado chinês está voltando a abrir as portas para os chips da Nvidia, e isso tem deixado os investidores animados de novo. Vamos entender melhor essa história toda?
Principais Conclusões
Quando tudo parecia ir bem demais

Lá em outubro do ano passado, a Nvidia fez história. A empresa foi a primeira do mundo a alcançar uma avaliação de mercado de impressionantes 5 trilhões de dólares. Para ter uma ideia do que isso significa, é mais ou menos o equivalente a todo o PIB do Brasil. Coisa de outro mundo, né?
Mas como diz aquele ditado: nem tudo que reluz é ouro. Ou melhor, nem tudo que sobe fica lá em cima para sempre.
Logo depois desse recorde histórico, as ações da Nvidia começaram a cair em novembro. E não foi pouca coisa, não. O pessoal do mercado começou a ficar com medo de que toda essa empolgação com inteligência artificial pudesse ser uma “bolha” prestes a estourar. Sabe quando algo fica tão valorizado que parece bom demais para ser verdade? Então, foi mais ou menos isso que aconteceu.
Além disso, tinha outro problema: as restrições para vender chips avançados para a China. O modelo H200, que é um dos chips mais potentes da empresa, estava praticamente impedido de chegar ao gigante asiático. E isso pesou bastante, porque a China é um mercado enorme para tecnologia.
Para entender e operar com mais confiança: Os 8 Padrões Mais Assertivos do Mercado Por Felipe Trader
A virada de jogo
Mas as coisas mudaram. E mudaram para melhor.
Em dezembro, veio uma notícia que animou todo mundo. O então presidente eleito Donald Trump deu o sinal verde para que a Nvidia pudesse voltar a vender seus chips H200 para empresas chinesas aprovadas. Tem um detalhe: a empresa precisa repassar 25% dos lucros dessas vendas para o governo americano. É como se fosse uma “taxa” pela permissão de fazer negócios com a China.
Pode parecer muito, mas para a Nvidia ainda vale a pena. O mercado chinês é gigantesco e tem uma fome insaciável por tecnologia de inteligência artificial. Empresas de lá estão investindo pesado em IA, e precisam dos melhores chips disponíveis. E, convenhamos, quando se fala em chips para inteligência artificial, a Nvidia é praticamente imbatível.
Agora, a expectativa é que já em fevereiro deste ano os primeiros chips H200 comecem a ser enviados para a China. E mais: não é só o H200 que está fazendo sucesso por lá. Os chips mais antigos também estão tendo uma procura enorme, e já tem gente pedindo os modelos mais novos, como o Blackwell e até o Rubin, que é a próxima geração que ainda nem foi lançada oficialmente.
Os números não mentem
Quando a gente olha para os resultados financeiros da Nvidia, fica fácil entender por que tanta gente investe na empresa.
Em novembro do ano passado, a companhia divulgou os números do terceiro trimestre. E foram números de dar inveja em qualquer empresa. A Nvidia registrou um lucro de 1,30 dólar por ação, com vendas totais de 57 bilhões de dólares. Para quem não está acostumado com esses valores astronômicos, pense assim: é como se a empresa tivesse faturado mais de 300 bilhões de reais em apenas três meses.
E o melhor: esses resultados superaram as expectativas dos analistas. O mercado esperava algo em torno de 1,26 dólar por ação e 55 bilhões em receita. Ou seja, a Nvidia entregou mais do que prometeu.
Agora, todo mundo está de olho nos resultados do quarto trimestre, que serão divulgados no dia 25 de fevereiro. As projeções dos especialistas são ainda mais otimistas. Eles esperam um crescimento de 70% nos lucros, chegando a 1,51 dólar por ação. Já as vendas devem aumentar 62%, atingindo 65,4 bilhões de dólares.
São números impressionantes, não é mesmo? Mas refletem a realidade: o mundo todo está correndo atrás de inteligência artificial, e para fazer IA de verdade, você precisa de chips poderosos. E é aí que entra a Nvidia.
O mercado de inteligência artificial está em alta
Vamos ser sinceros: todo mundo está falando de inteligência artificial hoje em dia. Não é só papo furado, não. A IA está mesmo transformando tudo ao nosso redor.
Desde aqueles assistentes virtuais que respondem perguntas até sistemas complexos que ajudam médicos a diagnosticar doenças, passando por carros autônomos e ferramentas que criam imagens e textos (como aqueles geradores de arte digital que viraram febre), tudo isso precisa de muito poder de processamento. E é justamente esse o negócio da Nvidia: fabricar os chips que fazem toda essa mágica acontecer.
O ChatGPT, por exemplo, que todo mundo conhece, roda em servidores equipados com chips da Nvidia. As empresas que desenvolvem carros que dirigem sozinhos? Nvidia. Os estúdios de cinema que criam efeitos especiais incríveis? Nvidia de novo.
É como se a empresa tivesse se tornado a fornecedora de combustível para essa revolução tecnológica toda. E quando você é a única (ou quase a única) capaz de fornecer esse “combustível” de alta qualidade, seu valor dispara.
Mas nem tudo são flores
Apesar de todo esse sucesso, existem algumas preocupações no ar. E é bom a gente falar sobre elas também, porque nada na vida é perfeito.
Uma das questões que tem deixado os analistas de cabelo em pé é algo chamado de “financiamento circular”. Parece complicado, mas é mais simples do que parece. Funciona assim: a Nvidia investe em startups de tecnologia, como a OpenAI (aquela do ChatGPT) e outras empresas. E aí essas mesmas empresas usam o dinheiro que receberam para… comprar chips da Nvidia.
Viu o problema? É meio que um ciclo. A Nvidia coloca dinheiro nas empresas, e esse dinheiro volta para ela na forma de vendas de chips. Isso pode estar inflando artificialmente os números de vendas. É como se você emprestasse dinheiro para alguém, mas com a condição de que a pessoa comprasse seus produtos. No final, o dinheiro volta para você, mas será que isso é sustentável a longo prazo?
Alguns especialistas estão preocupados que isso possa criar uma bolha. Se essas startups não conseguirem gerar receita de verdade e dependerem só de investimentos, em algum momento a conta não vai fechar. E quando isso acontecer, a Nvidia pode sentir o impacto nas vendas.
Outro ponto de atenção é o movimento dos grandes fundos de investimento. Embora os fundos ainda detenham 41% das ações da empresa, tem sinais de que eles estão vendendo suas posições aos poucos. Isso não é necessariamente uma catástrofe, mas é um sinal de alerta. Quando os grandes investidores institucionais começam a se desfazer de ações, geralmente é porque eles enxergam algum risco no horizonte.

A concorrência está chegando
Por mais dominante que a Nvidia seja hoje, ninguém fica sozinho no topo para sempre. Outras empresas estão correndo atrás.
A AMD, que é a grande rival histórica da Nvidia, está investindo pesado em chips para inteligência artificial. A Intel, gigante dos processadores, também está tentando entrar nesse mercado. E tem mais: empresas como Google, Amazon e até a própria Apple estão desenvolvendo seus próprios chips de IA para uso interno.
Isso significa que a Nvidia pode perder mercado? Talvez. Mas por enquanto, ela ainda tem uma vantagem tecnológica considerável. Seus chips são mais eficientes, mais poderosos e contam com um ecossistema de software maduro que facilita muito a vida dos desenvolvedores.
É como comparar o iPhone quando foi lançado com os concorrentes da época. Tecnicamente, outros smartphones já existiam, mas o iPhone era superior em vários aspectos. A Nvidia está numa posição parecida hoje: mesmo com concorrentes, ela ainda é a escolha preferida da maioria.
O que esperar do futuro próximo?
Esta semana está acontecendo a CES, que é uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, lá em Las Vegas. Todo ano, as empresas aproveitam esse evento para anunciar novidades e mostrar o que têm de mais avançado.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang (aquele senhor sempre de jaqueta de couro preta), deve fazer apresentações importantes por lá. A expectativa é que ele fale sobre robôs com inteligência artificial, simulações avançadas, criação de conteúdo usando IA e, claro, jogos de videogame – que sempre foram um mercado importante para a empresa.
Os investidores estão ansiosos por novidades que possam impulsionar ainda mais as ações. Todo mundo quer saber: qual é o próximo grande salto da Nvidia? Que tecnologia revolucionária está por vir?
Vale a pena investir na Nvidia?
Essa é a pergunta de milhões (literalmente, de milhões de dólares). E a resposta honesta é: depende.
Se você olhar para os indicadores técnicos, a coisa fica interessante. A Nvidia tem uma classificação de 99 em 100 no quesito lucro por ação, o que significa que ela está entre as melhores empresas nesse aspecto. A força geral da ação, que considera vários fatores, também está em 99 de 100. Nos últimos 52 semanas, as ações da empresa tiveram desempenho melhor que 87% de todas as outras ações do mercado.
Por outro lado, o fato dos grandes fundos estarem vendendo suas posições é um sinal de cautela. E aquela questão do financiamento circular também pesa na decisão.
O que os especialistas recomendam é diversificação. Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta, como diz o ditado. Se você tem interesse em investir em tecnologia e inteligência artificial, a Nvidia pode fazer parte do seu portfólio, mas não deveria ser o único investimento.
É importante também lembrar que estamos falando de um mercado volátil. As ações de tecnologia podem subir muito rápido, mas também podem cair na mesma velocidade. Quem investe precisa ter estômago para aguentar essas oscilações.
A importância da China no jogo
Não dá para falar da Nvidia sem entender a importância da China nessa equação toda. O mercado chinês representa uma fatia enorme das vendas potenciais de chips de inteligência artificial.
A China tem investido bilhões (na verdade, trilhões de yuan) em se tornar uma potência em inteligência artificial. O governo de lá estabeleceu metas ambiciosas para liderar o setor até 2030. Empresas chinesas estão desenvolvendo desde assistentes virtuais até sistemas de reconhecimento facial, passando por carros autônomos e cidades inteligentes.
Para fazer tudo isso, eles precisam de chips. Muitos chips. E chips bons.
Durante um tempo, as restrições americanas impediram que a Nvidia vendesse seus produtos mais avançados para lá. Foi um período difícil. Mas agora, com a flexibilização dessas regras, o potencial de vendas é enorme.
Claro que ainda existem tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China. Ninguém sabe como isso vai evoluir. Novas restrições podem surgir, acordos podem ser desfeitos. Mas por enquanto, o caminho está aberto, e a Nvidia pretende aproveitar.
Concorrência interna na China
Um detalhe interessante: enquanto a Nvidia estava proibida de vender na China, empresas locais tentaram preencher esse vazio. Companhias chinesas como a Huawei começaram a desenvolver seus próprios chips de IA.
Esses chips são tão bons quanto os da Nvidia? Não ainda. Mas estão melhorando. E em alguns anos, podem se tornar alternativas viáveis, pelo menos para o mercado interno chinês.
Isso cria um senso de urgência para a Nvidia. A empresa precisa conquistar e manter sua fatia de mercado na China agora, enquanto ainda tem vantagem tecnológica. Se esperar muito, pode ser tarde demais.

O que isso tudo significa para nós brasileiros?
Você pode estar pensando: “Tudo bem, mas o que isso tem a ver comigo, aqui no Brasil?”
Mais do que você imagina. Primeiro, muitos brasileiros investem em ações americanas através de corretoras internacionais ou fundos que incluem empresas de tecnologia. Entender o movimento dessas ações ajuda a tomar decisões melhores.
Segundo, a tecnologia desenvolvida pela Nvidia (e seus concorrentes) eventualmente chega aqui. Aqueles aplicativos de IA que usamos, os sistemas de segurança com reconhecimento facial, até mesmo melhorias em videogames e programas de edição de vídeo – tudo isso passa pelos chips que essas empresas desenvolvem.
E tem mais: à medida que a inteligência artificial se torna mais acessível e poderosa, surgem oportunidades de negócio aqui no Brasil. Startups brasileiras podem desenvolver soluções inovadoras usando essas tecnologias. Profissionais podem se especializar nessas áreas. É um efeito cascata.
Considerações finais
A história da Nvidia é fascinante porque mostra como uma empresa conseguiu se posicionar no lugar certo, na hora certa. Quando a inteligência artificial começou a explodir, eles já tinham a tecnologia pronta. Não foi sorte, foi visão de futuro.
Agora, com a reabertura do mercado chinês, a empresa tem uma nova oportunidade de crescimento. Mas também enfrenta desafios: concorrência aumentando, preocupações com a sustentabilidade do modelo de negócio, e as eternas incertezas geopolíticas.
Para investidores, é um momento de ficar atento. As próximas semanas e meses serão cruciais. Os resultados do quarto trimestre, os anúncios na CES, e principalmente o início das vendas para a China vão dar uma direção mais clara de onde a empresa está indo.
Uma coisa é certa: a inteligência artificial não vai desaparecer. Pelo contrário, só tende a crescer. E enquanto a IA crescer, empresas como a Nvidia terão seu lugar ao sol. A questão é por quanto tempo e com que intensidade.
O futuro é promissor, mas como sempre no mercado financeiro, nada está garantido. É preciso acompanhar de perto, analisar com cuidado, e nunca investir mais do que você pode perder.
Aqui o assunto não para: no BlockNexo tem sempre coisa nova.
Perguntas Frequentes
1. O que exatamente a Nvidia faz?
A Nvidia fabrica chips (processadores) especializados para computação gráfica e inteligência artificial. Esses chips são essenciais para rodar sistemas de IA, jogos de videogame, edição de vídeo profissional e várias outras aplicações que exigem muito poder de processamento.
2. Por que a China é tão importante para a Nvidia?
A China é o maior mercado de tecnologia do mundo, com mais de 1,4 bilhão de pessoas e milhares de empresas investindo pesado em inteligência artificial. Sem acesso a esse mercado, a Nvidia perde uma fatia enorme de vendas potenciais.
3. O que é o chip H200?
O H200 é um dos processadores mais avançados da Nvidia, projetado especificamente para rodar aplicações de inteligência artificial de forma muito rápida e eficiente. É tipo o “top de linha” da empresa para esse tipo de trabalho.
4. Posso comprar ações da Nvidia no Brasil?
Sim! Você pode comprar através de corretoras brasileiras que oferecem acesso ao mercado americano (BDRs) ou através de corretoras internacionais. Mas lembre-se: invista apenas o que pode perder e busque orientação profissional.
5. A Nvidia tem concorrentes?
Tem sim. Os principais são AMD e Intel. Além disso, gigantes como Google, Amazon e Apple estão desenvolvendo seus próprios chips para uso interno. Mas por enquanto, a Nvidia ainda lidera o mercado de chips para IA.
6. O que é essa “bolha da IA” que o pessoal comenta?
É o medo de que toda essa empolgação com inteligência artificial seja exagerada e que as empresas do setor estejam supervalorizadas. Se isso for verdade, quando a “bolha estourar”, muita gente pode perder dinheiro.
7. Por que o governo americano cobra 25% dos lucros das vendas para a China?
É uma forma de o governo americano ter algum controle e se beneficiar financeiramente dessas transações. Como a tecnologia de chips avançados é considerada estratégica, essa taxa funciona como uma “permissão” para vender para um país considerado rival.
8. O que é financiamento circular e por que preocupa?
É quando a Nvidia investe dinheiro em startups, e essas startups usam esse dinheiro para comprar produtos da própria Nvidia. Preocupa porque pode estar inflando artificialmente as vendas, criando um crescimento que não é sustentável a longo prazo.
9. Quanto custa uma ação da Nvidia hoje?
Os preços variam diariamente. No momento da notícia original, estava em torno de 212 dólares. Mas para saber o valor atual, você precisa consultar sites de cotações em tempo real ou sua corretora.
10. A Nvidia paga dividendos?
Sim, mas os dividendos são relativamente baixos. A empresa prefere reinvestir a maior parte dos lucros em pesquisa e desenvolvimento. Quem investe em Nvidia geralmente busca ganhos com a valorização das ações, não com dividendos.
11. O que é a CES que foi mencionada no artigo?
CES (Consumer Electronics Show) é uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, que acontece todo ano em Las Vegas. É lá que as empresas apresentam suas novidades e produtos mais avançados.
12. Quanto tempo leva para a Nvidia desenvolver um novo chip?
O desenvolvimento de um chip de alta performance pode levar de 2 a 4 anos, desde o projeto inicial até começar a produção em larga escala. É um processo extremamente complexo e caro.
13. A inteligência artificial pode realmente substituir empregos?
Essa é uma discussão complexa. A IA vai sim automatizar algumas funções, mas também vai criar novos tipos de emprego. O importante é as pessoas se adaptarem e aprenderem novas habilidades. É parecido com o que aconteceu quando os computadores começaram a se popularizar nos anos 90.
14. Vale a pena investir em empresas de tecnologia agora?
Depende do seu perfil de investidor, seus objetivos e sua tolerância a riscos. Empresas de tecnologia podem ter grandes ganhos, mas também são voláteis. O ideal é montar um portfólio diversificado e, se possível, contar com ajuda de um assessor financeiro.
Fonte: Investors







