A Empresa de Mineração de Bitcoin Apoiada por Trump Registra Prejuízo de R$ 490 Milhões – Mesmo Batendo Recordes de Produção
Quando produzir mais não significa ganhar mais
Você já pensou em trabalhar mais do que nunca e, no fim do mês, estar no vermelho? Parece contraditório, né? Mas é exatamente isso que está acontecendo com a American Bitcoin, empresa de mineração de criptomoedas que tem o apoio da família Trump.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia anunciou um prejuízo de 82 milhões de dólares – algo em torno de R$ 490 milhões na cotação atual. E o detalhe que chama atenção: isso aconteceu no mesmo período em que a empresa bateu seu próprio recorde de produção de Bitcoin.
Isso mesmo. Nunca produziram tanto. E nunca perderam tanto.
Esse tipo de situação é mais comum no mundo das criptomoedas do que parece. Mas com a American Bitcoin, o caso ganhou uma dimensão diferente por causa do peso político que carrega. Afinal, a família Trump no centro de um negócio bilionário de cripto é assunto que interessa a muita gente – muito além dos investidores habituais de mineração.
Principais Conclusões
O que é mineração de Bitcoin, afinal?

Antes de entrar fundo no assunto, vale dar um passo atrás para quem não tem tanta familiaridade com esse universo. Mineração de Bitcoin não tem nada a ver com picareta e chapéu de mineiro – embora a metáfora seja parecida.
Basicamente, minerar Bitcoin significa usar computadores muito potentes para resolver cálculos matemáticos complexos. Esses cálculos são o que garante a segurança da rede do Bitcoin. E como recompensa por esse trabalho, quem resolve os cálculos primeiro recebe uma quantidade de Bitcoin.
É como se fosse uma loteria: quanto mais máquinas você tem, mais vezes você “joga” e mais chances tem de ganhar. Por isso, empresas como a American Bitcoin investem pesado em equipamentos e infraestrutura para aumentar o que o setor chama de “hashrate” – que é basicamente o poder computacional dedicado à mineração.
O problema é que esse processo consome uma quantidade absurda de energia elétrica. E equipamentos ficam desatualizados rapidamente. Aí entra o dilema: produzir mais custa mais. E quando o preço do Bitcoin não acompanha esses custos, a conta não fecha.
Com dicas práticas e seguras: Relatório Smart: 25 Criptomoedas para o Ciclo de Alta Por Adriano Serafim
A empresa por trás do nome Trump
A American Bitcoin foi fundada com o apoio explícito da família Trump, o que automaticamente coloca a empresa em outro patamar de visibilidade pública. Qualquer resultado trimestral vira notícia – positivo ou negativo.
No caso do primeiro trimestre de 2026, foi negativo. Um prejuízo de 82 milhões de dólares não é coisa pequena. Para ter uma ideia, é como se uma empresa perdesse, em apenas três meses, o equivalente a construir quase dois hospitais de médio porte do zero.
Mas – e aqui tem um “mas” importante – o prejuízo foi menor do que nos períodos anteriores. Ou seja, a trajetória é de melhora, ainda que lenta. A empresa conseguiu aumentar sua receita com a venda de Bitcoin e, com isso, reduziu o tamanho do buraco no balanço.
Ainda assim, produzir mais Bitcoin sem conseguir transformar isso em lucro é um sinal de alerta claro. E o mercado sabe disso.
Por que produzir mais não resolve o problema?
Essa é a pergunta que muita gente faz quando lê esse tipo de notícia. Se a empresa está produzindo mais Bitcoin do que nunca, como ainda está no prejuízo?
A resposta está nos custos operacionais. Pensa assim: imagine que você tem uma padaria. Você decide comprar mais fornos, contratar mais funcionários e trabalhar 24 horas por dia. Sua produção de pão triplicou. Mas os insumos – farinha, energia, salários – também triplicaram. Se o preço do pão no mercado não subiu na mesma proporção, você vai vender mais e ganhar menos por unidade. Se os custos superarem a receita, você vai ter um prejuízo maior ainda, mesmo vendendo mais pão.
Com a mineração de Bitcoin, a lógica é exatamente essa. O custo por unidade de Bitcoin minerado precisa ser menor do que o preço de mercado. Quando isso não acontece, a escala só piora o problema.
E tem mais um fator que complicou as coisas em 2024 e continua pesando em 2025 e 2026: o halving.

O halving e seu impacto na produção
O halving (que em português seria algo como “redução pela metade”) é um evento programado no código do Bitcoin que acontece a cada quatro anos aproximadamente. Nele, a recompensa que os mineradores recebem por cada bloco resolvido é cortada à metade.
Em termos práticos: antes do halving de 2024, os mineradores recebiam 6,25 Bitcoins por bloco. Depois, passaram a receber apenas 3,125. De uma hora pra outra, a receita por bloco caiu 50%, mas os custos continuaram os mesmos.
É como se você trabalhasse a mesma quantidade de horas e seu salário caísse pela metade do dia para a noite. Você precisaria dobrar sua produção só para manter o mesmo nível de renda. Daí que muitas empresas correram para expandir sua capacidade antes do halving – e aí viram seus custos explodirem enquanto as recompensas encolhiam.
A American Bitcoin está inserida exatamente nesse cenário. Ela expandiu. Ela produz mais. Mas as contas ainda não fecham.
O que os investidores estão olhando de verdade
Quem acompanha ações de empresas de mineração de cripto sabe que o número mais importante não é o volume de Bitcoin produzido. É o custo por Bitcoin minerado.
Se uma empresa gasta, digamos, 70 mil dólares para produzir cada Bitcoin e o preço de mercado está em 95 mil dólares, ela tem margem de lucro. Se o custo sobe para 100 mil dólares, ela está operando no prejuízo mesmo vendendo tudo que produz.
Outros dois indicadores que os analistas vão observar nos próximos relatórios da American Bitcoin:
Eficiência energética – Quanto de energia é consumida para cada Bitcoin minerado. Empresas que conseguem reduzir esse número têm vantagem competitiva clara.
Crescimento da receita – A empresa está conseguindo transformar maior produção em maior receita? E essa receita está crescendo mais rápido do que as despesas?
Se a resposta for sim nos dois casos, o futuro pode ser promissor. Se não, os prejuízos devem continuar.
O peso político do nome Trump no mercado cripto
Não dá para falar da American Bitcoin sem falar do elefante na sala: o apoio explícito da família Trump ao negócio.
Isso tem um efeito duplo e curioso. Por um lado, atrai um público muito maior para acompanhar os resultados. Pessoas que normalmente não ligariam para uma empresa de mineração de Bitcoin ficam de olho nos números – às vezes por curiosidade política, às vezes por interesse ideológico, às vezes pelo misto dos dois.
Por outro lado, esse holofote adicional cria pressão extra. Qualquer resultado negativo vira manchete em veículos que normalmente nem cobrem o setor de cripto. E qualquer análise da empresa fica inevitavelmente colorida por opiniões sobre a figura política que a apoia.
Para quem investe, isso cria um ambiente de análise mais turbulento. A volatilidade de um ativo ligado ao nome Trump pode ser maior do que a de um concorrente equivalente – tanto nas altas quanto nas quedas.
O setor de mineração está sofrendo mesmo
Seria injusto dizer que a American Bitcoin está mal por incompetência ou má gestão sem olhar para o cenário maior. A verdade é que praticamente todo o setor de mineração de Bitcoin está sob pressão no período pós-halving.
Empresas listadas em bolsa ao redor do mundo viram seus custos subirem e suas margens encolherem. Algumas optaram por diversificar, minerando outras criptomoedas ou até alugando sua infraestrutura computacional para empresas de inteligência artificial – o que tem se tornado uma saída interessante para aproveitar o hardware de forma mais lucrativa.
A questão é que o modelo de mineração puro, focado exclusivamente em Bitcoin, ficou mais difícil de sustentar financeiramente sem economias de escala enormes ou acesso a energia muito barata.
Quem consegue energia elétrica a preços baixos – seja por localização geográfica privilegiada, seja por acordos com usinas hidrelétricas ou fontes renováveis – tem uma vantagem competitiva absurda. E no Brasil, aliás, há quem olhe com interesse para a infraestrutura energética do país exatamente por isso.

O que esperar dos próximos meses
O próximo relatório trimestral da American Bitcoin vai ser muito revelador. A tendência de redução do prejuízo vai continuar? Os custos estão sendo controlados? A eficiência energética melhorou?
Se a empresa conseguir mostrar um caminho claro em direção ao equilíbrio financeiro – o chamado “breakeven” – o mercado vai responder positivamente. Se os prejuízos se mantiverem ou piorarem, a pressão sobre as ações vai aumentar.
Um ponto importante: o preço do Bitcoin tem grande influência em tudo isso. Se o Bitcoin se valorizar significativamente nos próximos meses, a equação muda bastante. Com o ativo valendo mais, os mesmos Bitcoins minerados geram mais receita – e o caminho para a lucratividade fica mais curto.
Mas depender da valorização do ativo para cobrir ineficiências operacionais é uma estratégia arriscada. Mercados de cripto são voláteis, todo mundo sabe. O que sobe rápido pode cair na mesma velocidade.
Uma lição além da criptomoeda
Tem uma mensagem aqui que vai além do universo das criptomoedas. Ela fala sobre um erro que muitas empresas cometem: confundir volume com resultado.
Crescer a produção, bater recordes, anunciar números impressionantes – tudo isso pode parecer muito bonito nos releases de imprensa. Mas se no final das contas os custos superam as receitas, o crescimento está destruindo valor, não criando.
A American Bitcoin está vivendo esse dilema em tempo real, na frente de um público imenso e diverso, com todo o escrutínio adicional que o nome Trump traz consigo.
Seja você investidor, curioso sobre cripto ou apenas alguém que acompanha as notícias, esse caso é um lembrete valioso: números recordes de produção são manchete. Mas é o saldo no fim do mês que diz se o negócio realmente está funcionando.
E por enquanto, esse saldo ainda está no vermelho.
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Perguntas Frequentes
1. O que é a American Bitcoin? A American Bitcoin é uma empresa americana de mineração de Bitcoin que tem o apoio da família Trump. Ela opera grandes estruturas computacionais dedicadas a produzir (ou “minerar”) Bitcoin como forma de negócio.
2. Quanto foi o prejuízo registrado no primeiro trimestre de 2026? A empresa registrou um prejuízo de 82 milhões de dólares – o equivalente a cerca de R$ 490 milhões na cotação atual – no primeiro trimestre de 2026.
3. Como é possível ter prejuízo mesmo batendo recordes de produção? Porque os custos operacionais – energia elétrica, equipamentos, infraestrutura – superaram a receita gerada pela venda dos Bitcoins minerados. Produzir mais não adianta se o custo por unidade for maior do que o preço de venda.
4. O que é mineração de Bitcoin? É o processo de usar computadores potentes para resolver cálculos matemáticos complexos que garantem a segurança da rede Bitcoin. Como recompensa por esse trabalho, quem resolve os cálculos recebe uma quantidade de Bitcoin.
5. O que é o halving do Bitcoin e por que ele importa? O halving é um evento programado que acontece a cada quatro anos e reduz pela metade a recompensa que os mineradores recebem. Isso diminui a receita dos mineradores sem reduzir seus custos, pressionando as margens do setor inteiro.
6. O prejuízo da American Bitcoin piorou ou melhorou em relação a períodos anteriores? Melhorou. O prejuízo de 82 milhões foi menor do que nos trimestres anteriores, o que indica uma tendência de redução das perdas – ainda que lenta.
7. Qual é o papel da família Trump na empresa? A família Trump apoia a empresa publicamente, o que aumenta muito sua visibilidade. Isso atrai atenção de um público muito maior do que o habitual para empresas de mineração de cripto, incluindo pessoas motivadas por interesse político.
8. Quais indicadores são mais importantes para avaliar se a empresa vai se tornar lucrativa? Os três principais são: custo por Bitcoin minerado, eficiência energética (quanto de energia é gasta por Bitcoin produzido) e crescimento da receita em relação às despesas.
9. Outras empresas de mineração de Bitcoin também estão com dificuldades? Sim. O período pós-halving de 2024 pressionou praticamente todo o setor. A maioria das empresas de mineração listadas em bolsa enfrentou margens menores e custos maiores.
10. Qual é a relação entre o preço do Bitcoin e a lucratividade dos mineradores? É direta. Quando o preço do Bitcoin sobe, a receita por Bitcoin vendido aumenta e as margens melhoram. Quando cai, os custos operacionais podem superar a receita, gerando prejuízos mesmo com alta produção.
11. O que significa “hashrate” no contexto da mineração? Hashrate é o poder computacional total dedicado à mineração. Quanto maior o hashrate de uma empresa, mais “tentativas” ela faz por segundo para resolver os cálculos e receber recompensas em Bitcoin.
12. Existe alguma estratégia alternativa que os mineradores estão usando para sobreviver? Sim. Algumas empresas estão alugando sua infraestrutura computacional para empresas de inteligência artificial, diversificando a mineração para outras criptomoedas ou buscando acordos de energia elétrica mais barata – como contratos com usinas de energia renovável.
13. Este artigo é uma recomendação de investimento? Não. O conteúdo é puramente informativo e jornalístico. Investimentos em criptomoedas envolvem riscos significativos. Antes de tomar qualquer decisão financeira, consulte um especialista certificado e faça sua própria pesquisa.
14. Quando será divulgado o próximo relatório financeiro da American Bitcoin? O próximo relatório trimestral, referente ao segundo trimestre de 2026, deve ser divulgado nos próximos meses. Ele será fundamental para confirmar se a tendência de redução dos prejuízos está se mantendo ou se os custos continuam superando a receita.
Fonte: CoinLive







